16/10/2025

O Grande Teatro de Ilusões Lulista: Por que sou o Ron Swanson brasileiro

Paula "Swanson" Sousa . Imagem IA

 

Por Paula Sousa

 

Eu, que não odeio o Estado e nem sou uma libertária de carteirinha, tenho me sentido cada dia mais próxima do meu herói inesperado: Ron Swanson, o funcionário público que detesta o governo na série Parks and Recreation. A diferença é que Ron odeia o Estado por princípio; eu, confesso, o ódio está sendo cultivado, regado e adubado diariamente pelas manobras do "desgoverno" atual, que insiste em tratar o pagador de impostos como um idiota.

 

O meu estômago se revirou quando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, surgeriu nas telas, com aquela expressão messiânica de quem está prestes a nos anunciar a redenção econômica. A revolta não só cresce na garganta, ela explode! Ele vem com a conversa fiada de "entendimento" e a "dificuldade de cobrar pelo passado"— um passado, é claro, convenientemente "negligenciado" pela gestão anterior.

 

Vamos aos fatos, ministro: O governo anterior, do qual o senhor tanto gosta de desviar o foco, isentou o trabalhador de pelo menos 26 impostos— um gesto concreto de quem reconheceu que o cidadão brasileiro estava sendo esmagado por uma carga tributária indecente. E qual é a solução que o “Pai dos Pobres” encontra? Uma manobra cínica que é um "perdão" disfarçado de cobrança para quem "sonegou": "repatriem esses recursos e paguem 30% de impostos. 15% a título de imposto e 15% a título de multa."

 

TRINTA POR CENTO! Meus caros, é nessa hora que a minha veia "Ron Swanson" não apenas berra, ela solta um rugido de indignação! O governo, esse autoproclamado Robin Hood dos Trópicos, que vive de nos acusar de egoísmo, está oferecendo um DESCONTÃO CRIMINOSO para quem escondeu dinheiro, enquanto o trabalhador honesto pagou religiosamente cada centavo, sob a ameaça do Leão! Isso é um insulto à decência! E eles têm a AUDÁCIA de chamar essa barganha suja de "justiça social"? Não é justiça, é deboche! Haddad e Lula querem não só nos taxar no presente, eles querem voltar no tempo para nos TRIBUTAR DE NOVO, enquanto dão anistia luxuosa aos grandes sonegadores. Isso não é governo, é um cartel de exploradores!

 

A nova manobra do desgoverno: O circo da isenção

 

A peça mais recente no teatro da ilusão populista é a "isenção" do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O país "comemorou", diz o texto que me foi dado. Eu, no entanto, troquei a comemoração por um olhar de profundo desdém, o mesmo olhar que Ron Swanson daria a um funcionário federal que propõe um aumento na burocracia.

 

À primeira vista, parece a vitória da "classe média e dos mais pobres". Mas, como todo truque de mágica, o segredo está no que não se vê.

 

O governo, com sua retórica gasta, diz que está "tirando dos ricos para dar aos pobres". Eles elevam a carga tributária sobre a parcela de maior renda para "compensar a renúncia fiscal". A narrativa é sedutora: o rico paga menos proporcionalmente e o pobre é explorado.

 

Ironia e exploração: O imposto oculto chamado inflação

 

Essa comparação, prezados amigos, é de uma desonestidade intelectual que só se vê em Brasília. Claro que a maior parte da arrecadação, em valores absolutos, vem de quem “gera riqueza”! De quem empreende, investe, arrisca. É a atividade produtiva que sustenta o manicômio tributário brasileiro.

 

O mais grave, contudo, é a omissão criminosa em torno da “inflação”. O ajuste da tabela do Imposto de Renda não veio acompanhado de um compromisso de atualização periódica. O que isso significa? Significa que a inflação — o imposto oculto, perverso e silencioso — fará o serviço sujo do governo. Em pouco tempo, a corroído poder de compra do salário e o avanço dos preços empurrarão os milhões de "beneficiados" de volta para a faixa de tributação.

 

É o ciclo da exploração estatal:

 

  1. O governo gasta desenfreadamente.
  2. A inflação (imposto oculto) dispara.
  3. O povo pobre fica mais pobre.
  4. O governo dá um "presente" (isenção temporária de IR).
  5. A inflação engole o "presente" e devolve o povo ao leão.
  6. Volte ao ponto 1, com a mídia governista aclamando o "pai dos pobres".

 

Os ricos? Eles se protegem! Alocam seus recursos em investimentos. Os pobres e a classe média? Eles veem o seu suor derreter na bomba de gasolina e no pacote de arroz.

 

O efeito Argentina: O paradoxo da "Justiça Social"

 

O filme, meus caros, já foi visto, e o final é sempre trágico e previsível. A Argentina não é apenas um vizinho; foi o laboratório sul-americano do populismo descontrolado. Eles fizeram exatamente o que esse desgoverno propõe: taxaram os "super-ricos" sob a bandeira de "justiça social". O resultado? A escalada inflacionária canibalizou a classe média, e a máquina estatal de moer dinheiro não parou até que o cidadão comum, com um salário corroído, fosse enquadrado como "rico" para fins de imposto. É o empobrecimento coletivo travestido de redistribuição.

 

Mas a lição não para aí, e é aqui que a tragédia vira farsa: a Argentina, hoje, sob a presidência de Javier Milei (um libertário), está aplicando o antídoto que o Brasil, sob Guedes e Bolsonaro, quase conseguiu iniciar. Enquanto nosso mnistro da Fazenda, Fernando Haddad, possui apenas dois meses de estudos formais em economia e é chefiado por um presidente analfabeto funcional que adora gastar, Milei e Guedes são economistas de formação que entendem o motor da prosperidade.

 

Milei, agindo com a coragem que faltou aqui, conseguiu o impensável: reverter a inflação em números históricos para a Argentina, reduzindo a carga tributária do trabalhador, exatamente como propõe a Curva de Laffer – aquela teoria simples que diz que, acima de um certo ponto, aumentar impostos é contraproducente, pois mata o incentivo, a produção e, ironicamente, reduz a arrecadação.

 

Tributar o motor que cria riqueza — o empreendedor, o empresário, o investidor — é asfixiar o futuro do país e garantir que a miséria disfarçada de "ajuda social" seja a única coisa distribuída. O governo Lula não está tirando dos ricos para dar aos pobres; está nos tirando a chance de sermos ricos e nos condenando à dependência estatal. É uma exploração cínica, e a História (e Milei) está aí para provar que é uma mentira deslavada!

 

O acordo com os sonegadores e o deboche final

 

Voltemos ao ministro Haddad. O plano de "repatriar" recursos e cobrar 30% — um valor que, repito, é uma piada perto do que qualquer trabalhador paga — é a prova cabal da hipocrisia lulista.

 

Enquanto a Receita Federal aperta o cerco contra a pequena e média empresa, enquanto ela nos coloca em uma armadilha inflacionária para nos taxar de volta, eles fazem um pacto de cavalheiros com quem tem dinheiro escondido no exterior. É um convite oficial: "Voltem, senhores sonegadores, o desconto é camarada e a narrativa está pronta: diremos que estamos taxando vocês para ajudar o povo pobre."

 

Isso não é redistribuição de renda; é *redistribuição de privilégios*. É a elite política e burocrática garantindo que o seu poder se mantenha intacto, financiado por gastos públicos crescentes, inflação persistente e uma carga tributária que, no fim das contas, recai sobre todos nós.

 

Eu não odeio o Estado, mas odeio profundamente a mentira, a manipulação e a exploração.

 

O discurso do corte de impostos é uma manobra eleitoreira de curto prazo, uma miragem no deserto da economia brasileira. O que o governo Lula está fazendo é nos guiar, sorrindo e acenando, para o mesmo abismo que a Venezuela e a Argentina abraçaram. O resultado é sempre o mesmo: uma sociedade empobrecida, enquanto a casta política mantém seus privilégios, não por mérito, mas pelo controle absoluto do poder.

 

É por isso que, hoje, eu me sinto Ron Swanson. Talvez eu não queira privatizar todos os parques, mas a cada declaração de Haddad, a cada manobra populista de Lula, a cada eleitor que ainda acredita que a "justiça social" virá através do aumento de impostos e da inflação, eu sou forçada a sussurrar a filosofia de Ron:

 

“O governo é um desperdício de dinheiro do contribuinte. Eu sou pago para desperdiçar o seu dinheiro.”

 

A diferença é que, no Brasil, o desperdício vem acompanhado de uma mentira deslavada. E a minha revolta, agora, é a minha única bandeira. (Paula "Swanson" Sousa é historiadora, professora e articulista; 16/10/2025)