Importação de ureia caiu 25% entre janeiro e agosto, diz StoneX
Desde o início do conflito, as cotações da matéria-prima chegaram a subir quase 70% — Foto: Canva/ Creative Commoms
Mercado de fertilizantes nitrogenados foi um dos mais impactados pelo conflito no Oriente Médio, que teve início no final de fevereiro.
As importações brasileiras de ureia caíram 25% no acumulado do ano, de janeiro a agosto, em relação ao mesmo período de 2025, segundo a consultoria StoneX. As compras de nitrato de amônio, por sua vez, recuaram 33% no mesmo período.
O mercado de fertilizantes nitrogenados foi um dos mais impactados pelo conflito no Oriente Médio, que teve início no final de fevereiro e continua sem solução. Isso porque os países daquela região são grandes produtores de ureia. Desde o início do conflito, as cotações da matéria-prima chegaram a subir quase 70% - o que levou as relações de troca a alguns dos piores patamares dos últimos anos.
A paralisação das negociações trouxe os preços da ureia de volta a patamares observados antes do início da guerra, o que reduziu o risco de produtores brasileiros ficarem incapazes de arcar com o custo dos fertilizantes nitrogenados, segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías.
Mas o especialista pondera que, se por um lado as relações de troca estão próximas de níveis históricos, por outro, as compras seguem atrasadas em relação a anos anteriores.
"Isso sugere que, para recuperar os mesmos níveis de nitrogenados importados no ano passado, o Brasil terá de acelerar as compras e avançar na recomposição de estoques", observa Pernías.
A aproximação do plantio da soja deve deslocar gradualmente a atenção do mercado de fertilizantes para a safrinha de milho de 2027, aumentando o foco nos nitrogenados, especialmente a ureia, segundo a StoneX. O milho é considerado uma cultura intensiva no uso desse tipo de insumo.
"Por ora, as relações de troca e os preços favorecem os compradores, mas, com a recuperação da demanda, existe a possibilidade de que as cotações ganhem força à medida que o ímpeto comprador brasileiro recupere tração", resume o analista (Globo Rural, 24/8/26)

