16/01/2026

Novo inquérito sigiloso do Supremo protege ministros – Por Willam Waack

Novo inquérito sigiloso do Supremo protege ministros – Por Willam Waack

Ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Foto Agência Brasil

 

O STF age para proteger interesses pessoais de integrantes da Corte, pois não foi o vazamento em si, mas o conteúdo das informações que causou grande constrangimento

 

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), instaurou inquérito de ofício, isto é, sem provocação da PF (Polícia Federal) ou da PGR (Procuradoria-Geral da República), para apurar na Receita Federal e no COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a possibilidade de vazamento de dados sigilosos. 

 

Dados sobre o próprio Moraes, o ministro Dias Toffoli e parentes de ambos.

 

Esse tipo de inquérito, sigiloso, parece fazer parte de um método. Em 2019, o Supremo abriu uma investigação, também sigilosa, e de ofício, para apurar a divulgação de notícias consideradas falsas contra a própria instituição. Era Toffoli o então presidente da Corte e Moraes foi designado relator desse inquérito. 

 

Inquérito que tramita até hoje sem prazo para acabar. Na época, dizia-se que era necessário defender o Supremo de uma campanha orquestrada.

 

A investigação agora aberta é para saber quem vazou para a imprensa a informação de que o escritório de advocacia da mulher de Moraes tinha um milionário contrato com o dono do Banco Master, liquidado por suspeita de fraude. E também quem vazou informações de transações contratuais de parentes de Toffoli em torno de investimentos em um resort de luxo que era da família.

 

Em outras palavras, sem ser provocado pela PGR ou pela PF, o Supremo está agindo para proteger interesses pessoais de integrantes da Corte, pois não foi o vazamento em si, mas o conteúdo das informações - até agora não desmentidas - que causou grande constrangimento e enorme perda de legitimidade da própria instituição (CNN Brasil, 15/1/26)