Líderes dos produtores rurais criticam omissão premeditada de Lula
IAChatGPT - BrasilAgro
Três dos líderes das principais commodities produzidas no Estado de São Paulo (cana de açúcar l, citricultura e carne bovina) com forte participação nas exportações brasileiras se manifestaram em entrevistas exclusivas ao BrasilAgro comentando os efeitos do último tarifaço anunciado pelo governo americano e manifestando preocupação com o novo tarifaço que deve ser anunciado nas próximas horas com novos 12,5% de tarifas (trabalho forçado)
Os líderes são unânimes em creditar exclusivamente ao governo Lula o resultado das tarifas já anunciadas e lembram também que a partir de 3 de setembro o Brasil deixa de exportar carnes e outras proteínas ao continente europeu por determinação da Comissão Europeia. E, para piorar, já estão em vigor as cotas de exportação de carnes bovinas impostas de forma unilateral pela China.

Foto Douglas Intrabartolo
No último mês de abril, durante a Agrishow em Ribeirão Preto, empresários e líderes do agronegócio reuniram-se com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um almoço organizado na propriedade rural do presidente do Sindicato Rural da cidade, do qual também participaram Tiago Jacinto e João Henrique de Souza Freitas.
O encontro na região de Ribeirão Preto funcionou como um ato de pré-campanha e contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas(Republicanos), do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo André do Prado, deputado federal Guilherme Derrite, deputado estadual Lucas Bove, além de expressivos representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) BrasilAgro.
O principal objetivo da reunião foi alinhar propostas e discutir as principais demandas e insatisfações do setor produtivo agropecuário que incluíram os efeitos dos tarifaços provocados pela omissão do governo federal e principalmente do presidente Lula que se negava e se nega a negociar com o presidente dos EUA Donald Trump.
Agora, com o novo tarifaço, estes líderes dos produtores rurais reconhecem que o anúncio do prejuízo do novo tarifaço na última 5ª feira só não foi maior graças a interlocução e ao protagonismo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pré-candidato à Presidência da República.
Sua participação na audiência pública realizada no dia 7 de julho em Washington, organizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), sem a participação de representantes do governo brasileiro, contribuiu para a exclusão dos seguintes produtos:
Carnes: Carne bovina (carcaças, cortes com e sem osso, frescos, resfriados e congelados).
Café: Café em grão (verde ou torrado), descafeinado e café solúvel.
Laranja e derivados: Frutas in natura, polpa e sucos de laranja (congelados ou não).
Pescados: Tilápia (inteira e filé), atum, cavala, espadarte e lagosta.
Frutas tropicais: Manga, mamão, goiaba e preparações de açaí.
Oleaginosas: Castanha-do-pará, castanha de caju, cocos e nozes.
Outros alimentos: Mel orgânico certificado, cacau (grão, massa, manteiga e pó), chá e pimenta-do-reino

Paulo Junqueira (Presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto), Tiago Jacinto (Presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente) e João Henrique de Souza Freitas (Secretário Municipal de Agricultura e vice-presidente do Sindicato Rural de Araraquara)
Paulo Junqueira: “Estamos nas mãos de anões diplomáticos e de um partido nanico”
“É inegável que faltou e falta articulação do governo federal e também de determinadas e conhecidas entidades ligados ao setor do agronegócio. Flávio Bolsonaro tentou, de todas as formas possíveis, defender o agro e se inscreveu para falar diante das autoridades americanas, enquanto que ninguém do governo federal compareceu. Para piorar, Lula tratou com chacota este tema crucial para os interesses econômicos, sociais e políticos do Brasil.
Há tempos que o Brasil não tem representatividade externa à altura do seu protagonismo no agro e, lamentavelmente, mantemos instituições que ao invés de representarem os produtores se transformaram em autênticos e vergonhosos feudos familiares que buscam se manter no poder através de privilégios ilegítimos e ilegais. Para piorar, agem às sombras do ativismo judicial e se mantém na mídia graças a recursos polpudos investidos em marketing pessoal”.
As estatísticas confirmam que o PT não passa de um partido que se apequena a cada eleição e não passa hoje de um partido nanico, senão vejamos:
- Nas eleições de 2024, o partido elegeu apenas 4 prefeitos nos 645 municípios paulistas (Matão, Santa Lucia, Mauá e Lucianópolis). A população destes municípios somam apenas 507 mil habitantes o que corresponde a insignificantes 1,1% dos 46 milhões de paulistas;
- A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo é formada por 94 deputados estaduais e a bancada do PT é de apenas 18 parlamentares;
- A bancada de deputados federais na Câmara Federal é formada por 70 parlamentares sendo que a representação do PT é de apenas 10 deputados;
- Nas eleições de 2024 o PT ficou sem prefeitos em 7 Estados;
- Ainda nas eleições de 2024 o PT elegeu apenas 1 prefeito nas capitais (Evandro Leitão em Fortaleza no Ceará);
- Nas mesmas eleições de 2024, o PT não elegeu nenhum prefeito em 7 Estados (Acre, Mato Grosso do Sul, Amapá, Espírito Santo, Rondônia, Roraima e Mato Grosso)
A depender do nosso trabalho, da nossa fé, do nosso comprometimento aos ideais e valores apregoados e defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro, ao juízo e a harmonia que devem prevalecer aos que se situam politicamente à direita deste sistema insano, injusto, irresponsável e predador, os números acima podem se acentuar para tirarmos definitivamente do poder os insanos, os ineptos, os traidores e aqueles que só defendem através de narrativas mentirosas a soberania brasileira”
Tiago Jacinto: “Nem Lula e nem o PT têm um projeto de País. Só pensam na reeleição”
“A crise que atravessamos reflete a polarização política e as críticas recorrentes à hegemonia de Lula e do Partido dos Trabalhadores (PT) no cenário nacional. É evidente e marcante a falta de planejamento estratégico de longo prazo, defensores do governo destacam diretrizes focadas no desenvolvimento social e econômico. O modelo petista prioriza o assistencialismo e o populismo fiscal visando a manutenção do poder, sem atacar reformas estruturais profundas e necessárias.”
Todos os sinais mostram e evidenciam que as ações do governo federal estão destruindo o Brasil. Este pessoal só se preocupa em jogar para a plateia e em atacar a oposição. Se demonstrassem um mínimo de senso de inteligência e honestidade, jogariam a favor do nosso País. Querem que os produtores quebrem e virem escravos e dependentes do governo.
As digitais do governo federal estão em todos os tarifaços incluindo os da Comissão Europeia que a partir de setembro fechará seus portos para as carnes e proteínas animais brasileiras. A isto some-se que a cota de carne bovina exportada à China já atingiu seu limite e passa a vigorar a alíquota de 67%. Lula demonstra sua condição maquiavélica ao priorizar o pragmatismo e a estratégia fria sobre qualquer moralidade.
Ele foi incapaz de formar sequer um herdeiro político e não passa de um pseudo-líder que simula autoridade, mas carece de habilidades reais de gestão e está destruindo o Brasil nos está empurrando ladeira abaixo. Temos que reagir, pensar na só nos trouxeram aumento de impostos, brutal redução dos serviços públicos que deveriam, em contrapartida, melhorarem e denúncias de corrupção e escândalos nunca vistos antes na história do nosso País”
João Henrique de Souza Freitas: Tarifaço, silêncio institucional e a “picanha mais barata”. Quem pagará a conta da falta de diplomacia?
“Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras, com vigência prevista para 22 de julho de 2026. Carne bovina, café, laranja e suco de laranja estão entre as exceções, mas isso não diminui a gravidade do episódio.
A medida confirma o avanço do protecionismo e evidencia uma fragilidade brasileira: a falta de diplomacia política eficiente para defender nossos interesses.
A investigação norte-americana tramitou durante meses. Houve audiências, apresentação de documentos e oportunidade de negociação. Portanto, não se pode dizer que o governo brasileiro tenha sido surpreendido.
Ainda assim, a reação mais contundente veio depois da decisão.
Diplomacia não se resume a notas oficiais, discursos duros e ameaças de reciprocidade. Diplomacia exige diálogo, negociação e resultado. O governo pode transformar o confronto em discurso político, mas quem perde mercados, empregos e renda é o setor produtivo.
O produtor rural não pode pagar a conta de uma política externa marcada por disputas ideológicas e falta de diálogo.
Flávio Bolsonaro procurou o diálogo
Durante a tramitação do procedimento, o senador Flávio Bolsonaro inscreveu-se para apresentar manifestação em audiência pública nos Estados Unidos.
Posicionou-se contra a tarifa, pediu sua reconsideração ou adiamento e argumentou que a medida prejudicaria produtores, empresas e consumidores dos dois países.
A iniciativa parlamentar não substitui a diplomacia oficial, mas demonstrou que existiam espaços políticos e institucionais para interlocução antes da decisão definitiva.
E a FAESP, o que efetivamente fez?
A CNA acompanhou a investigação, participou de audiência perante o governo norte-americano e apresentou argumentos técnicos em defesa do agronegócio brasileiro.
Da FAESP, entretanto, o que se tornou publicamente conhecido foi uma nota divulgada depois da confirmação da tarifa, afirmando que o Brasil precisa de diplomacia comercial, e não de disputa política.
A afirmação está correta. Mas é pouco para uma entidade do tamanho e da importância da FAESP.
Não foram encontrados registros públicos de sua participação nas audiências norte-americanas, de missão institucional aos Estados Unidos, de estudo sobre os impactos da tarifa em São Paulo ou de uma mobilização organizada dos sindicatos rurais.
Podem ter ocorrido articulações não divulgadas. Nesse caso, por que não prestar contas aos produtores?
São Paulo concentra cadeias importantes como café, citros, açúcar, etanol, produtos florestais e proteínas animais. Era de se esperar uma atuação proporcional ao peso econômico do Estado.
Publicar uma nota é manifestar opinião. Representar exige antecipação, presença, mobilização e resultado.
A pergunta continua sem resposta: além da nota, o que a FAESP efetivamente fez para defender a agropecuária paulista?
Todos protegem seus produtores — menos o Brasil?
A pressão não vem apenas dos Estados Unidos.
A China, principal compradora da carne bovina brasileira, adotou um mecanismo de salvaguarda, com limites de importação e possibilidade de aumento tarifário. Também controla rigorosamente a habilitação dos frigoríficos estrangeiros.
A União Europeia avançou no acordo com o Mercosul, mas preservou cotas, tarifas, exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Para a carne bovina, foi estabelecida uma cota de 99 mil toneladas destinada ao Mercosul, sujeita à tarifa de 7,5%.
Estados Unidos, China e Europa usam instrumentos diferentes, mas seguem a mesma regra: defendem seus mercados e seus produtores.
O Brasil precisa aprender a fazer o mesmo. A dependência de poucos compradores deixa o agro vulnerável às decisões políticas e comerciais tomadas no exterior.
A “picanha mais barata” pode chegar antes da eleição
A carne bovina ficou fora da nova tarifa norte-americana. Por isso, essa medida isoladamente não fará grandes volumes retornarem ao mercado brasileiro.
Mas, se China, Europa e outros compradores limitarem suas importações, parte da produção destinada ao exterior poderá permanecer no país. Com mais carne disponível internamente, os preços podem cair.
E então poderá aparecer, justamente perto da eleição, a famosa “picanha mais barata” prometida por Lula.
Se isso acontecer, é provável que a redução seja apresentada como vitória do governo. Mas será preciso perguntar por que a carne ficou mais barata.
Foi porque o Brasil cresceu, aumentou a produtividade e elevou a renda das famílias? Ou porque perdeu mercados e encontrou dificuldade para exportar?
Se for a segunda hipótese, a promessa terá sido cumprida pelo avesso.
A picanha poderá ficar momentaneamente mais acessível ao consumidor, mas não por prosperidade. Ficará mais barata porque estará faltando comprador no exterior — e a conta será paga pelo pecuarista, com redução de margens e menor capacidade de investir.
Preço baixo obtido pelo enfraquecimento do produtor também não se sustenta. Menos investimento hoje pode significar menor produção e preços mais altos amanhã.
A “picanha mais barata” não pode depender do prejuízo de quem produz nem ser transformada em propaganda eleitoral caso resulte da perda de espaço do Brasil no comércio mundial.
O Brasil precisa de estratégia
O Brasil é uma potência na produção de alimentos, mas permanece vulnerável pela falta de estratégia comercial.
Não basta produzir com qualidade. É preciso negociar, diversificar compradores, participar das decisões internacionais e defender o setor antes que as barreiras sejam impostas.
O país precisa de diplomacia profissional e de entidades representativas realmente presentes. O produtor rural não pode continuar sendo chamado apenas depois da crise nem pagando a conta da falta de diálogo do governo.
No final, duas perguntas permanecem:
A carne ficou mais barata porque o Brasil prosperou ou porque perdeu mercado?
E quem deveria representar o produtor estava, de fato, onde precisava estar?” (da Redação 20.7.26)

