Lula empurra o agro para sua pior crise na história – Por Ronaldo Knack
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“Ladrão e corrupto”, segundo Milei; Para produtores rurais “insano, traidor e entreguista! - Imagem Reprodução Redes Sociais
Por Ronaldo Knack
“A principal diferença é que a agricultura é apenas o cultivo da terra, enquanto o agronegócio é um sistema econômico completo que inclui a agricultura, a pecuária, as indústrias de máquinas e fertilizantes, e o transporte dos produtos.
Agricultura
- Foco no plantio: É a atividade de arar a terra, plantar e colher vegetais, grãos e frutas.
- Dentro da porteira: Acontece unicamente na fazenda ou no sítio.
- Etapa isolada: É apenas a parte da produção de matéria-prima.
Agro (Agronegócio)
- Visão ampla: É toda a cadeia de comércio e indústria ligada ao campo.
- Antes da porteira: Fábricas de tratores, sementes, rações e adubos.
- Depois da porteira: Frigoríficos, supermercados, exportação e lojas que vendem o produto final” – IA Google
Ao se lançar para disputar seu 4º mandato durante a convenção do PT no último domingo “no ocaso de um governo sem marca, Luiz Inácio falou demais (62 minutos) e disse pouco”, segundo avaliação do jornalista Elio Gaspari. Anunciou cinco compromissos: "Resolver definitivamente o papel da educação; criar um programa para idosos; fortalecer a indústria militar; manter a riqueza das terras raras para os brasileiros e programas para a transição energética”.
Segundo editorial da revista The Economist publicado em dezembro de 2025, Lula que completaria 85 anos ao final de um eventual 4º mandato deveria saber que carisma político não serve como escudo contra o declínio cognitivo. O debate sobre sua capacidade cognitiva e idade avançada é frequente no meio político e na imprensa.
Na mesma convenção, Luiz Inácio declarou em seu discurso que não pretende adotar o estilo “paz e amor” em um eventual quarto mandato, afirmando: “Eu não quero o Lulinha paz e amor. Eu quero o Lulinha porreta!” Vale lembrar que porreta é uma gíria popular brasileira que significa algo ou alguém excelente, legal, incrível e simpático. A bem da verdade e, convenhamos, ele não tem demonstrado nenhuma destas qualidades. Ao contrário!
Agronegócio do Brasil
O agro tem sido vítima de uma perseguição inclemente, discricionária e vexatória apesar de gerar 28,4 milhões de empregos (26,3% do total nacional o que representa 1 em cada 4 postos de trabalho no Brasil), responder por 25,13% do PIB do país e sustentar a balança comercial com superávits recordes superiores a US$ 81 bilhões.
Como “anão diplomático” e “egocêntrico” Luiz Inácio tem sido o único responsável pelo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos e da proibição de exportação de carnes a partir de setembro para a União Europeia, medidas que atingem em cheio a produção do agro brasileiro. Ele criticou publicamente o presidente Donald Trump em pelo menos 35 ocasiões recentes em um intervalo de nove meses, somando 42 críticas apenas no primeiro semestre de 2026. No total do atual mandato, as menções negativas de Lula chegam a pelo menos 62 vezes.
As taxas de juros abusivos, incluindo as do Plano Safra, têm inviabilizado qualquer tipo de investimento por parte dos produtores rurais. Isto somado aos mercados que se fecharam para nossas exportações do agro (EUA, União Europeia e também a exportação de carnes para a China com o anúncio de cotas), criaram por culpa de Luiz Inácio a maior crise já enfrentada na história do agro brasileiro.
Analistas do setor são unânimes em afirmar que o equilíbrio só pode ocorrer se houver mudanças nas eleições de outubro. E, para piorar, mesmo com mudanças, os produtores rurais levarão décadas para recuperarem as perdas que vem se acumulando desde o início do mandato do atual presidente.
Além de responsável pelas dificuldades impostas pelos EUA e UE, Luiz Inácio escancara a entrada de tratores e implementos agrícolas da China pressionando fortemente a indústria nacional de máquinas agrícolas. Marcas asiáticas já respondem por 67% das importações, com preços até 40% menores que os tradicionais.
Custo Brasil
Devido ao alto “custo Brasil” (Conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, tributárias e econômicas que torna mais caro e complexo produzir, investir e fazer negócios no país em comparação com outras nações) os equipamentos chegam ao Brasil com custo de produção até 27% menor devido à escala industrial, aço e mão de obra mais baratos na China. Marcas como YTO anunciaram fábricas em Caruaru (PE) e a XCMG opera estrutura financeira no país. Além de tratores, marcas como Zoomlion, Lovol e Boshiran avançam sobre colheitadeiras de grãos e algodão.
“Não estamos mais falando de um movimento tímido de importação. Estamos falando de fábrica anunciada, banco próprio operando e rede de distribuição em expansão acelerada. É uma ofensiva industrial completa, e o setor nacional precisa reagir com a mesma velocidade”, afirma Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio. Um levantamento inédito da consultoria mostrou que entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores — 14.985 unidades, das quais 67% vieram da China.
Para a Cogo, a concorrência chinesa representa um dos maiores desafios enfrentados pela indústria brasileira de máquinas agrícolas nos últimos anos.
A própria Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já classificou o avanço das fabricantes chinesas como um desafio maior do que as tarifas impostas pelos Estados Unidos, em declaração feita à imprensa em julho.
O agro é o epicentro do ciclo de insolvência no Brasil
Segundo reportagem publicada no Globo Rural (4) “o quadro de endividamento de produtores e empresas do agro continua piorando no Brasil e tudo indica que vai se agravar em 2027. A conclusão é do mais recente “Monitor RGF-Bizdoc”, levantamento feito pelas consultorias RGF e Bizdoc, de reestruturação organizacional, que acompanha a evolução das recuperações judiciais no país.
De acordo com o documento, o agro é “o epicentro do ciclo de insolvência” no Brasil, com 1.263 CNPJs de agricultores em recuperação judicial ao fim do primeiro semestre deste ano. O número é 21,4% maior que o registrado no encerramento de 2025 e 66% superior ao “estoque” de recuperações judiciais no setor no fim do primeiro semestre do ano passado. Também é muito superior ao estoque de 539 recuperações reportadas no levantamento do primeiro trimestre, pois passou a incluir os microempreendedores rurais.
Na chamada “porteira para dentro”, ou seja, das fazendas, a cadeia da soja é a que registra mais casos. Eram 589 produtores em recuperação judicial ao fim do primeiro semestre, pouco menos da metade do total, 26,7% acima do fim de 2025 e quase o dobro de um ano antes. Só no primeiro semestre, 124 sojicultores entraram em recuperação, após duas safras vendidas abaixo do custo, dívidas acumuladas e ausência de lucro no ciclo 2025/26 para amortizar débitos, segundo Damasceno.
Acréscimos atingem todas as cadeias produtivas
Mas o levantamento identificou acréscimos em praticamente todas as cadeias produtivas. Foram 19 recuperações judiciais no semestre na pecuária de corte, segunda cadeia do ranking do setor. Entre as que registraram maior crescimento de recuperações judiciais no primeiro semestre, destacam-se a de arroz (+53,8% em relação a dezembro de 2025), milho (+45,2%) e café (+44,4%). No período, as recuperações judiciais de produtores de leite aumentou 257%, para 50.”
Em seu Blog na CNN Brasil, a jornalista Fernanda Pressinott comenta os resultados do mesmo estudo afirmando que “o aumento das recuperações judiciais no agro contamina toda a cadeia. Levantamento indica que o aumento das recuperações judiciais entre produtores começa a pressionar fornecedores, fabricantes e prestadores de serviços, reforçando o efeito cascata da crise sobre o agro.
Quando um produtor rural entra em recuperação judicial, o impacto não fica restrito à fazenda. Ele costuma percorrer lentamente toda a cadeia do agronegócio, atingindo fornecedores de insumos, fabricantes de máquinas, transportadoras, cerealistas e até instituições financeiras. Se, nos últimos dois anos, o foco da crise esteve dentro da porteira, agora os primeiros sinais de contaminação aparecem fora dela.
Usinas e destilarias
O número de atacadistas de máquinas agrícolas em recuperação cresceu 88,9% em um ano. Nas revendas de defensivos e fertilizantes, o avanço foi de 32,4%. Entre os atacadistas de matérias-primas agrícolas, a alta chegou a 64,7%. Nos laticínios, o crescimento foi de 21,2%. Outro segmento merece atenção especial: o sucroenergético. Embora a soja concentre o maior número absoluto de recuperações judiciais, usinas e destilarias continuam registrando as maiores incidências proporcionais de insolvência de toda a base analisada.
O estudo também sugere que a próxima etapa da crise pode aparecer em setores que sequer fazem parte formalmente da cadeia analisada, como o transporte rodoviário de cargas. Se a renda do produtor continua pressionada, menos cargas são transportadas, menos máquinas são vendidas e menos crédito circula. Isso quer dizer que a recuperação judicial não é um problema do produtor rural, é um termômetro antecipado da saúde financeira de toda a economia do agro.”
Inadimplência no crédito rural
Segundo reportagem publicada no Globo Rural (5) “Os níveis de inadimplência do crédito rural no sistema financeiro ficaram em 7,5% entre as pessoas físicas e em 0,8% entre as empresas do agro em junho. No primeiro caso, houve ligeira queda em relação a maio, quando o indicador foi de 7,6%. No segundo, estabilidade. Especialistas, porém, ainda não consideram haver melhora no cenário de endividamento do campo e acreditam na manutenção desses percentuais em patamares altos até o próximo ano.
Os índices de inadimplência registrados em junho de 2026 representam avanços de 0,9 ponto percentual e 0,2 ponto percentual, para pessoas físicas e jurídicas, respectivamente, neste ano. Em 12 meses, o incremento é ainda mais expressivo. Os dados consideram operações de crédito rural com recursos direcionados dos depósitos à vista e da poupança rural.
A inadimplência dos produtores rurais pessoas físicas nas instituições financeiras estava em 0,8% em junho de 2023. Em três safras, o índice cresceu mais de nove vezes. Passou para 1,6% na metade de 2024, para 3,5% em 2025 e para 7,5% agora. O pico foi em fevereiro de 2026, quando chegou a 7,7%, segundo dados do Banco Central.
Desde o recorde de 7,7% em fevereiro deste ano, a inadimplência entre produtores pessoas físicas oscilou para 7,2% em março, 7,5% em abril e 7,6% em maio. O percentual de operações inadimplentes é mais equilibrado entre as pessoas jurídicas. Há três anos, estava em 0,4% e dobrou no período. O pico, perto de 6%, foi entre junho de 2019 e outubro de 2020. De janeiro a março deste ano ficou em 0,7% e desde abril está em 0,8%.
Para David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna e especialista em crédito para o agronegócio, a inadimplência se mantém alta devido à baixa rentabilidade dos produtores e aos juros altos. Ele acredita na estabilização desses percentuais devido à diminuição da alavancagem no campo, com possível redução dos níveis a partir do próximo ano.
“A expectativa é de redução dos níveis de inadimplência a partir de 2027 até 2030, com melhora na rentabilidade e equilíbrio sobre os investimentos”, afirmou ao Valor. Ele disse que o cenário vai impactar a aquisição de insumos na safra 2026/27 e resultar em uma provável redução de área plantada, mesmo com o acesso dos produtores a financiamentos junto a distribuidores e via mercado de capitais.
O saldo “problemático” da carteira ativa de crédito rural ficou em R$ 197,1 bilhões em junho, próximo de 22,5% do total. São R$ 20,9 bilhões em operações atrasadas, R$ 31,6 bilhões em prorrogadas, R$ 106,4 bilhões em financiamentos renegociados ou R$ 38,1 bilhões inadimplentes. Outros R$ 681,8 bilhões de financiamentos estão em curso normal. Em maio, o saldo problemático de R$ 202,4 bilhões, sobre uma base sem problemas também mais alta, de R$ 688,3 bilhões.
O saldo total da carteira ativa de crédito rural saiu de R$ 890,6 bilhões em maio para R$ 897 bilhões em junho de 2026.”
A crise que Lula, o “porreta”, impõe ao agro e ao Brasil



Imagens Reprodução Redes Sociais
(Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; 7/8/26)

