26/05/2026

O grande pânico digital do consórcio Lula-STF-Mídia – Por Paula Sousa

O grande pânico digital do consórcio Lula-STF-Mídia – Por Paula Sousa

Há uma cena trágica se desenrolando no palácio e nas redações: o establishment brasileiro descobriu, com o atraso habitual de uma década, que o detergente limpa, mas a verdade escorrega pelas mãos dos censores. O diagnóstico do desespero governamental foi escancarado quando Fernando Haddad, em um raro momento de lucidez matemática, admitiu ao Metrópoles que a esquerda está tomando um histórico “7 a 1” nas redes sociais há dez anos. A reação diante do placar vergonhoso? Tentar confiscar a bola, furar o pneu do adversário e decretar o fim do campeonato por via de canetada burocrática.

 

O elo que une a histeria comercial da velha mídia ao apetite autoritário do governo é o mais puro e destilado recalque. Por décadas, o topo do ecossistema de comunicação operava como um cartel de opiniões homologadas. Bastava uma manchete coordenada para destruir uma reputação, linchar uma marca ou sepultar uma candidatura.

 

Hoje, quando o cidadão comum prefere rir de um meme descentralizado a engolir o sermão do telejornal, o sistema entra em pane. A perda do monopólio da narrativa gerou uma inveja profunda e desesperada do alcance e da capilaridade digital da direita, que aprendeu a falar a língua do povo enquanto o consórcio governante ainda discursa em dialeto acadêmico mofado.

 

Para mascarar a própria incompetência em gerar engajamento orgânico, a esquerda e seus satélites jornalísticos recorreram à mais infantil das desculpas: os robôs. A jornalista Mônica Bérgamo, em sua coluna na Folha de S. Paulo, correu para divulgar um suposto estudo do Projeto Brif afirmando que “metade dos perfis com maior alcance na polêmica do Ypê são robôs bolsonaristas”.

 

A tese é de um ridículo atroz. O cidadão assiste ao governo aparelhar a Anvisa para perseguir uma empresa nacional sob pretextos sanitários pífios — caçando ferrugem em engrenagens para assustar empresários que ousam não financiar o partido oficial —, reage consumindo mais o produto em sinal de protesto, e a explicação oficial é que algoritmos fantasmas invadiram as prateleiras. Ora, robôs podem até habitar o submundo da internet, mas eles ainda não aprenderam a ir ao supermercado comprar detergente líquido para limpar a cozinha.

 

A verdade incômoda que o consórcio Lula-STF tenta esconder atrás de relatórios metodologicamente fajutos é o conceito de contágio memético. A informação descentralizada se espalha porque carrega o DNA da indignação popular, o sentimento genuíno de que uma injustiça estatal está sendo cometida.

 

Quando o ecossistema digital abraça uma causa, não é por comando centralizado de uma central de computadores na Virgínia, mas sim porque as pessoas comuns escolheram compartilhar a verdade. E contra o magnetismo de um argumento real, as fórmulas caquéticas, senis e flácidas da propaganda esquerdista simplesmente não têm tração.

 

Como o engajamento artificial da militância paga não consegue competir com a espontaneidade das ruas digitais, o passo seguinte do desespero foi a transição da narrativa para a coerção pura. Entram em cena os dois decretos presidenciais assinados às pressas por Lula na semana passada.

 

A pretexto de regulamentar uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet, o Executivo atropelou o Congresso e tentou erguer uma muralha permanente de tutela estatal. O Estadão, em um editorial cirúrgico intitulado “A longa marcha do controle digital”, expôs a fraude cronológica da manobra: o governo federal fundamentou seus decretos de censura em uma decisão judicial que sequer transitou em julgado.

 

Conforme noticiado pela CNN Política, o próprio STF agendou o julgamento dos recursos e embargos de declaração das grandes empresas de tecnologia. Ou seja, os parâmetros jurídicos fundamentais, os prazos de adaptação e o escopo de atuação das plataformas ainda estão em aberto na própria Suprema Corte.

 

O portal JOTA classificou a movimentação do Palácio do Planalto como uma “aposta apressada”, uma pressa que delata o pânico. O governo precisava fixar suas garras burocráticas antes que qualquer modulação judicial pudesse limitar o seu alcance, demonstrando um total desprezo pelo devido processo legal e pela separação de poderes.

 

O cardápio de justificativas para o arbítrio é sempre o mesmo mix de fofura institucional e chantagem emocional: dizem que é para combater a violência contra a mulher, proteger as crianças, erradicar o discurso de ódio e salvar a democracia. Mas a máscara cai no primeiro parágrafo técnico dos decretos. O objetivo real não é proteger o vulnerável, mas sim criar um escudo de proteção para o governante incompetente.

 

A reconfiguração da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é o exemplo acabado do duplipensar orwelliano. Um órgão que nasceu com a missão nobre de proteger as informações do cidadão contra os abusos do Estado foi transformado em um braço fiscalizador de censura privada, forçando as plataformas a praticarem a remoção preventiva de conteúdos para não sofrerem sanções financeiras brutais.

 

O ápice do cinismo autoritário reside no novo papel conferido à Advocacia-Geral da União (AGU). Sob a desculpa de combater “publicidade enganosa, abusiva ou fraudulenta ligada a políticas públicas”, o Estado confere a si mesmo o título de proprietário da verdade.

 

Na prática, se um trabalhador usar suas redes para denunciar a hipocrisia da taxação de compras internacionais — a famosa e impopular taxa das blusinhas —, o fiscal governamental poderá classificar a crítica legítima como desinformação e ordenar a derrubada imediata do conteúdo. O consórcio simplesmente não suporta a exposição de suas contradições, o vazamento de seus contratos comprometedores e o colapso de sua farsa econômica.

 

Enquanto a Folha de S. Paulo adverte que o “decreto de Lula avança em risco de censura criado pelo STF”, parte da velha imprensa se comporta como o peru que celebra a chegada do Natal. Portais como o UOL estamparam manchetes festivas como “Governo para Big techs: toma que o filho é teu”, comemorando o chicote estatal no lombo das plataformas que lhes roubaram as verbas publicitárias.

 

Essa elite jornalística decadente sofre de uma miopia severa. Ignoram que o alcance de suas próprias matérias depende visceralmente do ecossistema das redes e que a engrenagem censória que hoje aplaudem contra a direita será, com velocidade espantosa, voltada contra qualquer jornalista que ouse publicar uma linha fora do script oficial. Toda ditadura burocrática devora, mais cedo ou mais tarde, os idiotas úteis que lhe serviram de claque.

 

A falácia central do atual autoritarismo brasileiro é a premissa de que mentiras se combatem com o silêncio forçado e com o encarceramento do debate. Mentiras na internet se combatem com a exposição da verdade, com o confronto aberto de ideias e com a luz dos fatos. Quando o Estado decide se tornar o árbitro do que é real, ele deixa de proteger a sociedade e passa a proteger a si mesmo da sociedade.

 

O cidadão comum tem apenas a palavra para contestar o gigantismo de um governo que controla as polícias, as forças armadas, o orçamento bilionário e as canetas dos tribunais. Arrancar a palavra do povo sob o pretexto de policiar a verdade é o primeiro passo para converter o Brasil em uma cópia empobrecida dos regimes da Rússia, da China, de Cuba ou da Coreia do Norte.

 

A tentativa de abafar a realidade através de decretos ilegítimos e pressões coordenadas falhará porque o consórcio ainda não entendeu a natureza da informação distribuída. O Datafolha e as pesquisas BTG/Nexus continuam registrando o óbvio: mesmo após bombardeios incessantes de escândalos fabricados e narrativas de colapso, o eleitorado mantém o cenário de empate técnico para o futuro do país.

 

O controle centralizado morreu, o público acordou e não há inteligência artificial, agência reguladora ou desculpa de robô capaz de devolver o rebanho para o antigo cercado da mídia tradicional. O pânico deles é o sintoma mais claro de que a liberdade, apesar de vigiada, aprendeu a driblar os censores. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 26/5/2026)