O adeus do covarde – Por Paula Sousa
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto André Borges Efe
Se você piscou entre ontem e hoje, perdeu o movimento das peças no tabuleiro: o homem que se dizia a única salvação da esquerda começou a dar sinais de que a bateria acabou. E não é por falta de vontade de poder — porque o narcisismo ali bate no teto —, mas por puro medo de passar o maior vexame da sua história.
O "Plano B" que saiu da toca
Até ontem, o nome de Fernando Haddad era o sucessor natural. Coitado do Haddad. O ex-ministro da Fazenda passou os últimos meses engolindo sapos gigantescos, aceitando o apelido de "Taxad" e tentando equilibrar as contas de um governo que só sabe gastar. Tudo isso para quê? Para ser descartado como um rascunho malfeito.
A notícia que explodiu nos bastidores é que Lula já tem um novo "queridinho": Camilo Santana. O ex-ministro da Educação foi mandado de volta para o Senado com uma missão clara: rodar o país e se tornar conhecido. Lula, em entrevista à TV Cidade do Ceará, foi direto: precisa de Camilo com "mobilidade" para viajar e falar o que um ministro não pode. Traduzindo do "politiquês" para o português claro: Camilo é o estepe de luxo para 2026, enquanto Haddad foi relegado a tentar a sorte em São Paulo, onde todo mundo sabe que ele tem tantas chances contra Tarcísio de Freitas quanto um picolé no deserto.
O pânico das pesquisas e o "pacote de bondades"
Por que essa pressa em fabricar um sucessor? A resposta está nos números. Pesquisas recentes mostram um cenário de pesadelo para o PT: Flávio Bolsonaro aparecendo levemente à frente de Lula ou em empate técnico.
O "sistema" é pragmático. Quando o boi morre, o carrapato pula fora. O mercado financeiro, segundo a Revista Veja, já começou a encomendar pesquisas testando cenários sem o Lula. Os bancos e os grandes investidores perderam a paciência com a falta de ajuste fiscal e com um presidente que parece viver em 2003, achando que basta imprimir dinheiro para o povo ser feliz.
Diante disso, vimos um Lula desesperado nos últimos três dias. Ele lançou o que os bastidores chamam de "pacote de bondades":
- Enviou com urgência o PL sobre o fim da escala 6x1.
- Demitiu diretores na Petrobras para tentar segurar o preço da gasolina no grito.
- Zerou impostos do querosene de aviação.
- Prometeu baixar o preço dos alimentos.
É a velha tática de tentar comprar o eleitor na última hora. Mas a verdade é que o preço da picanha não caiu, o gás de cozinha continua um absurdo e o povo cansou de promessa vazia.
A entrevista do "fazer docinho"
Hoje, a temperatura subiu ainda mais. Em entrevista ao ICL Notícias, o Lula soltou a bomba: "Não decidi se serei candidato ainda". Ele disse que só vai decidir em junho de 2026, dependendo de ter "algo novo" para apresentar ao país.
Vamos ser sinceros? Se o critério para ser candidato é ter algo novo, Lula já pode assinar a aposentadoria agora. O que ele tem apresentado é um museu de práticas antigas: corrupção, ideias mofadas e uma comunicação tão ruim que o próprio Hélio Schwartsman (da Folha) aponta o presidente como o maior problema do governo.
Essa declaração de "não sei se vou" é uma estratégia de covarde. Ele joga a dúvida no ar para ver se o povo implora para ele ficar. O problema é que, ao fazer isso, ele vira um "pato manco". Quem é que vai negociar apoio com um presidente que diz que pode cair fora amanhã? O Centrão, que não é bobo nem nada, já está fazendo as contas.
Lideranças do Congresso, segundo o colunista Lauro Jardim, dizem que a relação com o governo está totalmente desgastada. A saída de Gleisi Hoffmann do Ministério das Relações Institucionais deixou um vácuo que ninguém quer preencher. O governo está acéfalo.
O medo do confronto real
O grande segredo que ninguém no PT quer admitir é que o Lula tem pavor de perder para um Bolsonaro. Seja o pai ou o filho. Se as pesquisas mostrarem, lá perto do dia 5 de agosto (prazo final do TSE), que o Flávio Bolsonaro está fora da margem de erro, Lula vai alegar problemas de saúde, cansaço ou "necessidade de renovação" e passará o bastão para o Camilo Santana.
Ele prefere sair como o "grande conselheiro" do que como o derrotado nas urnas. É a vaidade acima do país. Ele sabe que o seu "personagem" de salvador da pátria está derretendo. Até a estratégia com o público jovem falhou. O governo nem está fazendo campanha para os jovens de 16 anos tirarem o título, porque descobriu o óbvio: a juventude de hoje não quer saber de discurso de sindicato dos anos 70; eles querem oportunidade, coisa que esse governo de "ideias atrasadas" não consegue dar.
A saga Jorge “Bessias” continua
Para tentar estancar a sangria, Lula ainda tenta uma última jogada de mestre (ou de amador): indicar Jorge Messias para o lugar de Barroso ou em articulações chave, apenas porque ele se vende como "evangélico de esquerda". É um insulto à inteligência de qualquer cristão. Eles acham que basta colocar alguém que saiba citar um versículo para ganhar um eleitorado que preza por valores que o PT ignora diariamente.
O rei está nu
O PT está desesperado. Lula está velho, sem ideias e, acima de tudo, cercado de asseclas incompetentes que só pensam em manter a boquinha.
A possível desistência de Lula não é um ato de grandeza, é um ato de sobrevivência. Ele sabe que a conta chegou. O mercado não confia, o Congresso não respeita e o povo não esquece. Camilo Santana pode até começar a viajar o país, mas ele carrega o peso de um governo que prometeu amor e entregou impostos; prometeu prosperidade e entregou inflação.
O "narcisista" mor do Planalto está diante do espelho e, pela primeira vez, o reflexo mostra alguém que tem medo do futuro. Se ele vai mesmo desistir? Só o tempo dirá. Mas que o cheiro de derrota já tomou conta do Alvorada, disso ninguém tem dúvida. Preparem-se: 2026 será o ano em que a máscara finalmente cairá por terra. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 9/4/2026)
Haddad vira aposta do mercado financeiro para substituir Lula na eleição

Lula da Silva. Foto EPA
- Datafolha aponta que ex-ministro empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro no 2º turno
- Lideranças do PT também já discutiram a possibilidade de forma reservada
Por Mônica Bergamo
A possibilidade de Fernando Haddad (PT-SP) substituir Lula como candidato a presidente da República anima integrantes do mercado financeiro. Banqueiros e executivos já chegaram a abordar lideranças do PT e o próprio ex-ministro para falar sobre o tema.
SER...
As declarações dúbias de Lula sobre a própria candidatura estimulam a movimentação. Na quarta (8), por exemplo, o presidente disse em entrevista ao portal ICL Notícias que "ainda" não decidiu se vai "ser candidato".
... OU NÃO SER
Na sequência, afirmou que tem "o acúmulo de experiência que ninguém tem nesse país", sinalizando que a maior probabilidade é a de que ele concorra à reeleição.
CHANCE ZERO
As lideranças do PT que já foram abordadas e o próprio Haddad descartam a possibilidade de Lula desistir da candidatura, mesmo diante de números eleitorais que mostram que deve enfrentar uma campanha dura contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
NO SONHO
Lideranças do setor financeiro, no entanto, ainda mantêm o que pode ser definido como esperança, já que preferem um governo de Haddad a uma continuidade de Lula na presidência.
EMPATE
Como revelou a coluna no começo de março, Haddad empata tecnicamente com o Flávio em um cenário de disputa de segundo turno nas eleições presidenciais. Ele tem 41% dos votos, contra 43% do filho de Bolsonaro.
EMPATE 2
O fato de o ex-ministro ser competitivo como candidato a presidente levou lideranças do partido a enxergarem nele um plano B viável caso Lula, em um cenário considerado improvável, mas não impossível, desista de concorrer à Presidência.
MÚSCULO
Lula é considerado o mais forte candidato que a legenda poderia apresentar ao eleitorado. Uma eventual candidatura de Haddad, por outro lado, representaria uma grande novidade nas eleições, enquanto o presidente estaria disputando o seu quarto mandato.
RÉGUA
A rejeição a Lula é de 46%, enquanto a de Haddad é de 27%.
VOZ BAIXA
O tema é considerado tabu no PT e foi sempre discutido de forma mais do que reservada —e, segundo um dirigente, em voz baixa (Folha, 9/4/26)
Lula diz que ainda não decidiu sobre candidatura, mas que dificilmente deixará de concorrer

Foto Caio Guatelli Redux
- Petista disse que quer reconstruir aliança política para evitar que 'fascistas voltem a governar'
- Em entrevista, Lula afirmou que deve apresentar projeto de governo em junho
Durante entrevista nesta quarta-feira (8), o presidente Lula (PT) deixou em aberto sua candidatura à Presidência nas eleições deste ano —que até o momento, vinha sendo dada como certa.
"Falo que eu não decidi ser candidato ainda, mas o fato é que vai ter uma convenção no meio de junho e eu, para decidir ser candidato, vou ter que apresentar um programa, uma coisa nova pra esse país. Alguma coisa para que a gente não fique só 'entra um mandato, acaba com a fome, sai, volta e a fome tá de volta outra vez'", disse, em entrevista ao ICL Notícias.
Diante da fala, o presidente foi questionado se poderia não ser mais considerado pré-candidato, ao que Lula evitou afirmar. "Todo mundo sabe que dificilmente eu deixarei de ser candidato. Porque vai ter uma convenção em junho e nós vamos tentar", respondeu.
"Eu quero e eu vou pleitear a necessidade de a gente reconstruir uma aliança política forte para que a gente não permita que os fascistas voltem a governar esse país. Esse é o papel que eu tenho pra jogar agora. Qual é a vantagem que eu tenho? Eu tenho o acúmulo de experiência que ninguém tem nesse país."
O presidente se elegeu em 2022 prometendo que não disputaria um novo mandato. Após a posse, porém, passou a afirmar que cogitava concorrer mais uma vez. Em declarações públicas, afirmou que a candidatura dependeria de estar bem de saúde. O mandatário completará 81 anos em outubro.
No ano passado, ele afirmou: "Para eu ser candidato eu tenho que ser muito sincero e honesto comigo. Eu preciso estar 100% de saúde".
Lula já até anunciou seu vice na chapa para a eleição presidencial deste ano, novamente Geraldo Alckmin (PSB). "Ele é candidato a vice-presidente da República outra vez", disse, em reunião no último dia 31.
Também na entrevista desta quarta, Lula criticou outros pré-candidatos, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ronaldo Caiado (PSD).
Pesquisa da Meio Ideia, divulgada nesta quarta, mostrou que Lula e Flávio estão em empate técnico em uma simulação de segundo turno para a eleição presidencial de 2026.
No confronto direto, Flávio marca 45,8%, ante 45,5% de Lula —o senador aparece numericamente à frente, mas a diferença de 0,3 ponto está dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Brancos, nulos e indecisos somam 8,7% (Folha, 9/4/26)

