08/04/2026

JBS vê queda do boi no 2º semestre com cota chinesa e confinamentos

JBS vê queda do boi no 2º semestre com cota chinesa e confinamentos

Gilberto Tomazoni: pode até ter uma acomodação do preço da arroba no segundo semestre — Foto Silvia Zamboni-Valor

 

Outros países aumentam sua demanda por carne, mas não o suficiente para preencher redução de compras da China, segundo executivos do setor.

 

O esperado preenchimento da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China até meados do ano e a ampliação da oferta de bois para abate provenientes de confinamentos tendem a jogar para baixo as cotações da arroba do animal no segundo semestre, afirmou nesta terça-feira (7/4) o diretor executivo global da JBS, Gilberto Tomazoni.

 

A possível redução da demanda pela carne bovina brasileira, após o preenchimento da cota anual de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa extra de 55% estabelecida pelo governo chinês, deve gerar um excedente de volume que precisará ser direcionado aos mercados interno e externo, disse o executivo a jornalistas durante o 12 Annual Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI.

 

Além da diferença de aproximadamente 600 mil toneladas entre a cota fixada pelos chineses e o volume exportado pelo Brasil no ano passado, o país também deixará de exportar, sem tarifação adicional, cerca de 350 mil toneladas que foram embarcadas no fim de 2025 e que serão contabilizadas pela China na cota de 2026, por terem chegado a portos chineses neste ano.

 

Mesmo a demanda crescente por carne bovina de outros países do Sudeste Asiático e dos Estados Unidos, que passa por um longo período de oferta escassa de gado bovino para abate, não será suficiente para absorver as cerca de 950 mil toneladas que a China tende a deixar de importar do Brasil em 2026, disse Tomazoni.

 

“É muita coisa. A China comprava perto de 50% da exportação brasileira [de carne bovina]. Os mercados estão crescendo, mas não na taxa [do que a China potencialmente deixará de comprar]”, afirmou Tomazoni. “O Brasil está buscando mercados, mas os Estados Unidos compram coisas diferentes [das compras de carne bovina da China]. O pessoal fala do ciclo [de baixa oferta de gado] mas achamos que pode até ter uma acomodação do preço da arroba no segundo semestre”, acrescentou.

 

Demanda global

 

Apesar das cotas chinesas e da guerra no Oriente Médio, Tomazoni e outros executivos do segmento presentes no fórum mostraram otimismo quanto à demanda global por carnes.

 

Se antes do conflito já se observava um aumento do consumo, sustentado por aumentos de renda e da ingestão de proteína nas dietas, a guerra reforça a preocupação com a segurança alimentar, disse o diretor presidente da Minerva Foods, Fernando Galletti de Queiroz, no evento.

 

“Vemos no curto prazo países elevando seus estoques de segurança”, afirmou Galletti.

 

Assim como Minerva e JBS, a MBRF observou aumento dos custos logísticos no Oriente Médio, dada a utilização de rotas marítimas e terrestres alternativas, alta do petróleo e de taxas cobradas por seguradoras, disse o diretor presidente global da MBRF, Miguel Gularte, no fórum. Porém, com a maior demanda por diversas carnes após o início do conflito, o repasse tem sido feito com facilidade, acrescentou.

 

Galletti, da Minerva, disse ver oportunidades de expandir vendas para mercados ainda fechados à carne brasileira, como Japão e Coreia do Sul, bem como a outras nações do Sudeste Asiático. Tomazoni mencionou potenciais incrementos em vendas à União Europeia bem como para a África. No Brasil, a Copa do Mundo e as eleições também devem estimular o consumo de carne, disse Gularte.

 

Embora a perspectiva seja de menor oferta de gado bovino para abate no Brasil devido ao ciclo de baixa da pecuária, o país tem a seu favor um processo em curso de incremento de produtividade, com melhorias genéticas e de nutrição. “Há um espaço absurdo de crescimento. O país vai dar as cartas no mercado de carne bovina”, afirmou Gilberto Tomazoni (Globo Rural, 7/4/26)