Lula não seria nada sem seus devotos
“No clássico “A Arte da Guerra”, o general chinês Sun Tzu ensina que a vitória suprema não exige o combate, ela se alcança por estratégia, influência e antecipação. Trazendo para o cenário real, onde as batalhas se travam com sanções e diplomacia, o Brasil se vê em uma guerra silenciosa que ameaça seu setor mais vital, o agronegócio.
A recente aplicação da Lei Magnitsky Global a um dos ministros do Supremo Tribunal Federal transcende a esfera jurídica e acende alertas diplomáticos e comerciais. Trata-se de uso da legislação como instrumento de pressão geopolítica, sinalizando que as relações entre o Brasil e outras democracias estão sob tensão crescente.
É preciso menos ideologia e mais estratégia. O agro precisa de estabilidade, acesso a mercados, respeito a tratados e previsibilidade institucional. A guerra já está em curso, mas não é com armas, e sim com reputação, alianças e visão de longo prazo.
E como ensinou Sun Tzu: “Na guerra, o importante não é vencer todas as batalhas, mas saber quais batalhas devem ser evitadas. Evitar o isolamento diplomático é, neste momento, a batalha que o Brasil precisa vencer sem lutar” - Bruna Forte, Farmnews

Por Paulo Junqueira

Petistas em apuros: Ministros de Lula são vaiados ao representá-lo na 48ª Expointer, em Esteio no Rio Grande do Sul. Foto Reprodução Divulgação
Ao participarem nesta última 6ª feira (5) na tradicional Expointer, uma das maiores feiras agrícolas e pecuárias do mundo, os ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e Carlos Fávaro (Agricultura) tiveram uma recepção digna da incompetência e irrelevância que têm sido as marcas dos 38 ministérios do governo Lula.
Ambos foram recebidos com vaias e com coroas fúnebres, não porque eles foram as figuras principais do escândalo que tentou importar arroz durante o incidente climático do ano passado no Rio Grande do Sul, o que ampliaria o prejuízo imposto aos gaúchos já que o Estado é maior produtor de arroz do País e naquela oportunidade os armazéns que guardavam a produção não foram atingidos pelas chuvas e cheias dos rios.
Até na manhã da 6ª feira passada, o ministro da Agricultura Carlos Fávaro mantinha sua agenda no Acre, depois de cancelar sua ida à Expointer. Mas, Lula exigiu que ele o representasse no evento e deu no que deu. As vaias também foram direcionadas a Eduardo Leite, um dos poucos governadores que se manifesta contrário ao movimento nacional da anistia que a cada dia se fortalece mais.
Plano Safra 2025/26
Circula na internet um vídeo com informações surpreendentes sobre a ineficácia do Plano Safra 2025/26. Talvez isto pode ter contribuído para as vaias da última 6ª feira no Sul. O vídeo explica “Por que o produtor rural não consegue financiamento oficial do governo” e traz como resposta “O Plano Safra é forte no anúncio, mas fraco na execução”.
Os números não deixam dúvida: em julho o crédito rural caiu 22% em relação ao mesmo mês do ano passado. De R$ 47 bilhões em 2024 despencou para R$ 37 bilhões em 2025.
O dado mais contundente está no investimento: uma queda de 75%. A paralisia no financiamento agropecuário é esta:
- Moderfrota: menos 96%
- Proirriga: menos 95%
- PCA, ou Programa para Construção e Ampliação de Armazéns: menos 92%
Desnecessário comentar aqui que estes programas são vitais para quem produz e, principalmente, para quem quer produzir mais e melhor. Na prática o crédito para máquinas e modernização simplesmente desapareceu e não para por aí.
Senão, vejamos: o custeio, linha mestra para plantar caiu 30%. O número de contratos saiu de 186 mil em julho do ano passado para 109 mil agora, retração de 41%.
O Pronaf, que atende a agricultura familiar perdeu quase a metade. O Pronamp, dos médios agricultores, recuou 33%.
O crédito rural está travado em diferentes regiões. A concessão de crédito no Centro-Oeste, um dos motores da produção do agro, caiu 46%. O Nordeste perdeu 53%.
A Cédula de Produtor Rural cresceu 4% em julho, que significa que o produtor rural está saindo do Plano Safra e está vindo para o mercado privado. Para resumir, fica claro que o Plano Safra 2025/26 começou forte no marketing mas se mostrou fraco na execução.
O agro agradece ao secretário Guilherme Piai, da Agricultura de SP
Enquanto ministros ligados a agricultura foram recebidos com hostilidade e vaias no Rio Grande do Sul provocadas pelo que deixaram de fazer ou fizeram mal, o secretário paulista da Agricultura Guilherme Piai que também preside o Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (CONSEAGRI), foi recebido com forte salvas de palmas na manifestação de ontem promovida em Ribeirão Preto, a Capital Brasileira do Agronegócio.

Manifestação em Ribeirão a favor da anistia ampla, geral e irrestrita. Foto Paula Sousa
E, de quebra, anunciou que estará a partir de hoje (8) mediando o embate que reúne os fornecedores de cana (Orplana) e os usineiros paulistas (Unica) no âmbito do Consecana - Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo.
E, mais: nesta próxima quarta-feira (10) se reúne com a secretária paulista do Meio Ambiente para tratar da “Implementação de Medidas de Prevenção, Preparação e Combate a Incêndios Florestais e Propriedades Rurais”. A iniciativa remete a George Bernard Shaw em sua peça “O Homem e o Super-homem”: “Aqueles que podem, fazem; aqueles que não podem, ensinam".
Brasil, a fábrica de alimentos do planeta
Excelente o quadro abaixo produzido pelo prof. Dr. Marcos Fava Neves e que é autoexplicativo:

Asneiras oficiais!
Lembrando que a palavra "asneira" vem de "asno". O termo é um derivado que significa "ato ou dito próprio de asno" ou uma "tolice", um "disparate", por associação ao animal, conhecido por ter pouca inteligência ou por agir de forma equivocada e sem sentido.
“Total falta de criatividade e plágio dos movimentos bolsonaristas lembrando a célebre frase do imortal Chacrinha: “Na comunicação nada se cria, tudo se copia": No 7 de Setembro governo recomenda verde e amarelo. Equipe de comunicação do Palácio do Planalto lançou uma campanha incentivando a população a vestir a camisa verde-amarela e a bandeira brasileira como símbolo”
“Ministério da Agricultura critica relatório do Plano Clima que ele mesmo elaborou. O Ministério da Agricultura endossou críticas a diretrizes do Plano Clima do governo Lula (PT), mas elas foram elaboradas com a participação da própria pasta comandada por Carlos Fávaro junto com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Pesca (Paulo Teixeira). Documentos obtidos pela Folha de S.Paulo apontam a concordância e a participação da equipe de Fávaro na construção deste plano e indicam que o gabinete dele só passou a pedir as alterações após entidades do agronegócio irem a público reclamar de pontos destas normas climáticas”
“Lula diz que Alckmin, Haddad e Mauro Vieira não conseguem interlocução com governo Trump. Presidente disse acreditar que relação entre Brasil e EUA voltará à normalidade, mas voltou a afirmar que tem encontrado resistência no diálogo com o país. Na verdade a tentativa de “terceirizar” os contatos com o presidente dos EUA Donald Trump fracassaram”
“Prejuízo dos Correios triplica e chega a R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025. No segundo trimestre, rombo saltou de R$ 553 milhões para R$ 2,64 bilhões”
“Faria Lima e fintechs são, ‘claramente’, vítimas do crime organizado, disse Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Ele afirmou que era esperado que o crime organizado fosse se adaptar às inovações do mercado financeiro. Galípolo e mais seis diretores do BC foram indicados pelo presidente Lula. A partir de 2026, todos os diretores do Banco Central terão sido nomeados por Lula”
“A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quinta-feira, 4, que a aprovação da anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado seria um “vexame internacional” (Paulo Junqueira é advogado e produtor rural. É também presidente do Sindicato e da Associação Rural de Ribeirão Preto e da Assovale – Associação Rural Vale do Rio Pardo; 8/9/25)

