Le Scandal: A fraude revelada – Por Paula Sousa
Quem diria que a solução para entender a confusão em que vivemos não viria das nossas próprias redações, mas de um jornal francês? É de cair o queixo, mas os ventos mudaram e a notícia correu solta até a Europa. Estamos diante de um cenário tão absurdo que nem mesmo os jornais europeus, historicamente alinhados à esquerda, conseguem mais passar pano para a situação do nosso Supremo Tribunal Federal.
O que está acontecendo no Brasil virou um espetáculo internacional e, para surpresa de ninguém — exceto talvez dos que ainda insistem na narrativa oficial —, a podridão está saindo pelos poros.
Tudo começou com uma repercussão que o Portal Terra trouxe à tona. Eles noticiaram como a imprensa francesa, especificamente o renomado Le Figaro, resolveu analisar a tal "ofensiva bolsonarista" contra o STF. Veja que ironia: eles usam o termo "ofensiva", seguindo aquela cartilha que o Lula e o Alexandre de Moraes adoram.
Para eles, qualquer tentativa de fiscalizar ou questionar o judiciário é automaticamente rotulada como ataque à democracia. É o velho truque de dizer que quem aponta a corrupção é o inimigo, e não quem a pratica.
Mas o buraco é bem mais embaixo. O próprio Le Figaro, em uma série que investiga o avanço da direita na América Latina, não conseguiu fechar os olhos para o "estranho negócio" que acontece nos bastidores do poder brasileiro. Eles tentam manter a narrativa de que o Flávio Bolsonaro é o grande vilão, o articulador da crise, mas, no fim das contas, a realidade é teimosa demais.
O jornal francês admite, entre linhas e análises, que a corrupção no STF atingiu níveis que já não dá para esconder. É o famoso "tá na cara".
E é aqui que a história fica interessante. Por que o desespero para tirar o Bolsonaro do jogo? A conta é simples. O Supremo viu que, com Bolsonaro no poder, o sistema estava fragilizado. Ele não se dobrava, ele questionava e, o pior de tudo, ele não aceitava o jogo de cartas marcadas. Para a sobrevivência daquela estrutura, o plano era óbvio: precisavam descondenar o condenado. Precisavam trazer de volta o "pinguço" de estimação do sistema para garantir que a engrenagem continuasse girando.
E assim fizeram. Colocaram o dedo na balança, forçaram a barra, e conseguiram o que queriam, por uma margem mínima, enquanto o povo assistia a tudo atônito.
A coisa fica ainda mais séria quando olhamos para as investigações de dentro. A jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, trouxe à luz detalhes de um esquema que faria qualquer um corar de vergonha. Ela expôs a conexão do STF com o Banco Master, que acabou entrando em falência deixando um rombo bilionário. Estamos falando de contratos, de suspeitas de pagamentos milionários para escritórios de advocacia ligados a figuras centrais do judiciário.
O detalhe sobre o contrato da esposa de Moraes, na casa das dezenas de milhões, é algo que, em qualquer país sério do mundo, causaria uma crise institucional sem precedentes. Mas aqui, a narrativa é que tudo faz parte de um plano de "perseguição política".
Engraçado como eles adoram a palavra "golpe", não é? O tal 8 de janeiro é a ferramenta perfeita para eles. Tentam emplacar a ideia de que o Bolsonaro planejou um golpe de Estado. Vamos ser sensatos: o homem já tinha saído da presidência, já tinha passado a faixa, estava longe.
Que tipo de golpe é esse que acontece quando você já não manda mais em nada?
A lógica deles é torta, mas é eficiente para prender, calar e silenciar. Eles usam a famigerada Lei de Segurança Nacional — que aliás, muitos diziam ser um monstro do passado — para perseguir quem ousa criticar o sistema. Transformaram o STF em uma magistocracia, onde o juiz cria o crime, julga o crime e condena o criminoso.
E a situação fica ainda mais bizarra quando lemos as reflexões trazidas por figuras como Ricardo Capelli. Ele solta frases que soam como um deboche à nossa cara, sugerindo que a democracia só é aceitável se trouxer prosperidade, e que sistemas não democráticos, como o da China, podem ser mais eficientes. É de arrepiar!
Estão sugerindo, na cara dura, que a liberdade é um luxo descartável se o regime garantir o pão. Eles não estão defendendo a democracia; eles estão defendendo o próprio poder, a qualquer custo, atropelando a Constituição que juraram proteger.
Enquanto isso, o brasileiro comum olha para o lado e vê o preço dos alimentos, a insegurança, o descaso, e entende que a conversa de "proteger a democracia" é só uma desculpa para proteger a elite política e o judiciário. Eles tentam convencer o mundo de que o movimento bolsonarista é uma ameaça, quando, na verdade, é apenas uma resposta de um povo cansado de ser feito de palhaço.
O bolsonarismo, dentro das quatro linhas, sempre cobrou o básico: que as instituições funcionem para o povo, e não para servir de escudo para quem tem telhado de vidro.
O que o Le Figaro noticiou, embora com seu viés esquerdista, é apenas a ponta do iceberg que a gente aqui no Brasil já sabia há muito tempo. A ficha caiu para o resto do mundo. A casa caiu. O esquema de proteção mútua entre o Executivo e o Judiciário é tão grande que até os jornais de fora, que antes ignoravam, agora começam a denunciar.
A narrativa de que tudo é "ofensiva bolsonarista" já não cola mais. O que temos agora é a verdade nua e crua: um sistema que não tem mais como esconder a sujeira embaixo do tapete.
É triste ver o nosso país nessa situação, governado por quem quer calar a oposição a qualquer preço, usando o martelo da justiça como arma. Mas há uma luz no fim do túnel, e essa luz é a própria realidade. A mentira tem perna curta, e a corrupção, por mais poderosa que seja, sempre deixa rastro.
Que continuem publicando na França, que continuem os jornalistas investigando, e que o povo continue abrindo os olhos.
Porque, no final das contas, não há decreto, não há inquérito e não há lei que consiga calar a verdade quando ela decide aparecer. O circo está pegando fogo, e a plateia, finalmente, percebeu que o show já acabou (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 23/4/2026)

