Lupion é favorito para assumir Agricultura em eventual governo Flávio
Pedro Lupion - Foto Camara Deputados
Por Daniel Rittner
Ex-governador de MS e "rei das sementes" são opções; Zé Vitor deve presidir FPA.
O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) é o nome mais forte para assumir o Ministério da Agricultura em caso de vitória do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, no segundo turno das eleições.
Segundo relatos feitos à CNN, Flávio chegou a sondar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para uma eventual volta à pasta, que ela chefiou durante o governo Jair Bolsonaro.
Tereza disse a Flávio que considera fechado e exitoso seu ciclo como ministra da Agricultura, que não deseja reabri-lo, mas que pretende ajudá-lo no Congresso e na interlocução com o agro.
Desde então, Lupion passou a ser o favorito. Ele deixará a presidência da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) no fim da atual legislatura.
Seu substituto, conforme apurou a CNN, deve ser o deputado reeleito Zé Vítor -- o segundo mais bem votado do PL em Minas Gerais, com 145.006 votos, atrás apenas de Nikolas Ferreira.
O certo, segundo interlocutores de Flávio, é que qualquer indicação ao Ministério da Agricultura passará necessariamente pelo crivo de Tereza Cristina.
Na campanha, avalia-se que Lupion tem ótima relação com as cooperativas e com o agronegócio em geral, além de ser bastante respeitado por seus colegas no Congresso Nacional, o que facilitaria a tramitação de projetos.
Com menos força, outra opção citada é o senador eleito Reinaldo Azambuja (PL), ex-governador de Mato Grosso do Sul.
Ele terá como suplente o atual presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), que preferiu não encabeçar nenhuma chapa em 2026. Se Azambuja for nomeado, ele daria sua vaga a Trad, o que é considerado um ativo para a composição da futura base aliada de Flávio caso ele se torne presidente.
Corre por fora o empresário Odilio Balbinotti, do Grupo Atto, conhecido como "rei das sementes". Ele é suplente do senador eleito José Medeiros (PL-MT) (CNN, 6/10/26)
O eleitor julgou o Supremo – Editorial O Estado de S.Paulo
Fastio com o petismo explica parte do resultado das eleições, mas o empurrão final à direita, sobretudo no Senado, veio do STF. A urna repudiou um Poder que se vê acima do bem e do mal
O resultado das eleições gerais admite muitas leituras. Uma, em particular, é incontornável: o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos mais importantes vetores de voto em 2026. Flávio Bolsonaro (PL) chegou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, e os dois disputarão a Presidência da República no próximo dia 25. Parte dessa história é explicada pelo fastio com o lulopetismo e com uma esquerda agressiva que perdeu a capacidade de se conectar com os anseios da maioria dos brasileiros.
Mas o empurrão final à direita, sobretudo àquela que pretende enquadrar o STF, foi dado, convenhamos, pela própria Corte.
Os números do Senado não deixam dúvida. Das 54 cadeiras em disputa, o PL de Flávio Bolsonaro conquistou 19 e terá, a partir de 2027, a maior bancada da Casa, com 28 senadores. O PT elegeu apenas 6. Um levantamento do Estadão mostra que ao menos 31 dos senadores eleitos concordam, total ou parcialmente, com o impeachment de ministros do STF. Número igual apoia a fixação de mandato para os integrantes da Corte. Não se chega a isso por acaso. Uma pauta que até outro dia se restringia à franja mais radical do bolsonarismo se tornou uma plataforma política vitoriosa de Norte a Sul.
O STF teve todas as oportunidades para se emendar por conta própria. Este jornal fez vários alertas. O tribunal poderia ter sido mais contido. Poderia ter se desvencilhado dos conflitos de interesses. Poderia ter resistido à tentação de ditar os rumos do País – prerrogativa da sociedade, por meio de seus representantes eleitos. Poderia, sobretudo, ter acolhido o anseio legítimo de muitos brasileiros pela investigação de ministros implicados no caso Master. Contudo, o STF preferiu a autoproteção.
O instinto de sobrevivência de alguns ministros se sobrepôs ao espírito público da instituição. Primeiro, de forma clandestina, na reunião que selou a blindagem de Dias Toffoli. Depois, à luz do dia, no vergonhoso espetáculo da sessão do dia 15 de setembro, que, por um pas de deux procrastinatório protagonizado por Gilmar Mendes e Flávio Dino, livrou Alexandre de Moraes de ser investigado por sua suposta prestação de serviços ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Em ambos os casos, o STF virou as costas para o Brasil que só pedia que aos ministros fosse dado o mesmo tratamento dispensado a qualquer cidadão: que fossem investigados à luz da suspeita de crimes.
Como se não bastasse, em guerra intestina por poder, o STF se comportou desabridamente como parte interessada no resultado do pleito. O eleitor viu ministros da Corte atropelarem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando seus interesses políticos estiveram sob risco. Viu também, às vésperas da abertura das urnas, ministros do STF e do TSE frustrarem sua expectativa de ver o último debate entre candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno.
Diante de tudo isso, o resultado de domingo passado é, além de um aval ao bolsonarismo, uma moção de censura ao Supremo. E censura não é sinônimo de revanche. O impeachment é remédio extremo, mas está previsto na Constituição. E se antes esse era um assunto marginal no País, hoje é tema corrente graças ao próprio Supremo.
Ao negar à sociedade a possibilidade de investigação de seus pares, os ministros entregaram a uma massa de eleitores a bandeira da moralidade pública e, principalmente, a da defesa da igualdade de todos perante a lei, ensejando um voto contra tudo que represente um arranjo entre poderosos em desfavor do melhor interesse público.
Embora escasso, ainda há tempo para que a Corte, finalmente, entenda o que se passou. Um código de ética digno do nome, o fim de decisões monocráticas que se perpetuam sem deliberação colegiada e a disposição de submeter os ministros ao mesmo escrutínio legal válido para todos os cidadãos fariam mais pela defesa do STF do que qualquer medida externa.
Mas, se insistir na soberba e no alheamento à realidade que o cerca, o STF será reformado de fora para dentro, por um Senado eleito claramente com esse propósito. Ao fim e ao cabo, o eleitor disse na urna que não admite um Poder que se vê acima do bem e do mal na República (Estadão, 7/10/26)
Bancada do agro reelege 2 em cada 3 parlamentares

Bancada já conta com 4 governadores eleitos em 1º turno. Um a cada três senadores eleitos em 2026 é proveniente da bancada do agro na Câmara dos Deputados.
Maior e mais influente bancada do Congresso Nacional, com 345 parlamentares, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) teve 185 deputados e senadores reeleitos nas eleições deste domingo, 4, conforme levantamento feito pelo Estadão/Broadcast com base no cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na lista de membros divulgados no site da bancada.
Dos 279 membros da frente que disputaram algum cargo no Congresso Nacional, 66% foram eleitos - ou seja, dois em cada três. Considerando cargos nas Assembleias Estaduais e governos estaduais, a bancada obteve 215 parlamentares vitoriosos, conforme levantamento da própria FPA.
Hoje, 345 parlamentares integram a FPA, sendo 48 senadores e 297 deputados federais. Na Câmara, a frente representa 57,9% do total de parlamentares e integra comissões importantes como a do Meio Ambiente, Constituição e Justiça, Relações Exteriores, além da Agricultura.
Um dos maiores desempenhos da frente nesta eleição foi no Senado. Um em cada três senadores eleitos em 2026 é proveniente da bancada do agro na Câmara dos Deputados, conforme o levantamento da FPA. Das 54 cadeiras em disputa no Senado, 24 foram conquistadas por parlamentares da bancada do agro.
Ao todo, neste momento, sem as novas adesões, a FPA mantém pelo menos 40 cadeiras no Senado, conforme levantamento feito pelo Estadão/Broadcast com base no cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na lista de membros divulgados no site da bancada. O número considera seis senadores que foram reeleitos, de 18 que concorriam ao cargo.
Outros 18 deputados federais da bancada foram eleitos senadores, de 32 que disputaram a eleição para a Casa. Entre eles estão Zé Medeiros (PL-MT), Arthur Lira (PP-AL), Bia Kicis (PL-DF), Evair de Melo (Republicanos-ES), Gustavo Gayer (PL-GO), André Fufuca (PP-MA), Carlos Jordy (PL-RJ), Marcel van Hattem (Novo-RS), Domingos Sávio (PL-MG), Carol de Toni (PL-SC) e Guilherme Derrite (PP-SP).
Há ainda 18 senadores com mandato até 2031, caso da vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), e do senador Jaime Bagattoli (PL-RO). Destes com mandato até 2031, entretanto, os senadores Sergio Moro (PL-PR), Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Marcos Rogério (PL-Rondônia) deixarão a Casa já que foram eleitos governadores em seus Estados.
Com a nova formação de senadores a partir de 1º de fevereiro de 2027, a FPA já identificou possíveis senadores eleitos afinados com as pautas do setor. A lista inclui 15 novos nomes na Casa. A projeção da bancada é alcançar entre 50 e 55 senadores membros em 2027.
Na Câmara, dos atuais 297 deputados, 261 disputaram reeleição e 179 foram reeleitos - o equivalente a um em cada três. Entre os reeleitos, as deputadas coronel Fernanda (PL-MT), que encampou o fim da moratória da soja como bandeira, e Julia Zanatta (PL-SC) foram as mais votadas nos seus Estados.
O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), foi reeleito. O deputado federal Zé Vitor (PL-MG), cotado a sucessão na FPA a partir de 2027, também foi reeleito com votação expressiva.
Para obter a maioria na Câmara, a bancada precisa angariar a adesão de 78 novos deputados. A frente mapeia que contará com cerca de 330 deputados a partir de fevereiro de 2027, considerando os que assumirão novo mandato e possuem ligação com a pauta do agronegócio.
Governadores
Para além do Congresso Nacional, nos Estados, quatro governadores ligados à bancada da agropecuária foram eleitos no 1º turno, com Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais; Sergio Moro (PL), no Paraná; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; e Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul (PL).
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No Tocantins e no Acre, o segundo turno terá membros da frente com o senador Alan Rick (Republicanos) no Acre, e senadora Professora Dorinha (União Brasil) e o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) no Tocantins. Em Mato Grosso, a vice-governadora eleita Gisela Simona (União) é membro da frente como deputada.
Atual presidente da frente e reeleito para o mandato, Lupion está confiante na adesão de novos parlamentares com “vocação agro” na reconfiguração e crescimento da frente em 2027. Para ele, o desempenho dos parlamentares integrantes da bancada no pleito está atrelado à defesa da pauta agropecuária e ao posicionamento político dos membros, localizados no espectro da centro-direita à direita.
“Foi um desempenho muito bom em uma eleição com uma onda muito forte da direita radical. As questões que defendemos, como a redução dos gastos públicos, e o posicionamento dos parlamentares fazem esse resultado. No Senado tivemos um crescimento absoluto exponencial e queremos eleger Tereza Cristina a presidente da Casa”, disse ao Estadão/Broadcast.
Bancada perde nomes de peso no Congresso
Apesar da elevada taxa de conversão, a bancada perde nomes de peso no Congresso. Na Câmara dos Deputados, entre seus principais articuladores, o vice-presidente da Frente, deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) não disputou o pleito e deixará a casa em fevereiro.
Também vice-presidente da FPA na Câmara e presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, o deputado federal Luiz Nishimori (PSD-PR) não foi reeleito, mas ficou como suplente. A presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite, deputada federal Ana Paula Leão (PP-MG), também não alcançou a reeleição, ficando com uma das suplências do Estado.
O ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), renunciou à disputa ao Senado por São Paulo e ficará de fora da Câmara. Também atuante na frente, deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) não concorreu a novo mandato na Câmara. Já o deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT) também não conseguiu garantir sua permanência, bem como Zé Silva (União-MG).
No Senado, não disputaram o pleito e perderão mandato em fevereiro os senadores Irajá (PSD-TO), Jayme Campos (União-MT) e Luis Carlos Heinze (PP-RS). O presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, Zequinha Marinho (Podemos-PA), e o senador Esperidião Amin (PP-SC) não conseguiram renovar os mandatos.
Em contrapartida, nomes que atuam em pautas consideradas importantes para o setor e compõem a diretoria responsável pelas decisões da bancada conquistaram novo mandato. Além de Lupion e Zé Vitor, o ex-presidente da frente e integrante da diretoria, deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR) foi reeleito.
O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), que atua em pautas relacionadas ao biodiesel, foi outro que garantiu sua vaga, assim como o deputado federal Afonso Hamm (PP-RS), que é relator do PL da securitização das dívidas rurais. Marussa Boldrin (Republicanos-GO), Rafael Pezenti (MDB-SC) e Tião Medeiros (PP-PR) (Estadão, 7/10/26)

