13/04/2026

Notícias inquietantes para Lula no Datafolha – Editorial Folha de S.Paulo

Lula e Flávio Imagem Reprodução Instagram

 

  • Avaliação positiva do governo não supera a negativa nem mesmo entre eleitores mais pobres
  • Na simulação de segundo turno, há empate com Flávio Bolsonaro, que surge numericamente à frente pela primeira vez

 

A nova pesquisa do Datafolha traz notícias inquietantes para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a apenas seis meses da disputa presidencial.

 

Entre os brasileiros aptos a votar, a avaliação do governo petista tem viés de baixa. Ademais, nas simulações de segundo turno, o incumbente aparece empatado com os principais adversários à direita, e Flávio Bolsonaro (PL) se encontra pela primeira vez numericamente à frente.

 

Passado o primeiro terço do ano, o governismo esperava reações mais positivas ao que julga serem feitos de maior impacto de Lula 3. Trata-se, por exemplo, da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, de programas sociais como o Gás do Povo ou o Pé-de-Meia, do desemprego mínimo ou do aumento dos salários. Não tem sido assim.

 

A surpresa e a preocupação ficaram evidentes com o frenesi de reuniões recentes em Brasília, destinadas a cobrar propaganda mais eficaz e a discutir medidas de emergência para reduzir inadimplência e juros ou conter o preço dos combustíveis.

 

Mesmo do ponto de vista do puro pragmatismo eleitoral, a tarefa de impulsionar a popularidade do mandatário é difícil. A conta dos erros de Lula chegou.

 

O gasto público excessivo e remendos frequentes na política fiscal contribuíram para a alta da inflação. Em decorrência, as taxas de juros aumentaram para os níveis mais altos em 20 anos, assim como a inadimplência.

 

A vitória de Lula por mínima margem em 2022 deveu-se muito ao apoio do centro. Apesar de entregar ministérios ao centrão, o presidente pouco se ocupou do diálogo com eleitores que não são bolsonaristas nem lulistas. Parece não se dar conta das mudanças políticas e sociais ocorridas desde 2010, quando se tornou o presidente mais popular da história.

 

Lula agora não tem avaliação positiva nem mesmo entre os eleitores com renda abaixo de dois salários mínimos, sua base principal —é ótimo ou bom para 32% e ruim ou péssimo para 33% deles. No eleitorado em geral, são 29% a 40%, respectivamente. Desde fins de 2024, o saldo jamais voltou a ser positivo.

 

Entre os "não alinhados" (nem bolsonaristas nem petistas, 27% da amostra do Datafolha), há déficit de 21 pontos; entre os de centro (16% da amostra), de 17.

No primeiro turno, Lula mantém 39% dos votos, ante 35% de Flávio Bolsonaro, que cresce. A campanha não começou, e é difícil prever a reação do eleitorado ao histórico do oposicionista. O presidente, de todo modo, tem meses preocupantes adiante.

 

O efeito da guerra afeta a inflação. Juros permanecerão altos por mais tempo, assim como as agruras financeiras. O mal-estar da sociedade com escândalos de corrupção também costuma se estender aos governantes.

 

O governo até agora não tem planos ou discursos novos para apresentar à população, a quem quer convencer de que Lula 3 é Lula 2 —quando havia a ajuda de um cenário externo excepcional (Folha, 12/4/26)