07/08/2026

Lindbergh baixa tom e busca PL para falar de acusação contra vice de Flávio

Lindbergh baixa tom e busca PL para falar de acusação contra vice de Flávio

Lindbergh Farias (PT). Foto Kayo Magalhães Câmara dos Deputados

 

Por Caio Junqueira

 

Acusação do petista foi formalizada no dia 27 de março, após embate entre ele e Alfredo Gaspar na CPMI do INSS.

 

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), principal autor da denúncia de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio Bolsonaro, buscou na quarta-feira (5) o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) para tratar do assunto.

 

Lindbergh disse a Sóstenes que não pretendia explorar o assunto politicamente e que preparava uma nota pública sobre o caso.

 

"Eu disse ao Sóstenes que o que eu fiz foi motivado por uma denúncia e que agora cabe à Polícia Federal e ao STF. Eu já falei o que tinha que falar sobre isso. A minha nota vem nesse sentido. Vamos soltar a nota dizendo que a parte que cabia a mim eu fiz, que é encaminhar a denúncia quando ela chega", afirmou Lindbergh à CNN na noite de quarta-feira.

 

"Não vou ficar fazendo carga em cima disso. Não vou ficar em cima dele. Mas o fato é que cabe ao sistema judicial apurar", complementou.

 

Sóstenes confirmou a conversa com o petista à CNN, mas disse entender que Lindbergh buscava uma espécie de acordo de retratação no qual ele divulgaria a nota e Gaspar retiraria os processos contra ele.

 

"A hora em que foi Gaspar anunciado (vice de Flávio), ele (Lindbergh) me procurou e falou: 'Você me conhece. Conhece meu caráter. Eu não quero, por causa da minha cabeça, criar um erro ainda maior em atacar alguém de forma desonesta com a minha consciência."

 

E disse a Sóstenes: "Quero que você ligue para o Alfredo e diga que vou fazer uma pacificação com a imprensa como sinal de boa-fé'".

 

Sóstenes disse ainda que o petista lhe relatou que, quando acusou Gaspar de estuprador, foi municiado com informações do suposto crime por uma jornalista.

 

"Ela me disse que possuía apenas informações superficiais e que levou isso à Polícia Federal. E que depois, quando foi buscar as provas, a jornalista não apresentou nenhuma prova contra o Gaspar", complementou.

 

A nota pública chegou a ser redigida ontem, mas, segundo Sóstenes, não agradou Gaspar e, por isso, não teria sido divulgada.

 

Lindbergh disse à CNN que a nota não foi publicada porque ele estava em campanha por seis cidades no estado do Rio e não deu tempo de revisá-la. Ele nega que vá se retratar. “Não se trata de se retratar. Vou me retratar do quê? Recebi uma denúncia e a encaminhei. É minha obrigação fazer isso inclusive”, disse.

 

O caso

 

A acusação de Lindbergh foi formalizada no dia 27 de março, após embate entre ele e Gaspar na CPMI do INSS. Ela virou uma representação no STF (Supremo Tribunal Federal) e ficou sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

 

O ministro pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestasse, o que ainda não ocorreu. A CNN apurou que o último andamento dela na PGR foi um pedido de diligências.

 

Em reação, Gaspar promoveu, segundo seus advogados, as seguintes medidas:

 

  • Uma notícia-crime no STF contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke por coação no curso do processo e outra por calúnia e injúria;
  • Representação na PGR contra ambos por denunciação caluniosa;
  • Oficiou a Superintendência da Polícia Federal colocando-se à disposição para quaisquer fins;
  • Ação de indenização por danos morais contra os dois senadores e
  • Representação no Conselho de Ética contra os dois, além de uma ação cautelar antecipatória de prova, em que pediu que fosse coletado seu material genético.

 

O deputado conseguiu a liminar nessa ação, coletou seu material genético e pediu que ele seja comparado ao da criança vítima do suposto estupro (CNN, 6/8/26)