24/04/2026

Locomotiva do País: O produtor rural merece respeito – Por Rodrigo Simões

Locomotiva do País: O produtor rural merece respeito – Por Rodrigo Simões

Em período de pré-campanha, velhas pontes são revisitadas e novas narrativas ganham espaço. Nesta semana, declarações de Fernando Haddad ao CNN Agro, em nítida tentativa de aproximar o PT com o agronegócio, reacenderam debates no setor produtivo.

O tema vai além de uma entrevista. Envolve memória política, relação institucional e a importância de um dos segmentos mais estratégicos da economia brasileira.

A disputa pelo discurso

Ao faltar com a verdade, afirmando que o PT mantém histórico de diálogo com o agronegócio, Haddad tenta ocupar um espaço relevante no debate estadual.

O agro representa produção, exportação, emprego, tecnologia e influência política. Em qualquer eleição, ninguém ignora esse peso.

Memória também vota 

Parte do setor recebeu a declaração com reservas, lembrando episódios de tensão entre lideranças petistas e representantes do campo ao longo dos anos.

Na política, reposicionamento é legítimo. Mas exige coerência e credibilidade.

O agro é diverso

É importante lembrar que o agronegócio não é bloco único. Reúne grandes exportadores, cooperativas, médios produtores, agricultura familiar, tecnologia, logística e pequenos proprietários.

Generalizações costumam errar o alvo.

A fala de 2022

Durante entrevista ao Jornal Nacional, em 2022, Lula afirmou que parte do agronegócio era “fascista e direitista”, diferenciando esse grupo de empresários que, segundo ele, seriam responsáveis e comprometidos com preservação ambiental. A declaração gerou forte repercussão no setor.

Palavras têm peso. Principalmente quando saem de quem disputa o comando do país.

O episódio “ogronegócio”

Em maio de 2023, a então ministra Marina Silva utilizou a expressão “ogronegócio” ao criticar práticas associadas ao desmatamento durante audiência na Câmara. O termo também provocou reação de parlamentares e trabalhadores do setor.

Crítica pública faz parte da democracia. Desqualificação simbólica raramente ajuda no diálogo. Marina tentará o Senado pelo Estado de São Paulo. O povo paulista não esqueceu esse episódio.

Campo não é inimigo

O produtor rural convive com desafios concretos: crédito, clima, logística, custo de insumos, segurança jurídica e mercado internacional.

Quem trata o setor apenas como peça ideológica costuma ignorar a realidade de quem produz.

MST E Agro: Papéis distintos

Movimentos sociais ligados à reforma agrária e o agronegócio tradicional têm naturezas, objetivos e estruturas diferentes.

Misturar os dois em conveniência eleitoral simplifica um debate complexo que exige seriedade, dados e respeito institucional.

O peso do agro para o Brasil

O agronegócio segue entre os motores da economia brasileira, com forte participação nas exportações, geração de divisas, empregos e abastecimento interno.

Também é peça relevante na segurança alimentar global e no avanço tecnológico no campo.

O recado da semana

Em ano pré-eleitoral, muitos tentarão reescrever relações antigas.

Mas setores organizados, como o agro, costumam avaliar menos o discurso do momento e mais o histórico das atitudes (Rodrigo Simões, Jornalista • Administrador de Empresas, Pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP, 2× Vereador por Ribeirão Preto • Presidente da Câmara (2017), Ex-Presidente da FUNTEC, Colunista – BrasilAgro, Apresentador do Podcast Clube do Povo; 24/4/26)