07/10/2025

O delírio da esquerda: Psicose, poder e carência – Por Paula Sousa

O delírio da esquerda: Psicose, poder e carência – Por Paula Sousa

Imagem Reprodução Blog Esquerda Online

Por Paula Sousa

Ao longo de décadas de estudo clínico e psiquiátrico, o Dr. Lyle Rossiter investigou como certas tendências políticas podem emergir de traumas, carências emocionais e dinâmicas familiares mal resolvidas. Em seu livro A Mente Esquerdista: As Causas Psicológicas da Loucura Política, Rossiter argumenta que muitos comportamentos ideológicos não são simples escolhas racionais ou posições políticas — frequentemente refletem padrões emocionais e psicológicos profundamente enraizados.

Segundo Rossiter, indivíduos com experiências de infância marcadas pela ausência ou falha de figuras parentais tendem a projetar essas lacunas em suas vidas adultas. A carência afetiva, a sensação de injustiça sofrida e o ressentimento inconsciente podem gerar uma busca intensa por pertencimento, reconhecimento e autoridade externa — muitas vezes personificada pelo Estado ou por movimentos coletivos. Essa projeção emocional explica comportamentos como vitimismo, dependência de programas sociais, busca incessante de justiça externa e necessidade constante de validação pelo grupo.

O Estado como figura parental

Rossiter destaca que essa projeção emocional no Estado gera uma expectativa de que ele resolva problemas individuais e coletivos — saúde, educação, aposentadoria e proteção social — funções que exigiriam autonomia, responsabilidade e maturidade emocional do indivíduo.

Essa dependência do coletivo explica comportamentos políticos contemporâneos, como:

* A percepção de que políticas públicas ou movimentos ideológicos devem satisfazer todas as necessidades emocionais e materiais do cidadão;

* O reforço do vitimismo e da autopiedade, projetando culpa sobre outros grupos, instituições ou “inimigos” políticos;

* A dificuldade de assumir responsabilidades individuais e a valorização do controle coletivo sobre a vida alheia.

A figura do Estado, para esses indivíduos, muitas vezes se torna um substituto simbólico da figura paterna ou materna que lhes faltou. É como se a estrutura governamental pudesse prover segurança, proteção e orientação moral — funções que deveriam ser internalizadas por uma personalidade madura. Trata-se de um fenômeno de dependência emocional transformado em engajamento político, que Rossiter analisa com rigor clínico, sem juízo moral simplista.

Exemplos contemporâneos

* Charlie Kirk: nos Estados Unidos, sua experiência demonstra como o engajamento ideológico intenso pode destruir o pensamento crítico e o senso de responsabilidade pessoal, levando a reações emocionais exacerbadas e intolerância ideológica.

* Tentativas de assassinato contra Bolsonaro e Donald Trump: atos motivados por ódio intenso e percepção distorcida da realidade política, refletindo a projeção de ressentimentos individuais em figuras públicas.

* Juju dos Teclados: no Brasil, casos de ódio coletivo, sadismo e histeria travestida de ativismo exemplificam como o engajamento ideológico pode assumir dimensões compulsivas e destrutivas.

* Ideologia de gênero: exemplo de delírio coletivo ligado à carência identitária, insatisfação pessoal e negação da realidade biológica, funcionando como mecanismo de autopreservação emocional para pessoas profundamente inseguras.

Convergência filosófica

A análise do Dr. Rossiter encontra eco nas reflexões de Olavo de Carvalho, que observa como certos militantes se engajam na causa ideológica com intensidade quase obsessiva, perdendo de vista interesses pessoais e cotidianos. Olavo descreve isso como uma “segunda personalidade” voltada exclusivamente à militância — um comprometimento que absorve toda a atenção, energia e identidade do indivíduo.

Essa visão enfatiza a dimensão ética e existencial da militância política: a ideologia torna-se um instrumento de validação moral e emocional, muitas vezes substituindo a reflexão racional e a responsabilidade pessoal.

A dimensão identitária e emocional

A Dra. Aline Borges complementa essa análise ao explorar como crises de identidade e carências emocionais influenciam comportamentos contemporâneos, especialmente em temas ligados à ideologia de gênero e ao wokismo.

Segundo ela, muitas expressões de ativismo identitário surgem de uma necessidade profunda de afirmar um “eu” autêntico diante de experiências de insatisfação pessoal ou social. A repetição constante dessas narrativas, o engajamento coletivo e a busca por reconhecimento funcionam como mecanismos de compensação emocional — uma tentativa de preencher lacunas afetivas ou existenciais.

O delírio do vitimismo

Combinando as visões de Rossiter, Olavo e Borges, é possível identificar padrões recorrentes:

* Vitimismo e dependência: percepção de que os problemas vêm de fatores externos, criando justificativas contínuas para a ação coletiva;

* Projeção de culpa: sentimentos de inadequação ou frustração são atribuídos a outros grupos ou instituições;

* Busca de controle: o engajamento político serve como meio de exercer autoridade e restabelecer segurança emocional;

* Necessidade de pertencer: o indivíduo consolida sua identidade no coletivo, muitas vezes sacrificando autonomia e reflexão própria.

Esses mecanismos explicam por que algumas pessoas se engajam com tanta intensidade e têm dificuldade em dialogar ou reconhecer perspectivas contrárias. Não se trata de maldade ou de escolha deliberada, mas de uma estrutura psicológica complexa que combina emoção, experiência e busca de sentido.

Responsabilidade e maturidade

O ponto central dessa análise é a importância da maturidade emocional e da responsabilidade individual. Tanto a filosofia quanto a psicologia mostram que indivíduos com uma base afetiva sólida — apoio familiar, princípios claros e capacidade de lidar com frustrações — tendem a desenvolver pensamento crítico, autonomia e ética consistente.

Por outro lado, a carência emocional não resolvida pode transformar o engajamento político em substituto de experiências afetivas, identidade e propósito, criando ciclos de dependência, ressentimento e ativismo impulsivo.

Comparação com o perfil conservador

Contrastando com essas dinâmicas, indivíduos com formação conservadora geralmente:

* Crescem em bases familiares sólidas, com papéis claros de pai e mãe;

* Desenvolvem autonomia, senso de responsabilidade e liberdade pessoal, inclusive econômica;

* Priorizam meritocracia e ética pessoal, evitando vitimismo e dependência do Estado;

* Possuem princípios espirituais e morais que orientam comportamento e decisões, transcendendo o imediatismo e o prazer momentâneo.

Essa diferença estrutural na formação emocional explica por que, em muitos contextos, conservadores apresentam maior consistência ética e estabilidade comportamental, enquanto indivíduos com traumas ou carências não resolvidas canalizam emoções intensas em militância ideológica.

Conclusão

Estudar o comportamento político sob a lente da psicologia clínica e da filosofia não é apenas curiosidade acadêmica, mas ferramenta essencial para compreender por que certas ideologias ganham força, como a identidade individual se molda em relação ao coletivo e quais mecanismos emocionais sustentam o ativismo moderno.

Combinando as análises de Dr. Lyle Rossiter, Olavo de Carvalho e Dra. Aline Borges, observam-se padrões claros: o engajamento político intenso não é apenas sobre ideias, mas sobre necessidades humanas profundas — pertencimento, segurança, identidade e validação emocional.

Compreender isso nos ajuda a discutir política de maneira mais racional e estratégica, sem reduzir indivíduos a caricaturas ou rótulos simplistas.(Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 7/10/2025)