23/03/2026

Mendonça tem melhor avaliação no STF e Toffoli é o mais rejeitado

Mendonça tem melhor avaliação no STF e Toffoli é o mais rejeitado

André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do STF. Foto Wilton Junior/Estadão

 

Pesquisa mostra que percepção do público sobre sete dos dez ministros piorou; levantamento foi realizado após suspeitas de envolvimento de integrantes da Corte com o caso do Banco Master

 

A imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) se deteriorou nos últimos meses, arranhada pelas suspeitas de envolvimento de ministros da Corte com o caso do Banco Master. O cenário é acompanhado pela piora na avaliação individual dos integrantes do tribunal. Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta sexta-feira, 20, mostra que a maior parte dos atuais dez magistrados é avaliada negativamente pela população.

 

O ministro André Mendonça é o único que tem avaliação positiva maior que a negativa entre todos os integrantes da Corte. Segundo o levantamento, o magistrado tem 43% de menções favoráveis, enquanto 36% pensam o contrário sobre ele. Outros 20% dizem não saber avaliá-lo.

 

Para Wallace Corbo, professor de direito constitucional da Fundação Getulio Vargas (FGV), avaliação positiva de Mendonça pode estar relacionada ao seu perfil discreto. “Um ministro que se distancia do debate acalorado da política, ou pelo menos não está no centro dele, acaba podendo ter um apoio maior e uma rejeição muito menor”, afirmou.

 

Já o ministro Dias Toffoli se encontra no extremo oposto. A imagem do magistrado é apontada como negativa por 81% dos entrevistados ante 9% que dizem avaliá-lo positivamente. No levantamento anterior realizado pelo instituto, em agosto de 2025, Toffoli era rejeitado por 50% e aprovado por 30%.

 

O crescimento de 31 pontos porcentuais na avaliação negativa do ministro compreende o período em que ele assumiu a relatoria do inquérito do Banco Master. Toffoli passou a ter a atuação questionada após marcar uma acareação antes dos depoimentos e restringir a perícia de provas, afetando o trabalho da Polícia Federal.

 

Ao mesmo tempo, o ministro teve expostas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro e seu entorno. Toffoli viajou em um jato particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore para Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores da América. No mesmo voo, estava o advogado Augusto Arruda Botelho, representante do ex-diretor de Compliance do Master, Luiz Antonio Bull.

 

Como revelou o Estadão, a empresa Maridt, de Toffoli, vendeu a participação no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo de investimento do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. Além disso, a PF também identificou conversas entre o banqueiro e o ministro.

 

“Toffoli tem uma subida rápida (na avaliação negativa) que aparenta ser em decorrência da discussão sobre corrupção, que gera enormes reações. A avaliação é negativa pela percepção de que o ministro não estava querendo apurar (casos de corrupção) ou por outros episódios em que suspendeu as penas e os acordos (produzidos pela Lava Jato)”, avaliou o professor de direito constitucional da FGV Oscar Vilhena.

 

“Essa curva negativa do Toffoli é fruto da sobre-exposição no julgamento de casos de corrupção. O juiz que é visto como leniente tem uma avaliação mais negativa. No caso do Toffoli, é uma justaposição entre a percepção de leniência e de envolvimento (no caso Master)”, completou (Estadão, 21/3/26)