29/06/2026

O fenômeno "El Lulo": Como a gastança de Lula destruiu o seu prato

O fenômeno

Por Paula Sousa

 

A inflação deste ano está completamente fora de controle, e se você andou pisando em um supermercado recentemente, já percebeu que o seu dinheiro perdeu o poder de compra. Mas, segundo a narrativa oficial dos palácios de Brasília, a culpa pelo feijão, pelo leite e pelos legumes estarem custando os olhos da cara nunca é de quem assina os cheques. A culpa é do El Niño, do Trump atacando o Irã, da poeira cósmica ou do alinhamento de Júpiter com Saturno.

 

Só que o brasileiro cansou de ser tratado como bobo. Nas redes sociais, uma nova onda viralizou e deu o nome correto à verdadeira força da natureza que está devastando o bolso do trabalhador: não é um fenômeno climático, é o fenômeno "El Lulo".

 

A farsa do clima vs. a realidade dos fatos

 

A grande mídia e os boletins oficiais tentam empurrar a desculpa perfeita. Manchetes como a da MundoCoop alertam: "Inflação de alimentos pode chegar a 7% em 2026 com impacto do El Niño sobre milho, soja e proteínas". Dizem que o fenômeno vai castigar as hortaliças e o leite, que o preço da ração vai subir e que o cidadão simplesmente deve aceitar o destino e passar fome em nome do clima.

 

Mas espere um minuto. Vamos puxar pela memória? Nós passamos por uma pandemia global há poucos anos. Uma crise real, com cadeias de suprimentos globais completamente rompidas, fronteiras fechadas e o mundo paralisado. Mesmo naquele cenário de verdadeiro desastre natural e sanitário, o preço dos alimentos não parecia a piada de mau gosto que se tornou agora. Quer provas? Usuários do site Minha Inflação e criadores de conteúdo digital começaram a comparar panfletos antigos e as redes sociais foram inundadas por dados aterrorizantes:

 

  • Leite Italac: Custava cerca de R$ 2,00 na pandemia; saltou para R$ 6,19.
  • Arroz: Custava R$ 2,50; hoje é encontrado por R$ 6,99.
  • Chocolate Bis (Lacta): Registrou um aumento acumulado de 103%.

 

Não há guerra no Irã que justifique o ovo e o legume dobrarem de preço no Ceasa de uma semana para a outra sem que o País esteja em guerra. Não há El Niño que mude o fato de que, hoje, a maior catástrofe econômica do país tem nome, sobrenome e faixa presidencial.

 

A máquina de moer dinheiro: R$ 1,4 bilhão por dia

 

Se você quer entender como a inflação dos alimentos acontece, esqueça os manuais de economia complexos. A regra é simples: o dinheiro não tem valor por si só, ele é apenas um pedaço de papel que representa a riqueza real de um País. Se o governo começa a imprimir, gastar e empurrar esse papelzinho na sociedade como se não houvesse amanhã, o papel perde o valor. O nome disso é desvalorização da moeda. Quando o dinheiro vale menos, você precisa de muito mais notas para comprar o mesmo pé de alface.

 

E adivinha quem está quebrando a banca? Uma reportagem avassaladora da revista Veja escancarou o tamanho do rombo com a manchete: "Sem controle: Lula gasta 1,4 bilhão de reais por dia em busca de reeleição".

 

É isso mesmo. Para tentar reverter sua rejeição e inflar uma popularidade artificial nesta temporada eleitoral, a torneira pública foi escancarada de forma informal e irresponsável. O economista Marcos Mendes investigou a fundo esse absurdo: ele pesquisou 33 medidas anunciadas pelo governo entre janeiro e maio e descobriu R$ 15 bilhões de reais em aumento de despesas e redução de receitas completamente fora dos padrões de controle fiscal. O nome técnico e jurídico para isso? Manobras governamentais que ficam à margem do orçamento. O nome real que o povo conhece? Pedalada fiscal.

 

O truque da taxa de juros e quem paga a conta

 

Para tentar conter esse incêndio que o próprio governo começou, o Banco Central é obrigado a manter a taxa Selic (os juros básicos da economia) em patamares altíssimos. A lógica teórica dos juros altos é simples: fazer com que as pessoas parem de gastar, tirem o dinheiro de circulação e o apliquem em títulos do governo que rendem uma boa grana. Menos gente comprando bens e serviços significa que os preços, teoricamente, param de subir.

 

Só que essa lógica falha miseravelmente no prato de comida, e o motivo é óbvio.

 

Você pode escolher adiar a compra de uma televisão nova, de um carro ou de uma viagem porque os juros estão altos. Mas você não pode escolher deixar de almoçar para "apostar" no título do governo ou jogar no "tigrinho da Selic". A comida é um bem de consumo vital e inadiável.

 

Como o consumo de alimentos não pode ser cortado, a inflação desse setor explode completamente. Segundo o jornal Estadão, em manchetes recentes como "Leite, legumes e feijão mais caros: preço de alimentos sobe e pressiona a renda do consumidor", o preço médio dos legumes registrou uma alta brutal de 15,1%. Enquanto a inflação geral maquiada parece "razoável" e dentro da meta (segundo os índices martelados pelo atual presidente do IBGE, Márcio Pochmann, que parece acreditar que a estatística deve servir à narrativa ideológica e não à verdade factual), a inflação real que o pobre enfrenta na boca do caixa é devastadora.

 

Essa dinâmica cria uma divisão cruel e escancarada entre as classes sociais. De um lado, os mais ricos passam pela crise praticamente intactos: eles não precisam mudar em nada o seu padrão de consumo de alimentos e, para melhorar a situação deles, ainda lucram alto com as taxas de juros na casa dos 15% ao ano, engordando suas contas ao aplicar dinheiro diretamente nos títulos da dívida pública do governo.

 

Do outro lado, a realidade dos mais pobres é desesperadora. Sem qualquer sobra financeira para fazer investimentos ou aproveitar os juros altos, eles assistem à inflação corroer tudo o que têm. Como são obrigados a gastar quase 100% da sua renda apenas para colocar comida na mesa, eles veem o salário sumir completamente antes mesmo de chegar à metade do mês, pagando a conta mais cara dessa gastança desenfreada.

 

O esgotamento do modelo e as mentiras oficiais

 

O atual governo adora se gabar de que o "desemprego está baixo", estampando manchetes como "Governo entra na campanha com emprego alto mas inflação elevada". Mas há uma diferença brutal entre emprego alto e desemprego baixo. O desemprego cai de forma artificial quando as pessoas simplesmente desistem de procurar trabalho porque sabem que a economia foi destruída. Elas se acomodam com auxílios temporários, como o Bolsa Família, o Pé de Meia ou o Gás do Povo.

 

O grande problema é que esse modelo eleitoreiro de "roubar de toda a sociedade via impostos astronômicos para distribuir migalhas para alguns grupos" esgotou. O governo não cria riqueza, ele apenas tira de um para dar para o outro (cobrando uma taxa pesada no meio do caminho para sustentar a máquina pública). No final das contas, quem recebe o Pé de Meia perde o benefício na hora de comprar o leite; quem recebe o Bolsa Família vê o dinheiro virar pó no preço do feijão. Fica um pobre pagando o benefício do outro através do pior e mais cruel imposto que existe: a inflação.

 

Com a informação descentralizada, perfis independentes e o monitoramento em tempo real dos preços nos mercados do País inteiro, o truque de culpar o dono do supermercado ou o clima não funciona mais. O brasileiro descobriu que o verdadeiro trambique econômico está instalado diretamente na cadeira presidencial (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 29/6/2026)