05/10/2026

Juíza Estela Aranha é uma prova de que o PT aparelha as instituições

Juíza Estela Aranha é uma prova de que o PT aparelha as instituições

Ministra do TSE Estela Aranha Foto. Luiz Roberto/TSE

 

Por Fabiano Lana

 

O que explicaria a decisão da ministra do STF que impediria a Rede Globo a filmar o púlpito vazio do presidente Lula não é uma convicção jurídica qualquer, mas seu passado de militante para o Partido dos Trabalhadores

 

Vale a pena dar uma conferida na íntegra da decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, que impediria a Rede Globo a filmar o púlpito vazio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no malfadado debate previsto para o dia de ontem. É toda uma intrincada cadeia de raciocínios para justificar o que, na prática, é censura pura e simples contra uma emissora privada, em um evento cujas regras foram acordadas pelas assessorias de todos os candidatos.

 

Um púlpito vazio ou o simples fato de alguém fazer perguntas a um candidato ausente, segundo a juíza, teria potencial para criar situação de desequilíbrio entre os participantes. Segundo ela, “pode produzir efeitos que transcendem a simples informação ao eleitorado acerca do não comparecimento”.

 

Ora, nenhum desequilíbrio desse ocorreria se Lula quisesse participar, arriscando-se ao contraditório, mesmo que áspero. Além disso, um púlpito vazio trata-se de algo tradicional nos debates televisivos brasileiros em todo o Brasil. Não havia ali uma questão de princípio da juíza, mas de oportunismo a favor de um candidato.

 

Mas, pior, o que explicaria o posicionamento heterodoxo, censório e claramente intervencionista da juíza não é uma convicção jurídica qualquer, mas seu passado de militante para o Partido dos Trabalhadores.

 

Em 2022, quando Lula disputava com Jair Bolsonaro, ainda advogada, Estela foi para as redes sociais declarar seu posicionamento. Ela afirmou que apoiaria o petista para “estancar o aumento do autoritarismo”. A ironia é que, quatro anos depois, Estela estaria à frente de uma das ações mais autoritárias das disputas políticas presidenciais brasileiras em todos os tempos.

 

A questão nem é seu posicionamento pessoal incoerente. Mas o que representa em um sistema enviesado quando militantes políticos são colocados em posições institucionais para servir a uma agremiação política, no caso o Partido dos Trabalhadores? Após ajudar Lula em 2022, Estela atuou como assessora especial da presidência da República, no Ministério da Justiça, sob o comando do então ministro Flávio Dino, até ser nomeada por Lula para o TSE. Difícil dizer que não está apenas cumprindo uma missão para a qual foi determinada – aparelhar as instituições. Estela é apenas uma peça do sistema (Estadão, 3/10/26)