MBRF investe R$ 1 bilhão no Paraná de olho no exterior
Jose Ignacio Scoseria: relevância do Paraná em aves explica investimentos — Foto Divulgação
Por Marcelo Fraga Moreira
Recurso será destinado à ampliação de unidades, o que permitirá à empresa impulsionar vendas à União Europeia e China.
A MBRF vai investir R$ 1 bilhão no Paraná, Estado líder em produção e exportação de carne de frango, para expandir sua capacidade produtiva e ampliar a base de avicultores integrados que fornecem frango à companhia.
Os aportes serão estratégicos para a empresa impulsionar as vendas à União Europeia, mercado que estava fechado desde 2018 para alguns estabelecimentos exportadores de frango do Brasil — em decorrência da Operação Carne Fraca — e foi reaberto no fim de 2025. O aumento das vendas à China também está no foco da MBRF.
Os investimentos ainda permitirão à companhia ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado — e as margens de lucro — no mercado interno.
O Paraná lidera com folga o ranking dos maiores produtores e exportadores de carne de frango do Brasil. Em 2025, foi responsável por 42% do volume embarcado ao exterior, seguido por Santa Catarina, com quase 23%. Na produção, o Paraná teve 39% dos abates, seguido de Santa Catarina, o segundo maior, com 14%.
“Dada a relevância do Paraná para a produção de frango, é natural que um valor relevante do nosso pipeline de investimentos seja destinado para crescer e aumentar eficiência no Estado”, disse ao Valor o vice-presidente de finanças da MBRF, José Ignacio Scoseria. “Estamos priorizando projetos que ou têm valor agregado relevante ou trazem acesso a mercados, enquanto os integrados permitirão atender o futuro crescimento da companhia”, acrescentou.
O aporte conta com o estímulo do governo paranaense que, por meio do Programa Paraná Competitivo, de incentivo a investimentos no Estado, vai acelerar a liberação de créditos de ICMS.
Recursos
Do montante a ser investido pela empresa, R$ 300 milhões irão para o Fundo de Investimento Agrícola do Paraná (FIDC Paraná), que terá um total de R$ 375 milhões, incluindo R$ 75 milhões do governo estadual. O dinheiro será destinado à construção de novas granjas e melhorias tecnológicas em aviários existentes, que trarão aumento de produção e produtividade, segundo o executivo.
Os outros R$ 700 milhões serão destinados às sete unidades industriais da companhia no Paraná, em especial ampliações de capacidade produtiva de quatro plantas. Uma delas é a de produção de perus no município de Francisco Beltrão, única da companhia no Estado autorizada a exportar ao mercado europeu.
A planta ganhará um segundo turno e passará por adequações para poder exportar peito de peru aos europeus. “Estamos basicamente dobrando a produção nessa unidade”, disse Scoseria.
A fábrica de Toledo terá sua produção de empanados ampliada em 40%, tendo em vista vendas tanto para o mercado interno como o externo. No local, a empresa também aplicará recursos para fortalecer a exportação de pés de frango para a China.
Outra planta com produção voltada majoritariamente ao consumidor internacional, de gelatina e colágeno da Gelprime, em Ibiporã — da qual a MBRF tem 50% — terá sua capacidade duplicada. A MBRF também vai expandir em 12% a produção de processados, mais especificamente pizzas e lasanhas, na unidade de Ponta Grossa, visando reforçar a oferta ao mercado brasileiro.
As ampliações nas plantas de Ponta Grossa e Francisco Beltrão, devem ser concluídas no segundo semestre, segundo o diretor financeiro da MBRF. Já os investimentos na planta de Ibiporã devem se estender até 2027, bem como a ampliação e modernização dos aviários, por meio do FIDC. Conforme a companhia, parte do R$ 1 bilhão virá do Capex (investimento) de 2026 e outra parcela, de 2027.
Ao se comprometer com os investimentos, a MBRF obteve do governo do Paraná liberação de R$ 300 milhões em créditos de ICMS e o compromisso de receber mais R$ 700 milhões. Tais recursos devem ficar disponíveis em cerca de dois anos, prazo mais curto do que o esperado sem o incentivo governamental, de acordo com Scoseria.
Para o executivo, “programas que trazem mais competitividade e atratividade para empresas investirem em um Estado são muito importantes para incentivar o crescimento da produção no país” (Globo Rural, 27/3/26)

