Locomotiva do País: O produtor rural merece respeito – Por Rodrigo Simões
Em período de pré-campanha, velhas pontes são revisitadas e novas narrativas ganham espaço. Nesta semana, declarações de Fernando Haddad ao CNN Agro, em nítida tentativa de aproximar o PT com o agronegócio, reacenderam debates no setor produtivo.
O tema vai além de uma entrevista. Envolve memória política, relação institucional e a importância de um dos segmentos mais estratégicos da economia brasileira.
A disputa pelo discurso
Ao faltar com a verdade, afirmando que o PT mantém histórico de diálogo com o agronegócio, Haddad tenta ocupar um espaço relevante no debate estadual.
O agro representa produção, exportação, emprego, tecnologia e influência política. Em qualquer eleição, ninguém ignora esse peso.
Memória também vota
Parte do setor recebeu a declaração com reservas, lembrando episódios de tensão entre lideranças petistas e representantes do campo ao longo dos anos.
Na política, reposicionamento é legítimo. Mas exige coerência e credibilidade.
O agro é diverso
É importante lembrar que o agronegócio não é bloco único. Reúne grandes exportadores, cooperativas, médios produtores, agricultura familiar, tecnologia, logística e pequenos proprietários.
Generalizações costumam errar o alvo.
A fala de 2022
Durante entrevista ao Jornal Nacional, em 2022, Lula afirmou que parte do agronegócio era “fascista e direitista”, diferenciando esse grupo de empresários que, segundo ele, seriam responsáveis e comprometidos com preservação ambiental. A declaração gerou forte repercussão no setor.
Palavras têm peso. Principalmente quando saem de quem disputa o comando do país.
O episódio “ogronegócio”
Em maio de 2023, a então ministra Marina Silva utilizou a expressão “ogronegócio” ao criticar práticas associadas ao desmatamento durante audiência na Câmara. O termo também provocou reação de parlamentares e trabalhadores do setor.
Crítica pública faz parte da democracia. Desqualificação simbólica raramente ajuda no diálogo. Marina tentará o Senado pelo Estado de São Paulo. O povo paulista não esqueceu esse episódio.
Campo não é inimigo
O produtor rural convive com desafios concretos: crédito, clima, logística, custo de insumos, segurança jurídica e mercado internacional.
Quem trata o setor apenas como peça ideológica costuma ignorar a realidade de quem produz.
MST E Agro: Papéis distintos
Movimentos sociais ligados à reforma agrária e o agronegócio tradicional têm naturezas, objetivos e estruturas diferentes.
Misturar os dois em conveniência eleitoral simplifica um debate complexo que exige seriedade, dados e respeito institucional.
O peso do agro para o Brasil
O agronegócio segue entre os motores da economia brasileira, com forte participação nas exportações, geração de divisas, empregos e abastecimento interno.
Também é peça relevante na segurança alimentar global e no avanço tecnológico no campo.
O recado da semana
Em ano pré-eleitoral, muitos tentarão reescrever relações antigas.
Mas setores organizados, como o agro, costumam avaliar menos o discurso do momento e mais o histórico das atitudes (Rodrigo Simões, Jornalista • Administrador de Empresas, Pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP, 2× Vereador por Ribeirão Preto • Presidente da Câmara (2017), Ex-Presidente da FUNTEC, Colunista – BrasilAgro, Apresentador do Podcast Clube do Povo; 24/4/26)

