Lula cancela ida a posse de Kast no Chile após Flávio confirmar presença

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- Presença do presidente foi requisitada pelo líder eleito após encontro amistoso no Panamá, em janeiro
- Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, vai representar o governo brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou a viagem que faria para a posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, marcada para esta quarta-feira (11). O recuo ocorre um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmar a presença no evento.
A informação foi revelada pelo G1 e confirmada pela Folha por pessoas ligadas ao presidente. A agenda de Lula, divulgada diariamente, não havia sido publicada até por volta das 13h, quando foi confirmado o cancelamento da viagem. Já a equipe do senador Flávio Bolsonaro confirmou que o político irá ao Chile. Ele deve chegar ao país na tarde desta terça-feira (10).
Os motivos para a mudança de planos ainda não foram esclarecidos pelo governo brasileiro, que segue sem manifestação oficial. Na manhã desta terça, Lula recebeu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, uma reunião de despachos que já estava prevista antes do cancelamento da viagem.
O ministro foi designado para representar o governo brasileiro no evento.
A previsão era de que Lula fosse ao Chile nesta terça para comparecer à posse e a demais compromissos oficiais na quarta.
A agenda previa um encontro bilateral na manhã desta quarta-feira entre Lula e Kast no Palácio Presidencial Cerro Castillo, em Viña del Mar. Em seguida, Lula iria participar da cerimônia de posse no Congresso Nacional chileno, em Valparaíso.
Entre os temas previstos estavam discussões sobre comércio exterior, investimentos e turismo. O Brasil também é um dos países que apoiam a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas.
A presença do brasileiro seria uma nova sinalização de que a relação com o líder da direita chilena seria pragmática e contrastaria com os atritos com Javier Milei, da Argentina, posse na qual Lula não compareceu, em dezembro de 2023.
Kast é visto como o político mais à direita a comandar o Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-90). Com sua posse, o país encerra um período de quatro anos da liderança esquerdista de Gabriel Boric, aliado de Lula na região.
Além da questão diplomática, Chile e Brasil têm interesses em comum como o fluxo de turistas entre os dois países, a rota bioceânica do país andino e o setor aéreo, entre outros.
A presença de Lula foi requisitada mais de uma vez pelo líder chileno, que se encontrou com Lula na última passagem dos dois pelo Panamá, no fim de janeiro deste ano. Em conversa de mais de uma hora, ambos haviam reiterado a importância de manter e aprofundar as relações bilaterais, com ênfase na ampliação da colaboração mútua em áreas como infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo.
Como mostrou a Folha, Lula saiu satisfeito do encontro, segundo pessoas a par da conversa. Na ocasião, ambos os líderes reconheceram representar correntes ideológicas distintas, mas defenderam que o relacionamento bilateral seja marcado por pragmatismo.
Esta não é a primeira posse de um líder latino de direita a qual Lula não comparece. Antes, o presidente brasileiro não foi ao evento em La Paz (Bolívia) que marcou início do mandato de Rodrigo Paz, candidato que pôs fim ao domínio da esquerda no país vizinho. Na ocasião, o Brasil foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Lula chegou a participar da cerimônia de posse de Santiago Peña, presidente de direita do Paraguai (Folha, 11/3/26)

