25/02/2026

O roubo da luz: O banquete dos reis com o seu dinheiro - Por Paula Sousa

O roubo da luz: O banquete dos reis com o seu dinheiro - Por Paula Sousa

Programa Luz do Povo - Divulgação

Imagine a cena: uma sala de aula com crianças de 11 anos. O giz risca o quadro explicando o que é o PIS, COFINS, ICMS. De repente, o silêncio é quebrado por uma voz fina, mas carregada de uma clareza brutal: "Então, professora, quer dizer que somos escravos do governo?".

 

Como professora de história, filosofia e geografia, meu papel é abrir olhos, não vendar mentes. Enquanto universitários barbados e militantes de crachá se perdem em teorias mofadas, meus alunos do 6º ano mataram a charada em uma tarde. Eles entenderam que o Estado não produz um único grão de arroz. Tudo o que Brasília ostenta — da lagosta dos ministros aos "programas sociais" — é pago pelo suor dos pais deles.

 

Não existe almoço grátis. Se o governo diz que está dando "energia de graça", ele está apenas batendo na carteira do vizinho para pagar a conta. E o pior: 2026 chegou e a conta não só veio, como veio com juros de agiotagem política.

 

A cortina de fumaça do "clima seco"

 

A manchete de O Globo tenta ser gentil: “Conta de luz vai disparar em 2026 com clima seco e aumento de subsídios”. É a velha tática de culpar São Pedro pelas lambanças de São Bernardo. Dizem que os reservatórios estão baixos e as termelétricas, mais caras, precisam ser ligadas.

 

Mas vamos falar o que a mídia "passa-pano" sussurra: o problema real não é a falta de chuva, são os subsídios. Segundo a consultoria PSR, a tarifa residencial deve subir quase 8%, ficando quatro pontos percentuais acima da inflação (IPCA), que o Boletim Focus projeta em 3,95%.

 

Onde entra a mágica? No programa Luz do Povo, sancionado pelo governo (conforme o portal Gov.br). O nome é lindo, a realidade é um assalto. O governo tira dinheiro das famílias que trabalham para bancar a energia de outras. E todos sabemos como funcionam esses cadastros: entre um necessitado real, brotam mil "primos de prefeitos" e cupinchas políticos mamando na teta da gratuidade que você paga.

 

O Triângulo das Bermudas: Amazonas, Venezuela e os Batistas

 

Se o subsídio social já irrita, o "subsídio corporativo" é o que deveria fazer o brasileiro sair às ruas. O esquema é cinematográfico e envolve os velhos conhecidos: os irmãos Joesley e Wesley Batista.

 

A cronologia do "crime perfeito" é de dar inveja a qualquer roteirista de máfia:

 

  1. O "Negócio da China" (ou do Amazonas): Em maio de 2025, a Âmbar Energia (dos Batista) comprou 12 usinas termoelétricas da Eletrobras que ninguém queria (Fonte: G1). Estavam baratas porque davam prejuízo.

 

  1. A Canetada Salvador: Logo após a compra, surge uma Medida Provisória (MP) do governo Lula que garante a sustentabilidade dessas usinas. O resultado? Uma conta de R$ 2 bilhões por ano empurrada goela abaixo dos consumidores (Fonte: Gazeta do Povo).

 

  1. A Valorização Mágica: Com a MP, as usinas que foram compradas "a preço de banana" passaram a valer ouro. O prejuízo dos Batistas agora é seu. É o Mensalão 2.0: mais sofisticado, sem rastro de malas de dinheiro, apenas com decretos que transferem bilhões do seu boleto de luz para o bolso dos "amigos do rei".

 

E não para por aí. O Brasil voltou a comprar energia da Venezuela para abastecer Roraima (Fonte: Brasil de Fato). Mas o detalhe sórdido, revelado pela Revista Piauí, é que essa transação passa pela... adivinhe? Âmbar Energia.

 

O preço? Em 2019, pagávamos R$ 137 por MWh. Agora, a oferta da Âmbar, aprovada sem um pio pelo governo e chancelada pela ANEEL, é de R$ 1.080 por MWh. Um aumento de quase sete vezes. É o "petróleo barato" do Maduro virando energia de luxo no bolso do brasileiro, com uma escala técnica para abastecer os cofres do PT.

 

O medo da esquerda: O povo que sabe somar

 

Meus alunos de 11 anos mataram a charada: entenderam por que a conta de luz nos EUA é mais barata que no Brasil, mesmo sendo um país infinitamente mais rico. A resposta é curta: excesso de gente 'mamando na teta' de quem produz.

 

Eles perceberam que o empresário não é o monstro debaixo da cama; o verdadeiro vilão é o Estado que rasgou o contrato social. Esses meninos entenderam que grandes fortunas não surgem por acaso, mas que no Brasil o jogo é viciado: os 'amigos do rei' prosperam enquanto o sistema tributário vira um labirinto. E a lógica é implacável: sejam eles honestos ou não, os ricos não ficam para serem saqueados.

 

Eles movem seus bens, buscam novas residências fiscais ou simplesmente fecham as portas, deixando para trás um rastro de desemprego e prateleiras mais caras.

 

Os pais desses meninos pagam impostos para ter saúde, mas precisam pagar convênio. Pagam para ter segurança, mas pagam o vigia noturno que apita na rua. Pagam para ter educação, mas pagam a mensalidade da escola particular porque o Estado usa a sala de aula para fazer doutrinação, não para ensinar lógica.

 

A esquerda morre de medo de jovens que entendem de economia. Como disse o próprio "Painho": "Se o povo estudar e ganhar um pouco mais, não vota mais na gente". A manutenção da pobreza é um projeto de poder. Para ser o "pai dos pobres", você precisa garantir que os pobres continuem existindo.

 

O contrato quebrado

 

O Brasil de 2026 é um país onde o trabalhador acorda mais cedo para pagar a luz do vizinho "cadastrado", o lucro dos irmãos Batista e a energia superfaturada da ditadura venezuelana.

 

Meus alunos entenderam que o aumento do imposto e da luz impacta o preço do McDonald's, do smartphone, do videogame e da internet. Eles saíram da aula traumatizados, sim, mas vacinados contra narrativas. Eles viram que a "aristocracia socialista" de Brasília vive como realeza enquanto o povo escolhe qual conta vai atrasar no mês.

 

A sanha por controlar a educação existe porque a lógica é a maior inimiga do populismo. Se uma criança de 11 anos consegue enxergar que está sendo explorada, qual é a desculpa dos adultos que ainda batem palma para o próprio assalto?

 

A conta chegou. E ela não aceita o "L" como forma de pagamento. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 25/2/2026)