20/09/2026

Lula atravessou a praça dos Três Poderes para entrar na crise do STF

Lula atravessou a praça dos Três Poderes para entrar na crise do STF

Lula atravessou a praça dos Três Poderes para entrar na crise do STF - IA ChatGPT

Por Elio Gaspari

 

Desde o início da crise do Supremo, sabe-se que o governo de Lula 3.0 não tem nada a ver com ela. Nenhum titular de cargo bicou nos favores de Vorcaro. Era a crise dos sonhos do palácio.

 

Faltou combinar com Lula. A troco de nada, durante uma entrevista banal, tomou o partido do ministro Alexandre de Moraes. Acusou Flávio Bolsonaro de "ter bronca" do ministro porque ele mandou prender seu pai.

 

Atravessou a praça dos Três Poderes para escorregar no cocô do cachorro do bandido.

 

Rivotril

 

O reajuste do Bolsa Família às vésperas do primeiro turno ganhou um apelido: Rivotril. Afinal, Lula tem 53% das preferências entre os beneficiários do programa. Flávio Bolsonaro tem surpreendentes 28%.

 

Jogatina

 

Com a eleição chegando e Flávio Bolsonaro encostando nas pesquisas, Lula promete acabar com os cassinos online, aqueles nos quais se pode apostar a partir do celular.

 

Ótima ideia, mas para prevenir desastres futuros, caso ele seja reeleito, poderia organizar um seminário para investigar como e por que o seu governo instalou a jogatina em Pindorama.

 

O objetivo era fazer caixa, nada mais.

 

A proibição desses cassinos deveria ser anunciada em rede nacional pelo doutor Fernando Haddad. Afinal, ele é um dos pais da ideia.

 

Faxina do STF poderá acontecer após eleição para o Senado

 

Há forte possibilidade de se formar uma maioria de 54 senadores capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo. Se depender do próprio tribunal, ele nunca fará isso.

 Lula atravessou a praça dos Três Poderes para entrar na crise do STF

Tomara que a eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso porque a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades. Novidade mesmo, só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se formar uma maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo Tribunal.

 

Se depender do próprio tribunal, ele nunca fará isso.

 

Os candidatos ao impedimento são pelo menos dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.

 

A tarefa dos doutores parece ser a de criar tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do Senado.

 

Cuidado com Fux

 

Com a civilidade do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório excelso. Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux mostra o clima:

 

Gilmar: "Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional. Espero que não (sic) se repita".

 

Fux: "Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim como agir".

 

Gilmar: "Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma".

 

Fux: "Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!".

 

Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem uma graduação superior à faixa preta de jiu-jitsu. Como o decano do Supremo é um mestre da retórica do atrevimento, convém cuidar-se.

 

Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.

 

Vaidade masculina

 

Com o Supremo Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas das excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um em cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720 mil) e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).

 

Todos feitos para quem anda em carro oficial, porém com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros de calçada.

Misógino, o pretório excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.

 

Na prática, os doutores redesenharam as togas e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase carnavalesco.

 

Quando um curioso perguntou à ministra Cármen Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu: “Você está me estranhando?” - (Folha, 20/9/26)