O luto silencioso do agro e o avanço da China – Por Paula Sousa

Quando produzir se torna um crime. Imagem IA
O campo brasileiro está em luto. Somente no Rio Grande do Sul, 24 produtores rurais tiraram a própria vida nos últimos meses. Homens e mulheres que carregavam nas costas a responsabilidade de alimentar milhões de brasileiros, mas que sucumbiram ao peso insuportável das dívidas, da vergonha e do abandono.
Atrás de cada número, há famílias destroçadas, filhos órfãos, sonhos interrompidos e uma dor que ecoa em silêncio pelas estradas de terra e plantações do interior. E esse silêncio é ensurdecedor.
O cenário alarmante: o suicídio no campo
De acordo com dados oficiais, a taxa de suicídio entre trabalhadores da agropecuária chegou a 20,5 por 100 mil habitantes — quase o dobro da média nacional. Em regiões agrícolas do Paraná, como Francisco Beltrão, Guarapuava e Pato Branco, os índices estão entre os mais altos do país.
Não se trata apenas de estatística: é a prova de que a vida no campo se tornou insustentável. Secas prolongadas, enchentes devastadoras, dívidas impagáveis, inadimplência crescente (7,9%) e a ausência de um seguro rural eficiente formam um coquetel explosivo.
O produtor, antes orgulho nacional, hoje se vê isolado, sem apoio psicológico, sem crédito, sem fôlego. Vive na ponta da faca entre a vergonha de não conseguir honrar compromissos e a impotência diante de um Estado que o trata como inimigo.
O discurso do ódio contra quem sustenta o Brasil
A tragédia se agrava porque o próprio governo reforça essa marginalização. Lula nunca escondeu sua hostilidade ao agro. Em seus discursos, chamou produtores de “fascistas”, desumanizando justamente aqueles que garantem a comida no prato do trabalhador urbano.
Enquanto o agricultor luta para não perder a terra, o governo prefere posar de aliado dos invasores. Os movimentos que destroem propriedades recebem incentivo, enquanto quem produz dentro da lei é perseguido por impostos, burocracia e criminalização midiática.
MST: a embaixada da China no campo
Esse quadro ganha contornos ainda mais preocupantes quando se olha para fora. Segundo análises da consultora Bruna Forti, o MST firmou parceria direta com a estatal chinesa Sinomach. Na prática, o movimento passou a atuar como uma espécie de embaixada da China no campo brasileiro, oferecendo terras, logística e tecnologia para interesses estrangeiros — tudo à margem do Congresso e sem debate público.
A quem interessa esse arranjo? Certamente não ao produtor brasileiro, que perde espaço e soberania dentro do próprio território.
A compra silenciosa das terras brasileiras
Outro alerta vem da mesma fonte: empresas ligadas ao Partido Comunista Chinês estão comprando e arrendando terras agrícolas no Brasil, muitas vezes por meio de manobras jurídicas que burlam a legislação nacional.
Não estamos falando apenas de hectares de soja ou milho. A disputa é por recursos hídricos, rotas logísticas e áreas próximas a pontos estratégicos, inclusive bases militares. Em outras palavras, é a soberania nacional sendo rifada, pedaço por pedaço, enquanto a população finge que nada acontece.
Quem paga a conta? O produtor brasileiro
Enquanto isso, o agro nacional — motor da economia, responsável por mais de 25% do PIB — é sufocado. Crédito caro, exigências ambientais desproporcionais, imposições internacionais (como ESG) e uma máquina pública hostil compõem um cenário perverso.
O recado é claro: quem trabalha dentro da lei é tratado como criminoso, e quem invade terras é premiado.
Um projeto de submissão nacional
Nada disso é obra do acaso. O enfraquecimento dos produtores, o avanço do MST aliado à China e a hostilidade do governo ao agro formam as peças de um mesmo projeto: transformar o Brasil em uma colônia agrícola controlada pelo Partido Comunista Chinês.
As palavras de Charlie Kirk soam como profecia:
“O Brasil é um país totalmente corrupto. Eles são um país quebrado. As regras no Brasil foram erradas. E com o Lula se tornando presidente, eles vão se tornar uma colônia do Partido Comunista Chinês, basicamente.”
Quando se enfraquece quem produz, se entrega o território a interesses estrangeiros. Quando se divide o povo entre “bons” e “fascistas”, se abre caminho para a submissão.
O grito que não pode ser ignorado

Coroas fúnebres foram colocadas no parque da Expointer em Esteio (RS) durante abertura do evento que contou com a presença de ministros de Lula e em protesto pela demora na ajuda do governo federal. Foto: Mônica Rossi/Agro Estadão
O agro gaúcho está em luto. Mas esse luto é também um grito. O suicídio de produtores rurais não pode ser normalizado como “dano colateral” de políticas mal planejadas. Cada vida perdida é uma acusação contra o Estado que falhou em proteger seus cidadãos mais essenciais.
É hora de escolher: vamos continuar enterrando agricultores?
Vamos aceitar a submissão a interesses estrangeiros ou vamos defender a verdadeira soberania nacional?
Ignorar os alertas é aceitar a condição de inquilinos em nossa própria terra (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 29/9/25)

