27/07/2026

Flávio em 2026 ou o Brasil segue o rumo da Nicarágua – Por Paula Sousa

Flávio em 2026 ou o Brasil segue o rumo da Nicarágua – Por Paula Sousa

A política brasileira chegou àquele momento crucial em que a conversa fiada de bastidor precisa dar lugar à realidade das urnas. Enquanto a militância de gabinetes e os analistas de ar-condicionado passam o dia inventando teses mirabolantes, a convenção oficial do Partido Liberal (PL), marcada para o dia 25 em São Paulo, sela de vez a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O tempo da enrolação acabou. Quem quer disputa real pelo poder precisa parar de brincar de ilusão e encarar o tabuleiro como ele é.

 

Existe uma ala no meio conservador que parece sofrer de uma ingenuidade crônica ou de um cinismo sem limites. É a chamada "direita de boutique", aquela turma perfumada que adora posar de moderada e esclarecida, mas comete o pecado mortal da política: quer desesperadamente o voto e a energia do eleitorado bolsonarista, mas morre de vergonha de defender o movimento em público.

 

Querem herdar o espólio político de Bolsonaro sem passar pelo trabalho pesado de carregar o piano. Notícias divulgadas pela BBC News ressaltam como a escolha feita por Jair Bolsonaro ao indicar seu filho Flávio reorganizou o jogo político e desagradou justamente a quem preferia manter o campo conservador domesticado.

 

A verdade é que política não é concurso de beleza nem busca por santos imaculados. Quem fica sentado na sala de estar esperando a chegada de um "candidato imaginário perfeito" — que só existe no fantástico mundo de Boby —, na prática, trabalha para a continuidade do projeto de poder da esquerda.

 

A matéria do jornal O Globo abordando o tal "Projeto 2030" revelou o cálculo covarde de quem já jogou a toalha para 2026 antes mesmo de a batalha começar. Essa gente propõe, sem qualquer pudor, colocar o Brasil em modo de espera por quatro anos inteiros, torcendo pelo "quanto pior, melhor" para tentar posar de salvadora da pátria lá na frente.

 

É um oportunismo barato de quem ignora a realidade do cidadão comum, das empresas que fecham as portas e dos empregos que somem diariamente sob o peso da gastança e da incerteza.

 

Dizer que Flávio "já perdeu" com base em pesquisas eleitorais antecipadas é cair feito patinho na armadilha psicológica mais antiga do sistema. Reportagens do Canal O Tempo e do portal Metrópoles têm discutido o desgaste dos polos e a incapacidade da chamada terceira via em decolar. Aliás, levantamentos divulgados pelo Metrópoles mostraram inclusive a competitividade real de Flávio diante do atual presidente.

 

O histórico brasileiro ensina que institutos de pesquisa erram sistematicamente e quase sempre na mesma direção, subestimando a força do eleitorado conservador. Ocorreu em 2018, quando tentavam empurrar Geraldo Alckmin como o "opositor viável" — aquele mesmo que terminaria anos depois como vice de Lula — e repetiu-se em 2022, quando as urnas no primeiro turno desmentiram os prognósticos e confirmaram vitórias contundentes de nomes como Tarcísio de Freitas em São Paulo e Cláudio Castro no Rio de Janeiro.

 

Pesquisa prévia não é sentença definitiva; é apenas uma fotografia que muitas vezes é usada para desmobilizar militantes, fechar torneiras de financiamento e induzir a desistência prematura.

 

O eleitor precisa abrir os olhos e enxergar o que está escancarado na sua frente: a intensidade da perseguição institucional é o verdadeiro termômetro da força de um candidato. Se a engrenagem do establishment ataca, censura, investiga e tenta inviabilizar a família Bolsonaro a todo custo, é exatamente porque sabe de onde vem a única ameaça real ao seu domínio.

 

Não existe candidato perfeito, e você não precisa amar o Flávio nem achá-lo lindo. Basta analisar o histórico de todos e lembrar do legado de Jair Bolsonaro. Quem põe medo no sistema de verdade sofre na pele. Lembrem-se das gravações de facções criminosas sobre os "diálogos cabulosos": "O PT tinha diálogo com nós cabuloso... Mas esse Bolsonaro aí veio para bater de frente mesmo".

 

Por outro lado, causa profunda estranheza o comportamento de certas figuras da dita "direita permitida" ou dos pretensos moderados. Vemos líderes regionais como Ronaldo Caiado e Romeu Zema em constante aproximação e afagos a figuras do judiciário que lideram investidas contra o grupo bolsonarista, enquanto integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL)/Missão, como Renan Santos, chegam ao cúmulo de comemorar publicamente e pedir medidas duras ao ministro Alexandre de Moraes contra lideranças bolsonaristas.

 

Foi essa mesma turma do MBL que, em 2022, pregou o voto nulo dizendo que Lula e Bolsonaro eram a mesma coisa, ajudando decisivamente a colocar o PT de volta ao poder. Vão cometer o mesmo erro de novo por mero nojinho estético da família Bolsonaro? Entenderam o desenho ou precisam que desenhe mais?

 

Quem carrega esse histórico de alianças e omissões jamais enfrentará o sistema com a firmeza necessária; terminaria atuando como mero capacho das estruturas dominantes. É exatamente aí que reside a importância crucial de ficar ao lado de Flávio Bolsonaro. A partir de 2027, o próximo presidente da República indicará simplesmente quatro novos nomes para o Supremo Tribunal Federal (STF). A direita de boutique quer mesmo arriscar a entrega dessas quatro cadeiras decisivas para mais quatro anos de Lula ou para um "pau-mandado" da direita permitida?

 

Não dá para ignorar a urgência da situação socioeconômica do país enquanto políticos articulam suas vaidades pessoais. Reportagens publicadas pelo portal Migalhas e pela revista Veja Negócios destacam o cenário preocupante de insegurança jurídica que trava os investimentos e o desânimo generalizado com os rumos da economia nacional, colocando o Brasil na contramão do mercado internacional.

 

O país não pode se dar ao luxo de perder tempo. Como alertou o deputado Eduardo Bolsonaro em declaração veiculada pelo jornal Estado de Minas, o pleito atual é decisivo para a preservação das próprias garantias democráticas no futuro, tornando o cálculo cínico de esperar até 2030 uma irresponsabilidade sem tamanho.

 

Querem arriscar passar pelo o que a Nicarágua está passando?

 

Com Jair Bolsonaro retirado do tabuleiro por decisões do sistema, Flávio Bolsonaro representa a única liderança com densidade eleitoral, capilaridade nacional e o endosso direto do pai para manter a oposição unida e competitiva. Ele traz o reconhecimento popular e a legitimidade que nenhum candidato fabricado em gabinete consegue simular.

 

Abandonar essa candidatura para abraçar alternativas dóceis ao establishment é aceitar a domesticação do movimento conservador. A convenção do PL é o momento de separar os compromissos reais das picuinhas pessoais. O bonde da história está passando, e quem perder o embarque por excesso de frescura vai passar os próximos anos reclamando sozinho na estação (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 24/7/2026)