No Show Rural Coopavel, produtor mantém cautela e adia compras
Vista aérea do Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR). Feira de tecnologia agrícola vai até 13 de fevereiro — Foto Rodrigo Memlak
Preços dos grãos em baixa reduzem as margens e o apetite para fazer investimentos.
O produtor Darcy Antônio Liberali, de Cascavel (PR), tinha planos de adquirir uma máquina retroescavadeira este ano, mas não será agora. Como muitos agricultores que se endividaram nos últimos anos, ele está cauteloso e evitando investir.
“Nos últimos três anos, estou acumulando empréstimos para poder pagar as contas. A produtividade tem sido boa, mas a rentabilidade está baixa devido ao preço dos grãos”, disse ele, que visitava ontem o Show Rural Coopavel, em Cascavel, a primeira feira do calendário anual de eventos do agro.
Para Liberali, que cultiva soja e milho e mantém um rebanho de matrizes, o atual ciclo é um dos piores para fazer investimentos. “Se for investir neste ano, tem que planejar muito, ter muita cautela”, disse. Ele aponta dificuldades como o alto custo de produção. “Teria que comprar uma retroescavadeira para arrumar as curvas de nível da lavoura, porém, não vou comprar neste momento porque a conta não fecha”, lamentou.
Apesar das margens menores da atividade, o produtor Ildemar Marino Canto, também de Cascavel, defende que é preciso investir sempre. Ele, que cultiva soja e milho, disse que, por estar capitalizado, tem pouca dependência de recursos do Plano Safra.
Com recursos próprios, ele afirmou investir em agricultura de precisão e sementes com melhoramento genético. Para a troca de máquinas, o produtor recorre a linhas do BNDES. “Isso facilita”, disse Canto, que não esconde, contudo, a preocupação em relação à perspectiva de mais pressão sobre a soja devido à grande oferta (Globo Rural, 12/2/26)

