Grupo da Colômbia compra operações da Agropalma no Pará
Em Tailândia (PA), a Agropalma possui 39 mil hectares de palmeiras plantadas e seis usinas de extração de óleo de palma. — Foto- Wenderson Araujo CNA
Negócio envolve uma das maiores empresas de óleo de palma do país
O conglomerado APAR Holdings, da família do ex-banqueiro Aloysio Faria, acertou a venda de todas as operações da Agropalma para a Daabon, uma empresa familiar colombiana, em parceria com investidores brasileiros. A informação foi adiantada pelo site “Agribizz” e confirmada pela empresa ao Valor.
As companhias não divulgaram o valor da transação. A Agropalma é uma das maiores empresas de óleo de palma do país, operando desde o plantio da palma até a extração e o refino do óleo.
A operação envolveu a refinaria de óleo em Belém e áreas plantadas e instalações de extração no município de Tailândia (PA). O acordo não contemplou a unidade da empresa em Limeira (SP), que segue sob a gestão da Indústrias Xhara, subsidiária do Grupo Agropalma no Estado de São Paulo.
Em Tailândia, a Agropalma possui 107 mil hectares, sendo 39 mil hectares de palmeiras plantadas e 64 mil hectares de reserva florestal, e seis usinas de extração de óleo.
Em nota, a Agropalma informou que “após a conclusão da transação, a Daabon pretende expandir sua presença no Pará por meio de investimentos operacionais, criação de empregos, parcerias comunitárias e gestão ambiental contínua sob os padrões ESG do grupo alinhados com o potencial de desenvolvimento do setor de óleo de palma no Brasil”.
A Agropalma vinha operando com margens pressionadas diante das oscilações no preço do óleo de palma nos últimos anos. Em 2024 (último ano com dados financeiros disponíveis), a empresa teve um prejuízo líquido de R$ 8,9 milhões, após um lucro de R$ 238,1 milhões no ano anterior. Esse aperto refletiu principalmente a queda dos preços, que fez a receita líquida cair 38%, a R$ 714,4 milhões.
A empresa foi uma das primeiras a se comprometer com desmatamento zero em sua cadeia, em 2002, e atualmente possui o selo da Mesa Redonda sobre Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês), o que lhe permite vender para mercados que exigem a certificação, como a União Europeia.
A Agropalma informou que "a conclusão da transação está sujeita às condições precedentes usuais e aprovações regulatórias aplicáveis" (Globo Rural, 4/3/26)

