03/03/2026

Fechamento de Ormuz acarreta em menor disponibilidade de navios no Brasil

Fechamento de Ormuz acarreta em menor disponibilidade de navios no Brasil

 

Um Helicóptero visa um navio perto do Estreito de Ormuz em 13 de abril de 2025. Marinha do Irã apreendeu navio ligado a Israel em escalada da tensão no Oriente Médio.  • AP via CNN Newsource

 

Cenário impõe desvio de rotas e encarece frete marítimo; Irã avisou que ateará fogo em navios que tentarem passar pelo local

 

       

Com a escalada bélica entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz foi totalmente fechado e voltou ao centro das preocupações do comércio, pois o local é um ponto nevrálgico da logística global, como destacam especialistas. À vista, o desarranjo das rotas marítimas globais, o que implicará em aumento no tempo de viagem e menor disponibilidade de navios no Brasil, segundo especialistas.

 

A região é estratégica para o transporte de petróleo mundial e outras mercadorias agropecuárias, em especial fertilizantes e grãos.

 

Em comunicado emitido pela mídia estatal iraniana, o comandante da Guarda Revolucionária informou nesta segunda-feira (2) que o país incendiará qualquer navio que tentar passar pelo local como retaliação pela morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

 

"O fechamento do Estreito de Ormuz irá encarecer o transporte marítimo como um todo, tanto para as exportações de produtos agrícolas, como importação de fertilizantes, por exemplo", reforça à CNN Agro Fernando de Bastiani, pesquisador do Esalq-LOG, grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ/USP).

 

Na mesma perspectiva, o especialista em comércio exterior, Jackson Campos afirma que o exportador brasileiro "perde competitividade, porque o custo logístico encarece o produto final. Já o importador enfrenta preços mais altos e maior risco de atrasos no recebimento de insumos, componentes e mercadorias”.

 

Segundo Campos, mesmo países distantes do conflito, como o Brasil, podem sentir os impactos. Ele alerta que setores que operam com estoques enxutos podem ter dificuldade de abastecimento ou precisar repassar custos ao consumidor.

“Mesmo longe geograficamente do conflito, o comércio exterior brasileiro passa a trabalhar com prazos mais longos, maior volatilidade e pressão sobre as margens”, avalia.

 

O especialista em trigo da consultoria Safras & Mercado, Élcio Bento, também reitera que os caminhos das cargas ficarão mais longos com a suspensão das rotas estratégicas do Estreito de Ormuz e do Canal de Suez. "Há impacto direto e quase imediato no custo do frete internacional de trigo", exemplifica.

Estreito de Ormuz - Irã • Arte: CNN Brasil

 

Segundo os especialistas, o custo do frete marítimo está diretamente relacionado com os valores das commodities, pressionando toda a cadeia produtiva. Campos enfatiza que o desvio de navios para o Cabo da Boa Esperança diante da suspensão de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez, além de aumentar a distância da rota, recai imediatamente sobre o preço do frete marítimo internacional.

 

"Quando os armadores deixam de utilizar as rotas mais curtas e passam a contornar a África, o tempo de trânsito aumenta significativamente, o consumo de combustível sobe e isso é repassado ao valor final do frete", explica Campos. A aplicação de sobretaxas de risco de guerra e adicionais emergenciais também entram na nova conta dos exportadores (CNN Brasil, 2/3/26)