Maduro e o mito da soberania – Por Paula Sousa

O comunista que tentou vender o país para Trump. Imagem IA
“Soberania” de papel e petróleo de liquidação
Nicolás Maduro adora discursar sobre soberania nacional como se fosse o último guardião da independência latino-americana. A cada aparição em rede nacional, ele repete o mesmo mantra: “Não nos ajoelharemos diante do império americano!”.
Mas bastou o cerco apertar, as sanções asfixiarem e a economia desabar de vez, para o bravo comandante bolivariano ajoelhar-se de forma literal — e com proposta na mão.
Segundo o jornal The New York Times, o ditador ofereceu aos Estados Unidos o controle total das riquezas da Venezuela. Petróleo, gás, ouro, minerais raros — tudo, absolutamente tudo, em troca de uma única coisa: continuar no poder.
O homem que se vendia como símbolo da resistência anti-imperialista virou o maior corretor de commodities políticas do continente.
E pensar que o chavismo prometia romper com o “modelo capitalista explorador”. No fim, o modelo mudou de dono, mas não de essência: continua sendo um sistema de exploração — só que agora a pátria é o produto à venda.
O ditador que confundiu diplomacia com desespero
Maduro tentou disfarçar o desespero com um verniz diplomático. Enviou emissários secretos para negociar com representantes de Donald Trump, oferecendo um pacote de concessões que faria corar até um banqueiro da Faria Lima.
Prometeu cortar laços com China, Rússia e Irã — seus “irmãos de luta” —, reverter contratos, reabrir o mercado venezuelano às empresas americanas e redirecionar o petróleo que hoje flui para Pequim diretamente aos portos do Texas.
Tudo em nome da... “soberania nacional”.
O ditador acreditava que bastaria entregar as riquezas da Venezuela numa bandeja de prata para comprar tempo e clemência.
Mas, para seu espanto, Trump recusou.
O republicano deixou claro que não se trata de dinheiro ou petróleo — e sim de princípios. Seu objetivo é desmantelar o eixo comunista latino-americano, sufocar o Foro de São Paulo e combater os cartéis narcoterroristas que se entranharam nas ditaduras “revolucionárias” da região.
Maduro mediu o adversário pela própria régua moral.
Acreditou que todo líder pensa em termos de ganhos pessoais — afinal, é assim que ele próprio sobrevive. Só não entendeu que Trump não está à venda, e que o império que ele tanto demoniza não quer seu petróleo, mas o fim do seu regime.
O herói de bunker e o exército de fantasmas
Enquanto negociava secretamente sua rendição ideológica, o ditador encenava bravura diante das câmeras.
Fechou rodovias com contêineres, ergueu barricadas nas fronteiras e prometeu transformar Caracas num “cemitério de imperialistas”. Um discurso teatral para esconder o pânico que dominava o palácio de Miraflores.
A verdade é que ninguém mais acredita em Maduro — nem o próprio exército.
Os militares, mal pagos e desmoralizados, sabem que suas armas são sucata soviética e que, diante de uma intervenção americana, o resultado seria previsível.
O “povo revolucionário” que ele convoca às ruas é um exército de sombras — gente faminta, controlada pelo medo e pela fome, não por convicção ideológica.
O ditador que jurava “defender cada palmo da pátria” é hoje um refém do próprio bunker, cercado por generais que o toleram por conveniência e por um povo que o suporta por medo.
Maria Corina Machado: o oposto moral do chavismo
Enquanto Maduro vendia o país como quem liquida estoque em fim de feira, Maria Corina Machado recebia o Nobel da Paz.
Foi mais do que um prêmio — foi um símbolo.
O reconhecimento mundial a uma mulher que passou anos enfrentando censura, perseguição e prisão, sem jamais compactuar com o autoritarismo.
A ironia é devastadora: de um lado, o tirano que se diz defensor da soberania oferecendo as riquezas nacionais ao inimigo histórico; do outro, uma mulher que luta para devolver ao seu povo a soberania verdadeira — a que nasce da liberdade, não da retórica.
A honraria concedida a Machado foi também um recado ao continente: o mundo já enxerga a América Latina como o que ela se tornou — um laboratório de tiranos ultrapassados, sustentados por discursos mofados sobre “luta de classes” e “imperialismo”.
E quanto mais o chavismo tenta se justificar, mais evidente fica o fracasso da sua revolução.
O paralelo com Bolsonaro: dois rostos da mesma perseguição
Não é coincidência que Maria Corina Machado e Jair Bolsonaro se tornem os principais alvos do mesmo modelo de autoritarismo disfarçado de “defesa da democracia”. Ambos são tratados como inimigos do regime — ela, perseguida e obrigada a viver em local incerto para não ser presa; ele, mantido como prisioneiro político dentro de casa, acusado de “golpe” com base em delações compradas e provas inventadas.
O padrão é o mesmo: líderes populares que desafiam o establishment comunista são calados sob o pretexto de proteger o “Estado Democrático de Direito”, quando, na verdade, estão enfrentando o Estado de mentira e medo.
Lula e o velho truque da “soberania vendida”
A história venezuelana é o espelho onde o Brasil se recusa a se olhar.
O script é idêntico: líderes que gritam “soberania” enquanto entregam os recursos nacionais aos parceiros políticos e ideológicos de plantão.
Mudam os nomes, os países, os sotaques — mas o enredo é o mesmo.
Lula fala em “autonomia nacional” com a mesma convicção que Maduro fala em “independência bolivariana”.
Ambos usam a palavra “povo” como escudo e “soberania” como isca.
No fim, a pátria vira ferramenta de poder, e o nacionalismo é apenas marketing eleitoral.
O socialismo latino-americano é o maior projeto de entreguismo da história — disfarçado de patriotismo.
Não é à toa que toda vez que um governo vermelho sobe ao poder, o país mergulha em endividamento, dependência externa e fuga de cérebros.
A soberania, quando muito, serve para decorar discursos oficiais.
Os comunistas são os maiores entreguistas da história
A esquerda gosta de acusar o “capitalismo” de explorar os povos e roubar suas riquezas.
Mas, ironicamente, foram os regimes socialistas que mais venderam suas nações, seja para manter o poder, seja para comprar silêncio internacional.
A URSS trocava ideologia por influência. Cuba trocou sua soberania pela tutela soviética. E agora, a Venezuela oferece o que restou do país a qualquer comprador disposto a sustentar o regime.
Chamam isso de “resistência”, mas o nome correto é prostituição política.
A verdade é simples: o comunismo não cria patriotas, cria reféns.
E quando a máscara cai, o “anti-imperialista” se transforma no maior aliado do império — desde que possa continuar sentado no trono.
Conclusão: o fim do mito
O episódio de Maduro oferecendo as riquezas da Venezuela a Trump é o ato final da farsa bolivariana.
Aquele que prometia ser o herdeiro de Simón Bolívar acabou reduzido a um mascate de petróleo, vendendo o próprio país para salvar o próprio cargo.
Enquanto isso, a América Latina segue infestada de líderes que falam em soberania, mas vivem de mendigar relevância internacional.
São os novos “imperialistas de si mesmos” — colonizadores internos que saqueiam suas próprias nações em nome do poder.
“Todo ditador que grita soberania aos quatro ventos é, no fundo, um covarde. Maduro, Lula e companhia não defendem nações — defendem cargos. A pátria é apenas um disfarce conveniente.” (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 13/10/2025)

