16/07/2026

Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil

Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil

Imagem Reprodução Blog  Feeds&Food

 

Lista de exceções preserva carne bovina, carne de frango e café, principais produtos do agronegócio brasileiro vendidos ao mercado americano.

 

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) que as importações de carne bovina, carne de frango e café do Brasil ficarão fora da nova tarifa de 25% anunciada para produtos brasileiros. A decisão consta da lista de exceções divulgada pela Casa Branca e representa um alívio para alguns dos principais setores exportadores do agronegócio nacional.

 

A manutenção desses produtos nas isenções já era esperada pelo setor privado. Ainda não está claro se o café solúvel será isento e entidades do segmento aguardam os detalhes da lista de exceções.

 

Durante as audiências públicas promovidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), entidades como a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e a  ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) optaram por não participar das discussões, diante da avaliação de que as carnes brasileiras não seriam incluídas entre os produtos tarifados.

 

Para Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a exclusão das carnes segue uma lógica econômica, uma vez que os Estados Unidos dependem das importações brasileiras para complementar a oferta doméstica, especialmente de carne bovina destinada ao processamento.

 

No caso do café, a decisão também atende a um pleito da indústria americana. Em comunicados oficiais - e durante a audiência pública promovida pelo USTR entre 6 e 7 de julho -, a NCA (National Coffee Association) argumentou ao governo dos Estados Unidos que a taxação elevaria os custos para torrefadoras, varejistas e consumidores, já que o país depende das importações para abastecer seu mercado e o Brasil é seu principal fornecedor de café.

 

A entidade defendeu que o grão brasileiro não possui substituto em volume e qualidade suficientes no curto prazo, incluindo o solúvel. Ano passado, o café verde foi incluído na lista de exceções, diferente do cenário do café solúvel, sob o qual incide uma tarifa temporária global de 10% - prevista até dia 24 de julho deste ano.

 

Os Estados Unidos eram o principal destino do café brasileiro até antes do tarifaço, mas perderam este espaço justamente pela aplicação de tarifas. Na safra 2025/26, os EUA ficaram em segundo lugar entre os maiores compradores globais e Alemanha passou à frente, o que não ocorria desde o ciclo 2009/10. De janeiro a junho deste ano, os americanos compraram cerca de 17% de todo o volume exportado pelo Brasil, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

 

Além do café, as carnes também têm peso relevante na pauta comercial. Em 2026, os Estados Unidos consolidaram-se como o segundo maior destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, enquanto seguem entre os principais mercados para a carne de frango produzida no Brasil (CNN, 15/7/26)

 



EUA aplicam tarifa de importação de 25% sobre o Brasil; carnes e café estão entre exceções

Donald Trump, na Casa Branca. Governo americano considerou que Brasil tem práticas ilegais de comércio — Foto  White House Photo Gabriel Kotico

 

Decisão é consequência de uma investigação sobre práticas comerciais, aberta um ano atrás.

 

O governo dos Estados Unidos anunciou uma tarifa de importação de 25% sobre produtos do Brasil, que passa a valer no próximo dia 22 de julho. Produtos agropecuários brasileiros que têm relevância para o consumidor americano ficaram de fora da decisão, como café, carnes e algumas frutas.

 

A ordem executiva, com o parecer da Representação de Comércio do país (USTR) foi publicada na madrugada desta quinta-feira, horário de Brasília. A decisão é consequência de uma investigação sobre práticas comerciais, aberta um ano atrás, com base na seção 301 da Lei de Comércio, de 1974.

 

Em comunicado, o USTR disse considerar que o Brasil adota práticas injustas em temas como meios de pagamento eletrônicos, sistemas de tarifas preferenciais, propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol. Criticou também o desmatamento e o que chamou de interferência anticorrupção.

 

"A ação é necessária para combater essas práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em igualdade de condições. As extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a negociações contínuas", disse o chefe do USTR, Jamieson Greer.

 

Como publicou o Valor na quarta-feira, ainda que considerasse praticamente inevitável um novo tarifaço e veja contaminação ideológica no processo conduzido pelo USTR, na sigla em inglês, o governo Lula considerava que havia chances de os EUA ampliarem a lista de exceções à nova alíquota.

 

No início do mês, representantes de vários setores do agronegócio, como cafécarne, máquinas e equipamentos, açúcar e etanol e arroz, apresentaram seus argumentos. A intenção era tentar convencer as autoridades americanas de que um novo tarifaço seria prejudicial não apenas às cadeias produtivas, mas também à própria economia local, com aumento de preços e inflação para os consumidores.

 

No agronegócio dos Estados Unidos, a possibilidade de sanções contra o Brasil gerou avaliações divergentes, a depender do segmento e da relevência do produto para os americanos. A cadeia do etanol de milho defendia a adoção de medidas pelo governo Trump, enquanto a cadeia do café pedia a ampliação das isenções para o solúvel, a exemplo do que ocorreu com o grão e o torrado e moído

 

Marco lastimável

 

Em nota, já na madrugada desta quinta-feira (16/7), o governo brasileiro classificou como “um marco lastimável” a imposição das tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil. Além disso, afirmou que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade”.

 

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, diz o comunicado da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

 

O governo brasileiro afirma que “não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”, já que, segundo estatísticas do próprio governo americano, os Estados Unidos acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. Além disso, no ano passado 76% das importações originários dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação.

 

“Nas audiências públicas promovidas pelo USTR (sigla em inglês para Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço”, diz.

 

No comunicado, o governo brasileiro garante que “seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia” e buscando “diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Cingapura”.

 

Além disso, por meio do Plano Brasil Soberano - lançado no ano passado para mitigar os efeitos econômicos do primeiro tarifaço dos Estados Unidos -, manterá “medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas” pelos Estados Unidos, “preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”.

 

Também “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias” da Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda atribui o tarifaço ao “enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”.

 

“São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, diz a nota. “Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.” (Globo Rural, 16/7/26)