07/07/2026

O bolso não mente: O fim do consenso globalista – Por Paula Sousa

O bolso não mente: O fim do consenso globalista – Por Paula Sousa

A velha mídia e os economistas de gabinete estão vivendo um verdadeiro drama. Eles olham para os gráficos reluzentes produzidos sob o comando de Márcio Pochmann no IBGE, sintonizam na Rede Globo e decretam: "A macroeconomia vai de vento em popa!". Mas quando o cidadão comum pisa no supermercado, a mágica estatística desmorona diante da etiqueta do preço do arroz, do feijão e do óleo. O descompasso entre a narrativa oficial e a realidade implacável das ruas gerou o que intelectuais tentam explicar como um "paradoxo", mas que o povo chama apenas de sobrevivência.

 

Uma matéria da BBC News tentou decifrar essa insatisfação trazendo a análise de uma economista que culpou as redes sociais pelo mau humor do brasileiro com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a especialista, o Instagram e o TikTok criam "desejos de consumo para além do crescimento da renda". Ou seja, na visão deles, o problema não é o seu dinheiro sumindo na inflação de alimentos; o problema é você, que assiste a vídeos na internet e cobiça uma vida que não pode ter. Trata-se de uma hipocrisia refinada. Afinal, as novelas da própria Rede Globo sempre exibiram mansões, iates e o luxo do Leblon desde a década de 1970, e isso nunca foi tratado como o gatilho para uma crise política.

 

O desespero da esquerda e de seus satélites reside no fato de que eles perderam o monopólio da narrativa. O elo que une a derrocada da aprovação governamental ao crescimento da direita é a falência do antigo "consenso social" forçado. No passado, se a televisão noticiava que o desemprego estava na mínima histórica e que o PIB voava, o cidadão que estivesse desempregado ou vendo seu comércio falir pensava: "O problema sou eu ou a minha cidade; o resto do país deve estar uma maravilha". Havia um isolamento provocado pela falta de canais de comunicação direta.

 

Hoje, as redes sociais quebraram esse isolamento. Se o preço da carne dispara no Rio de Janeiro, o trabalhador filma a gôndola, posta o vídeo e descobre que o mesmo ocorre em Salvador, São Paulo e Recife. O trabalhador percebeu que não está sozinho e que quem está mentindo é o aparato estatal. Diante disso, dados inflados perdem a utilidade e passam a parecer pura astrologia econômica.

 

Essa ruptura informativa reflete diretamente no comportamento do eleitorado, como apontado por uma coluna de Monica Bergamo detalhando dados de uma pesquisa BTG/Nexus. O levantamento comprovou que a maior parte dos eleitores de Flávio Bolsonaro, rejeita os canais tradicionais e prefere se informar diretamente pelas redes sociais. Enquanto isso, o eleitorado cativo de Lula permanece atrelado à audiência da televisão aberta. Não se trata de uma disputa por "fake news", como a esquerda tenta rotular para justificar a censura; trata-se do acesso a uma pluralidade de informações que a grande mídia tenta abafar.

 

O resultado dessa perda de controle veio como uma ducha de água fria para o Palácio do Planalto. O portal Conexão Política estampou o cenário incômodo em sua manchete: "Má notícia para Lula e o PT: o resultado que nenhum deles queria receber". O anúncio antecipava o choque estatístico definitivo desenhado pela mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada pelo jornal O Globo: pela primeira vez desde 2014, a direita superou a esquerda no Brasil fora da margem de erro.

 

Os números mostram que 44% dos brasileiros com 16 anos ou mais se identificam com a direita ou centro-direita, contra 39% que se alinham à esquerda ou centro-esquerda. Para quem lembra de 2022, quando a esquerda detinha 49% contra 34% da direita, o tombo foi gigantesco. O eleitorado evangélico lidera essa guinada, com 52% de identificação com a direita, enquanto entre os católicos o cenário aponta um empate técnico. A esquerda acreditava que bastava reassumir a máquina pública para sepultar a força da direita, mas descobriu que a mentalidade conservadora e liberal do brasileiro fincou raízes profundas.

 

O aspecto mais pedagógico e revolucionário dessa mudança está na economia. O brasileiro aprendeu, a duras penas, que não existe almoço grátis — e muito menos serviço público gratuito. Outro dado do Datafolha, destacado pelo portal G1, revelou que 50% dos entrevistados preferem pagar menos impostos a ter acesso a serviços estatais ditos "gratuitos", uma virada marcante em relação ao equilíbrio verificado em 2022. A CNN endossou a tendência ao publicar que 65% dos cidadãos consideram que depender menos do governo é o caminho real para melhorar de vida.

 

Essa percepção pulveriza a narrativa assistencialista do PT. O cidadão percebeu que o SUS não é de graça; ele é extremamente caro, sustentado por uma carga tributária que incide brutalmente sobre o consumo. Quando um trabalhador de baixa renda compra um produto básico, uma parcela massiva daquele valor vai para sustentar uma máquina burocrática ineficiente e propensa a desvios. O pobre paga imposto proporcionalmente mais do que o rico porque consome tudo o que ganha para subsistir. Portanto, a isenção de imposto de renda propagandeada pelo governo é uma cortina de fumaça que ignora o peso real dos tributos embutidos na comida.

 

O assistencialismo crônico, inspirado em modelos de renda básica universal estudados globalmente, provou-se uma armadilha que acomoda o indivíduo na mediocridade, enquanto o que a população realmente deseja é um ambiente de negócios dinâmico, livre de regulamentações sufocantes e impostos abusivos, para prosperar por conta própria. Nos anos 2000, as pessoas melhoraram de vida graças ao seu próprio suor e ao boom das commodities impulsionado pela China, e não por benevolência de Lula. O governo Lula apenas pegou carona no esforço alheio enquanto criava barreiras fiscais.

 

Somado ao sufoco econômico, o tema da segurança pública consolidou a rejeição ao atual modelo. O apoio à posse de armas saltou de 35% para 41%, refletindo o cansaço de uma população que se sente desprotegida diante do avanço do crime organizado, enquanto o discurso esquerdista foca em desarmar o cidadão de bem.

 

Toda essa ebulição aponta para um fenômeno de alternância de poder que já varreu 17 dos últimos 20 governismos na América do Sul. As engrenagens estão se movendo para reconduzir a direita ao Executivo federal. Flávio Bolsonaro surge como o nome natural para canalizar essa insatisfação, carregando a missão clara de retomar a agenda de seu pai: desinchando o Estado, cortando impostos, desregulamentando o comércio e aplicando políticas de tolerância zero contra a criminalidade.

 

O desespero do outro lado é explícito. Declarações em tom de pânico, como a do ator Wagner Moura à SIC Notícias afirmando que "seria uma tragédia" uma vitória da direita nas próximas eleições, apenas confirmam que a elite cultural que vive isolada da realidade econômica brasileira já sente o cheiro da derrota. Até mesmo jornais tradicionais como o Estadão, conhecidos por tentar emplacar uma "terceira via" centrista, já começam a aceitar que o cenário polarizado resultará no triunfo das forças liberais e conservadoras.

 

O povo brasileiro cansou de ser tratado como massa de manobra de engenheiros sociais e estatísticos criativos. A internet descentralizou a verdade, o mercado impôs a realidade e o bolso ditou o voto. A engrenagem estatal perdeu a capacidade de hipnotizar o cidadão, pavimentando o caminho para uma reconstrução fundamentada no livre mercado, na legítima defesa e na redução drástica do peso do Estado. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 7/7/2026)