Lucro do BTG salta 42% para R$ 4,8 bi com expansão do crédito e de gestora
- Incorporação do Pan e emissão de dívidas corporativas também impulsionam resultado
- ROAE atinge 26,6%, alta anual de 3,4 pontos percentuais
O resultado do BTG Pactual acelerou com o forte crescimento da carteira de crédito e das áreas de gestão de ativos e de patrimônio.
O banco de André Esteves teve um lucro ajustado de R$ 4,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 42% em relação ao mesmo período do ano passado e de 4,3% ante o trimestre anterior. Segundo o balanço divulgado nesta segunda-feira (11), o resultado é recorde.
O lucro veio acima da estimativa de R$ 4,6 bilhões de analistas consultados pela Bloomberg. No entanto, os papéis do banco têm forte queda na Bolsa de Valores. Por volta das 15h15, eles cediam 2,83%, a R$ 56,99 cada um.
Analistas do UBS BB pontuaram que o aumento na receita ficou concentrada em crédito ao consumidor (vindo Pan), crédito corporativo e gestão de patrimônio. "Por outro lado, as receitas de banco de investimento, trading e gestão de ativos registraram contração sequencial", escreveram os analistas.
A área de Trading tece recuo trimestral de 6,6%, somando R$ 1,88 bilhão, mas teve crescimento expressivo de 43% no ano.
"A acomodação reflete principalmente maior volatilidade nos mercados e menor número de dias úteis, parcialmente compensados pela manutenção de uma atividade robusta de clientes e pela gestão de risco", diz relatório do Banco do Brasil.
O ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio), que mede a lucratividade de bancos, foi de 26,6%, alta anual de 3,4 pontos percentuais, mas queda de 1 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025.
"Entregamos mais um trimestre de resultados recordes, mesmo diante de um cenário mais desafiador ao longo do período, marcado por maior volatilidade nos mercados e tensões geopolíticas", afirma Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, na divulgação dos números.
A receita da instituição somou R$ 10 bilhões no período, já considerando a consolidação do Banco Pan, alta de 34,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já a carteira de crédito total alcançou R$ 355 bilhões, crescimento anual de 24% e trimestral de 8,5%, impulsionada por empréstimos a grandes empresas, que alcançaram receita recorde de R$ 2,3 bilhões no trimestre, alta de 20,7% na comparação anual.
Considerando o Pan, os empréstimos a pessoa física chegaram a R$ 73,6 bilhões, aumento de 14,1% no trimestre, impulsionado principalmente pelo crédito consignado e financiamento de veículos.
"Mantivemos o foco em qualidade e disciplina na originação, apoiados por uma base de funding estável e bem diversificada. Esse desempenho reflete a força da nossa marca e a confiança fiduciária dos nossos clientes, mesmo em um ambiente de mercado mais incerto", disse o banco.
Outro destaque foi o braço de assessoria a emissões de ativos e captações no mercado a grandes empresas, cuja receita saltou 65% para de R$ 628 milhões no início do ano, puxada pelas dívidas corporativas. No trimestre, o BTG Pactual coordenou a emissão de R$ 4 bilhões em debêntures verdes da Neoenergia e o CRA verde de R$ 750 milhões da Caramuru.
Já a área da gestora atingiu R$ 1,31 trilhão em ativos sob gestão e administração, crescimento anual de 28,1%, impulsionado pela captação líquida de R$ 47,9 bilhões. As receitas, por sua vez, somaram R$ 783,4 milhões no período, alta de 6,5% na comparação anual.
A gestão de patrimônio e fortunas teve receita recorde de R$ 1,5 bilhão no trimestre, alta de 44,6% em relação ao ano anterior, impulsionada pelo maior nível de atividade de clientes. A captação líquida totalizou R$ 34,9 bilhões, encerrando março com um total de ativos de R$ 1,28 trilhão.
O banco também sinalizou otimismo com a retomada das ofertas de ações, após um mês de março considerado "muito fraco". Embora a diretoria preveja que o segundo trimestre de 2026 ainda seja um período de baixa, a expectativa é de uma recuperação a partir do terceiro trimestre do ano. O BTG coordenou, neste período, o IPO (Oferta Pública Inicial, em inglês) da Compass —o primeiro na bolsa brasileira em cinco anos— e integra o consórcio de bancos que assessora a megaoferta da SpaceX, de Elon Musk, nos EUA.
"Esperamos que este IPO [da Compass] abra uma janela para novas empresas acessarem o mercado", disse Renato Cohn, diretor financeiro do BTG Pactual, a jornalistas.
RAIO-X | BTG PACTUAL NO 1º TRI DE 2026
- Lucro: R$ 4,8 bilhões
- Rentabilidade (ROAE): 26,6%
- Funcionários: 12 mil
- Concorrentes: XP, Santander, Itaú, Bradesco (Folham 12/5/26)

