NE: Produtores de cana pedem subvenção após prejuízos com tarifaço dos EUA
No Nordeste, produtores de cana-de-açúcar estão com dificuldades para investir na manutenção de seus canaviais para a colheita da próxima safra — Foto -iStockcom georgeclerk
Setor canavieiro da região já arcou com perda de R$ 500 milhões.
Lideranças dos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste reuniram-se nesta quarta-feira (25/2) com o Ministério da Fazenda para pedir uma subvenção para compensar os prejuízos causados pelo tarifaço americano, derrubado na semana passada.
Segundo a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), os produtores rurais da região Nordeste já arcaram com um prejuízo de R$ 500 milhões. Lideranças locais dizem que os agricultores já estão com dificuldades para investir na manutenção de seus canaviais - como em fertilizantes - para a colheita da próxima safra.
Os representantes dos produtores estiveram com Dário Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, que informou às lideranças que estudaria o pleito. A reunião foi costurada pelo presidente da Câmara, Hugo Mota.
A AFCP calcula que a demanda por subvenção pode chegar a R$ 270 milhões. O pedido é de uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana entregue nas usinas do Nordeste.
“Acreditamos na viabilidade da implantação da subvenção, como já ocorreu no segundo governo Lula e nos governos de Dilma. Mas, para isso, parlamentares da Câmara Federal e do Senado precisarão defendê-la também. Trabalharemos neste sentido”, afirmou Alexandre Andrade Lima, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), em nota.
Lima defendeu ainda que a cana entre na lista de culturas incluídas na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). “Se tivesse o PGPM para a cana, não estaríamos aqui pleiteando a subvenção”, disse.
O tarifaço de Donald Trump atingiu o setor canavieiro do Nordeste até a última semana, já que o açúcar não foi isento da sobretaxa de 40%, retirada para outros setores agrícolas em novembro do ano passado. Com isso, as usinas passaram a exportar o açúcar aos EUA por valores menores.
O setor sucroalcooleiro do Nordeste é fortemente dependente das exportações da commodity ao mercado americano, que historicamente paga um prêmio pelo produto brasileiro (Globo Rural, 25/2/26)
Usinas devem processar mais cana e apostar mais no etanol em 2026/27

Percentual de cana direcionado para a produção de açúcar tende a recuar de 51% nesta safra para 48% em 2026/27 — Foto: Wenderson Araújo/CNA
Moagem deve crescer para 629 milhões de toneladas na próxima safra, diz SCA Brasil.
As usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul do Brasil deverão processar mais cana-de-açúcar na safra 2026/27 e deverão direcionar uma parte maior da matéria-prima para a produção de etanol.
Na estimativa da trading SCA Brasil, a moagem de cana deve crescer de 610 milhões de toneladas na safra atual (2025/26) para 629 milhões de toneladas na próxima.
Além disso, a trading também projeta que o percentual de cana direcionado para a produção de açúcar tende a recuar de 51% nesta safra para 48% em 2026/27.
Este cenário tende a favorecer um aumento da produção de etanol na próxima temporada.
Por outro lado, a SCA alertou que modelos meteorológicos já indicam nova ocorrência do El Niño, fenômeno que costuma impactar o desenvolvimento dos canaviais (Globo Rural, 25/2/26

