Lula cede à baderna e paralisa projetos de infraestrutura – Editorial Folha
Indígenas ocupam parte interna da Cargill, em Santarém (PA) - Gabriel Lobato Divulgação
- Após invasão de propriedade por indígenas contrários a estudos de hidrovias, governo anula decreto
- Demandas devem ser canalizadas pelas vias democráticas, e não por meio da depredação de ativos essenciais ao agronegócio
A recente anulação do decreto presidencial 12.600/2025, que previa estudos para a concessão de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, é um exemplo pedagógico e inaceitável de como a conveniência política de curto prazo pode sabotar o planejamento estratégico do país.
Ao interromper um processo que visava tão somente a análise técnica de viabilidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não apenas trava a necessária modernização logística, mas sinaliza que a truculência é um método de negociação aceitável no Brasil contemporâneo.
As hidrovias são fundamentais para o escoamento da safra e de minérios, representando uma alternativa de transporte mais eficiente e com menor emissão de carbono. É um contrassenso que o Palácio do Planalto tenha desistido de obter dados técnicos independentes antes mesmo de qualquer obra ser licitada.
O decreto não era um salvo-conduto para a degradação, mas o ponto de partida para entender como conciliar desenvolvimento e preservação na região.
O que determinou a paralisia do projeto não foi o debate de ideias, mas a coerção exercida por movimentos indígenas.
Sob a liderança do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns, o que se viu foram táticas deliberadamente hostis: o bloqueio de acessos portuários evoluiu para a invasão do terminal da Cargill, em Santarém, paralisando operações privadas legítimas.
O grupo não se limitou ao Pará, promovendo ameaças e vandalismo contra a sede da empresa em São Paulo e a interceptação de uma balsa carregada de grãos. O desprezo pelo Estado de Direito culminou na decisão de desconsiderar uma ordem judicial de desocupação, optando por invadir as áreas internas da companhia para elevar ainda mais a tensão.
A tentativa do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) de classificar a capitulação como "escuta ativa" é um acinte que não resiste aos fatos. Em um ano eleitoral, Lula parece mais preocupado em blindar sua imagem junto a setores radicais de sua base, como o simpatizante PSOL de Boulos, do que em garantir a segurança jurídica para atrair investimentos.
O receio de criar desgastes com movimentos sociais em um momento de articulação política levou o governo a aceitar uma chantagem explícita.
É legítimo que comunidades tradicionais exijam consultas prévias e manifestem preocupações com a segurança alimentar e o ecossistema. Contudo tais demandas devem ser canalizadas pelas vias democráticas, e não por meio de ameaça a ativos essenciais ao agronegócio.
Ao ceder à baderna, Lula cria um precedente inaceitável: o de que, para derrubar uma política de Estado, basta atropelar a lei e a propriedade privada. O resultado será um país com infraestrutura precária e instituições fragilizadas pela força bruta sancionada pelo presidente da República (Folha, 26/2/26)

