O sistema está se devorando – Por Paula Sousa

Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto Adriano Machado/Reuters
O Brasil assiste, em tempo real, ao espetáculo mais grotesco de sua história recente. O que está acontecendo nos bastidores de Brasília não é apenas um "desentendimento" entre compadres; é uma guerra de sobrevivência em um ninho de cobras e escorpiões. O PT e o STF, que caminharam de mãos dadas para ressuscitar o projeto de poder da esquerda, agora mostram que regimes corruptos são, por natureza, autofágicos. Como uma serpente que começa a comer o próprio rabo, eles estão se destruindo.
No apagar das luzes desta quinta-feira, 12 de fevereiro, as notícias confirmam que o caldeirão ferveu: Dias Toffoli foi forçado a abandonar a relatoria do caso Banco Master. Após uma reunião de emergência que se arrastou por horas, o desfecho seguiu um roteiro digno de cinema mudo — o ministro retira-se estrategicamente de cena enquanto a "claque" oficial, em um esforço coreografado, apressa-se em anunciar que está tudo sob absoluto controle.
A manobra fracassada de Toffoli
O escândalo do Banco Master é o fio do novelo que ameaça desmanchar a blindagem da nossa "aristocracia togada". Toffoli, o ministro que já foi advogado do PT e que ficou famoso pela alcunha de "amigo do amigo de meu pai", agora está no centro de um furacão que faz a Lava Jato parecer uma brincadeira de criança. A Polícia Federal, sob as ordens de um governo que descartou Toffoli como peso morto, desenterrou indícios que estraçalham a máscara de "simples amizade" com Daniel Vorcaro, o Jeffrey Epstein tupiniquim.
Como revelou Andreia Sadi (G1), a PF citou expressamente a lei sobre indícios de crimes cometidos por magistrados ao entregar ao STF o relatório sobre o celular de Vorcaro. Estamos falando de R$ 20 milhões. Estamos falando de um resort de luxo no Paraná, o Tayayá, que Toffoli admite ser sócio, mas que o povo da região trata como se ele fosse o dono absoluto. Segundo Débora Bergamasco (CNN) e Paulo Barros (InfoMoney), o "caminho do dinheiro" passa por sociedades simuladas e transferências que cheiram a propina de alto escalão.
Até ontem, Toffoli dobrava a aposta, exigindo que a PF entregasse todos os dados brutos em seu gabinete. Era a raposa cuidando do galinheiro. Ele queria as provas para saber exatamente o que a PF tinha contra ele e, claro, preparar o terreno para anular tudo. Mas o sistema sentiu o golpe. A pressão foi tanta que a cúpula do STF precisou se reunir para decidir quem seria sacrificado para salvar o resto da corte.
A reunião secreta e o "fumo" institucional
O clima da reunião convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, foi descrito como "ótimo" por Toffoli, mas quem conhece Brasília sabe o que isso significa. Toffoli foi emparedado. Os outros ministros, preocupados com a própria pele e com a desmoralização total do tribunal, forçaram a saída do colega.
A nota oficial publicada após o encontro é uma obra-prima do cinismo jurídico. Os 10 ministros declararam, em uníssono, que "não há suspeição ou impedimento" e que Toffoli é um exemplo de "dignidade". Ora, se está tudo certo, se o ministro é um santo e não há conflito de interesses, por que tirá-lo do caso? Se não há crime, por que o sorteio de um novo relator?
A resposta é óbvia: o sistema está tentando estancar o sangramento. Eles validaram todos os atos de Toffoli até aqui para evitar que as investigações contra o Banco Master voltem à estaca zero agora — o que seria um escândalo ainda maior. Eles deram um "apoio pessoal" a Toffoli enquanto o chutavam pela porta dos fundos da relatoria. É a política do "salve-se quem puder".
O sorteio maceteado e o juiz natural morto
Agora, o caso vai para a "livre distribuição". Quem será o sortudo? O mecanismo de sorteio do STF, aquele que ninguém pode auditar e que os ministros protegem com unhas e dentes, vai escolher o próximo protetor do Banco Master. Será Gilmar Mendes? Será Alexandre de Moraes? Façam suas apostas, mas o prêmio é sempre o mesmo: a impunidade.
Como bem lembrou a jurista Ludmila Lins Grilo, essa manobra fere de morte o princípio do juiz natural. A Constituição é clara: um juiz não pode simplesmente "desistir" de um processo porque a imprensa está batendo ou porque o clima ficou chato. Ou ele é suspeito e sai (o que invalidaria seus atos anteriores), ou ele fica. Essa "saída por faculdade" inventada na reunião de ontem é mais uma jabuticaba jurídica para rasgar a Constituição em nome da sobrevivência do sistema.
Do Master ao "golpe": A receita da perseguição
O paralelo com Alexandre de Moraes é inevitável. Enquanto Toffoli tentava proteger o Banco Master e a si mesmo, Moraes usava sua caneta para criar o inquérito das fake news e tentar varrer Jair Bolsonaro da vida pública. A receita é a mesma: o juiz escolhe o alvo e ignora as leis.
A diferença é que contra Bolsonaro, bateram por oito anos e não acharam um centavo. Precisaram inventar narrativas de golpe baseadas em "minutas de papel". Já no caso do Banco Master, o dinheiro está ali, documentado por Manoela Alcântara (Metrópoles) e Basília Rodrigues (SBT News). São resorts, notas fiscais e conversas de WhatsApp. O sistema não suporta a honestidade de Bolsonaro, mas protege a podridão de seus membros — até que o cheiro de carniça obrigue uma troca de relatoria.
Toffoli não aguentou dois meses de pressão. Bolsonaro aguentou oito anos de massacre mediático e judicial e o povo continuou ao seu lado. Isso é o que apavora o establishment. Eles sabem que são feitos de vidro, enquanto o apoio popular a Bolsonaro é de aço.
Lula vs. STF: A guerra pela sobrevivência
Não se engane: se a PF está batendo no Toffoli, é porque Lula autorizou. Mas não pense que é por sede de justiça. Lula é a criatura mais nefasta que já pisou nesta terra e cada movimento seu é calculado. Ele está usando o escândalo do Banco Master para queimar o STF e desviar o foco de uma bomba ainda maior: o escândalo do INSS.
O roubo no INSS é um câncer que atinge o coração do PT. Estão envolvidos o partido, o irmão de Lula e o filho de Lula. É o método petista clássico: assaltar os cofres dos idosos. Para evitar que o povo perceba que o PT está saqueando a previdência, Lula joga Toffoli aos leões. Ele quer mostrar que "está combatendo a corrupção", enquanto tenta abrir mais uma vaga no STF para colocar outro comparsa fiel, matando dois coelhos com uma cajadada só.
Lula nunca perdoou Toffoli por votos passados na Lava Jato. O rancor é o combustível desse governo. Ele quer punir quem não foi fiel o suficiente e, ao mesmo tempo, entregar a cabeça de um ministro ao Senado para acalmar a oposição.
Fico me perguntando: por que Alexandre de Moraes tentou convencer o Banco Central a não liquidar o Master? Porque o Master é o cofrinho que irriga os escritórios de advocacia de familiares e as campanhas da esquerda. É um esquema de retroalimentação: o banco financia o poder, e o poder protege o banco. Mas agora, com o relatório da PF exposto, a sujeira transbordou.
O ano da escolha: Nossa última chance
O que o PT e a cúpula do STF querem é governar sobre as cinzas de uma nação destruída. Eles não se importam com a moralidade. O plano é transformar o Brasil em um puxadinho de ditaduras, onde a lei só serve para punir o cidadão comum e proteger o "amigo do amigo".
Eles estão tentando destruir o que resta das instituições, exatamente como fizeram com a Lava Jato. Querem que você acredite que tudo foi uma "armação". O celular de Vorcaro é a caixa de Pandora que eles tentaram trancar no porão, mas a tampa voou. Toffoli saiu da relatoria, mas o crime continua lá.
Este ano é o marco zero. É a nossa última oportunidade de retirar essas criaturas da vida pública. O regime é autofágico, mas ele pode levar o Brasil inteiro para o abismo antes de morrer. A nota de "apoio pessoal" a Toffoli é a certidão de óbito da imparcialidade do STF. Se eles se uniram para proteger um colega pego com indícios de R$ 20 milhões na mão, imagine o que não farão para proteger a si mesmos.
A máscara caiu. O teatro acabou. O que sobrou foi um rosto desfigurado pela ganância. O despertar do povo é o único antídoto contra esse veneno. Ou limpamos o Brasil agora, elegendo Flávio Bolsonaro e um Senado de coragem em 2026, ou seremos cúmplices do nosso próprio fim sob as botas de uma ditadura togada e um governo corrupto. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 13/2/2026)

