Lula: Política anti-agro provocará queda brutal na produção da safra 26/27

Paulo Junqueira (Presidente Sindicato Rural de Ribeirão Preto), Tiago Jacintho (Presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente) e João Henrique de Souza Freitas (Vice-Presidente do Sindicato Rural e secretário da Agricultura de Araraquara) afirmam que o agro paulista e brasileiro já vive a maior crise da sua história. Fotos Divulgação
Líderes dos produtores rurais das três principais regiões do agronegócio paulista e brasileiro relatam as agruras e dificuldades que atravessam em decorrência da total omissão e falta de diálogo com o setor prevendo uma estimativa de redução na produção agrícola de até 30% na safra 2026/27. Eles confirmam que esta é a pior crise que o setor atravessa em toda a sua história e que provocará efeitos danosos e predatórios em todas as cadeias produtivas atingindo todos os setores da economia estadual e nacional.

Líderes dos produtores rurais paulistas creditam a inação e desgoverno de Lula como responsável pela maior crise do agro brasileiro. Foto Reprodução Blog Revista Veja
Paulo Junqueira, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto afirma que “o agro atravessa o seu pior momento. Falta de crédito, insegurança jurídica, falta de políticas públicas em apoio ao setor produtivo, aumento da carga tributária e fiscal, praticamente nada em relação a preço mínimo, arrocho de todos os lados, inadimplência e recuperações extra e judiciais batendo todos os recordes. Com certeza teremos um dos piores anos do setor”.
Já o presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente, Tiago Jacintho, com vivência de 35 anos no mercado do agro destaca que nunca viu uma crise como esta que atinge não apenas aos pequenos e médios produtores mas também aos grandes que estão deixando de produzir. “Pelos relatos que temos, podemos estimar que a queda de produção na safra 26/27 deve girar em torno de 20% a 30%, ou seja, queda de cerca de R$ 200 bilhões dos R$ 657,6 bilhões do PIB do agro paulista estimado em 2024.
João Henrique de Souza Freitas, vice-presidente do Sindicato Rural e secretário da Agricultura de Araraquara lembra que “no governo Bolsonaro, mesmo com a crise da Covid, o agro cresceu e cumpriu com importante participação socioeconômica do País, sendo um setor valorizado e respeitado, o que não ocorre com o atual governo que demonstra aversão e absoluto desrespeito aos produtores da principal atividade econômica do Brasil e é o grande responsável por empurrar o setor para a pior crise da sua história”.
Duas usinas foram fechadas na região de Ribeirão Preto
A desativação das usinas Santa Elisa em Sertãozinho e da Carolo em Pontal, ambas da região de Ribeirão Preto, além de provocarem a demissão de cerca de 3 mil trabalhadores com grande impacto social na região, não deixam de ser um sinal para a crise econômica que se instalou no governo Lula 3. “O fechamento destas unidades industriais deixou um grande rastro e prejuízos para fornecedores assim como afetou os serviços sociais e a arrecadação das prefeituras da região”, explica Paulo Junqueira.
Na região de Presidente Prudente, segundo relato de Tiago Jacintho, o setor pecuário se apresenta estável e os preços do boi gordo apresentam uma recuperação. “Os rebanhos foram reduzidos entre 10% a 15% e os produtores estão quebrados. O abate de vacas foi intenso o que indica que o setor enfrentará maiores dificuldades. Já a produção de grãos (soja, milho, feijão, girassol e algodão) está em franca queda e os produtores deixaram de aplicar insumos como o adubo, fertilizante e veneno nas suas lavouras”
Tiago Jacintho lembra que “quem pegou empréstimos na safra 25/26 não conseguiu pagá-los e passou a integrar a lista dos 117 milhões de brasileiros que têm débitos bancários. Obviamente que eles não terão nenhuma condição de fazer a safra 26/27. E quem ainda tem recursos financeiros, não plantará soja, por exemplo, que tem o preço da saca entre R$ 110,00 e 120,00 o que não paga sequer os juros dos empréstimos tomados. Os produtores estão inseguros e com medo”, acrescentou.
João Henrique de Souza Freitas que também é delegado do Sindicato Rural de Araraquara e delegado junto a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP, afirma que a entidade está deixando de realizar cursos através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. “Além do nosso e do Sindicato Rural de Ribeirão Preto, que foram sumariamente excluídos dos repasses para cursos de formação e requalificação profissional por decisão unilateral e discriminatória do presidente sub judice Tirso Meirelles, temos relatos de outros municípios onde os cursos foram cancelados”.
Futuro incerto

Tirso Meirelles, presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo Faesp/Senar-SP
Os três líderes dos produtores dos principais cinturões de produção agrícola e pecuária paulista são unânimes em afirmar que qualquer medida que possa reverter a inação e o desgoverno federal que aí está levará tempo para produzir resultados. “Além do desastre provocado pelo governo Lula, aqui em São Paulo temos que conviver com a “Dinastia Meireles”, que há 50 anos comanda a Faesp/Senar-SP e onde o pai, depois de 48 anos na presidência da entidade tenta manter o filho como presidente sub judice, lembrando que ele teve sua eleição e posse anulados pelo Tribunal Regional do Trabalho – TRT2”.
Tiago Jacintho lamenta que o governo Lula nunca se dispôs a dialogar com os produtores rurais. “Nunca fomos procurados e sempre fomos discriminados. As eleições de outubro podem ser o início de um novo e promissor ciclo virtuoso para o nosso setor e para o País mas vale lembrar que hoje o STF se transformou em um partido político, onde podemos contar com apenas um ministro (André Mendonça). Este mesmo STF não deixou o presidente Bolsonaro governar e interferiu, até mesmo, nas eleições de 2022”.
João Henrique de Souza Freitas garante que o desânimo dos produtores rurais paulistas só não é maior porque o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem sido importante aliado do agro. “Desde o primeiro dia da sua posse, o governador mostra respeito e sensibilidade e junto com os seus secretários desenvolvem ações que contemplam e incentivam nossa atividade”.
Eleições
Para Paulo Junqueira as mudanças estruturais do Brasil passam, necessariamente, não apenas pelo fim do ciclo do PT no governo, mas também pela troca dos quadros políticos no âmbito do Congresso Nacional, dos governadores e deputados estaduais. “Estamos assistindo a chegada e a ascensão de novos quadros de jovens políticos que podem iniciar a mudança estrutural da política e do País. Temos que trocar o velho pelo novo em todas as esferas, lembrando que os tempos são outros e as novas tecnologias exigem um novo perfil de gestores que mantenham os valores como Deus, Pátria, Família e Liberdade”.
Paulo Junqueira acredita que os ex-ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente terão muita dificuldade em suas campanhas no interior paulista. “Não acredito que sejam hostilizados mas sentirão a revolta e a insatisfação dos paulistas com o governo que representavam e que não trouxe absolutamente nada para o povo brasileiro além destas crises artificiais que procuraram implementar”.
Tiago Jacintho reconhece que os ex-ministros de Lula devem ter problemas ao circular pelo interior paulista. “Se nos procurarem no Sindicato Rural de Presidente Prudente, vamos recebê-los com a condição que ouçam o que temos para falar e sabendo que terão de nossa parte o mesmo apoio que o governo Lula e eles como ministros nos deram, ou seja, nenhum”.
João Henrique de Souza Freitas afirma que, se procurado, colocará o Sindicato Rural de Araraquara a disposição dos ex-ministros para escutá-los. “Aqui terão as portas abertas, mas antes, terão que justificar porque Haddad foi considerado o pior prefeito de São Paulo e não conseguiu reeleger, porque Simone Tebet que é nascida em Três Lagoas no Mato Grosso do Sul não se candidata ao Senado pelo Estado e porque Marina Silva não se candidata ao Senado pelo seu estado natal o Acre (Da Redação, 15/4/26)
Inação e desgoverno segundo a IA Google

A frase "creditar a inação e desgoverno" refere-se à ação de atribuir a culpa, responsabilidade ou os efeitos negativos de uma situação à falta de atitude (inação) e à má gestão (desgoverno) por parte de autoridades ou governantes.
É uma expressão comum em contextos de análise política ou crítica social, utilizada para indicar que um cenário negativo é fruto da falta de ação e do caos administrativo, em vez de fatores externos ou naturais.
Inação: Refere-se à omissão, falta de resposta ou demora em tomar medidas necessárias, especialmente em situações de crise.
Desgoverno: Indica um cenário de desordem, desorganização administrativa ou falta de liderança eficaz.
Exemplos de uso incluem críticas à demora na implementação de medidas econômicas ou à falta de coordenação em políticas públicas.

