06/04/2026

O tabuleiro foi montado – Por Rodrigo Simões

O tabuleiro foi montado – Por Rodrigo Simões

A janela partidária se fechou — e, com ela, encerra-se uma das fases mais estratégicas da política brasileira.

Mais do que simples trocas de legenda, o movimento redesenhou forças, revelou fragilidades e antecipou o clima de disputa que marcará as próximas eleições.

O jogo, agora, começa de verdade. O tabuleiro está posto — e cada peça já ocupa sua posição.

 

♟️ O jogo começou

 

Com o fim da janela partidária, os bastidores deram lugar à realidade.

Agora não há mais espaço para especulação: os partidos estão definidos, as bancadas redesenhadas e os interesses expostos.

É a política em sua essência — movimento, estratégia e sobrevivência.

 

???? PL: crescimento com direção

 

O Partido Liberal, do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o grande destaque da janela.

Saltou de 86 para 101 deputados federais — um crescimento expressivo de +15 cadeiras.

Mais do que números, o movimento demonstra força política, organização e um campo ideológico consolidado.

 

???? União Brasil: uma queda que chama atenção

 

O União Brasil viveu o movimento inverso.

Perdeu 15 deputados, passando de 59 para 44 — um esvaziamento significativo.

A legenda, que buscava protagonismo, vê sua musculatura política diminuir em um momento decisivo.

 

⚖️ PSD e os limites do “meio do caminho”

 

O Partido Social Democrático (PSD) apresentou uma retração inesperada em pontos estratégicos.

A tentativa de se posicionar como uma ponte entre polos opostos da política brasileira parece ter encontrado limites claros diante da polarização crescente.

Em tempos de definição, o eleitor e os próprios políticos tendem a escolher lados — e não o meio.

 

???? PT: estabilidade que revela desgaste

O Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, praticamente não se movimentou.

Manteve-se na casa dos 66 a 67 deputados — um número estável, mas que revela um cenário morno.

Em política, não crescer também é um sinal. E, neste caso, pode indicar desgaste, desconfiança e falta de atratividade para novas lideranças.

 

???? Os números da janela

 

???? Dados consolidados até o fechamento desta coluna (03/04):

 

Top 5 – os que mais cresceram:

  • PL: 86 → 101 (+15)
  • Podemos: 16 → 24 (+8)
  • PSDB: 14 → 19 (+5)
  • PP: 50 → 54 (+4)
  • PSB: 16 → 20 (+4)

 

Os que mais perderam:

  • União Brasil: 59 → 44 (-15)
  • PDT: 16 → 6 (-10)
  • MDB: 42 → 37 (-5)
  • Avante: 8 → 4 (-4)
  • PT: 67 → 66 (-1)

 

???? Podemos em ascensão

 

O Podemos foi um dos destaques positivos da janela.

A legenda ampliou significativamente sua bancada, saltando de 16 para 24 deputados.

Entre os novos nomes, destaque para o deputado Delegado Palumbo, que deixou o MDB e reforça o partido em um momento de crescimento.

 

???? Felício Ramuth: fortalecimento político

 

A mudança partidária do vice-governador Felício Ramuth também merece destaque.

Ao deixar o PSD e ingressar no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Felício não apenas reposiciona sua trajetória, como fortalece a legenda no cenário estadual.

Político leal, alinhado ao governador Tarcísio de Freitas, Felício demonstra consistência, trabalho e credibilidade.

Sai da janela maior do que entrou.

 

???? Muito além das trocas

 

A janela partidária não é apenas uma troca de siglas.

Ela revela tendências, expõe fragilidades e antecipa movimentos eleitorais.

Quem cresceu, chega mais forte. Quem perdeu espaço, precisará correr contra o tempo.

 

???? Conclusão

 

O cenário está desenhado.

Os partidos já sabem o tamanho de suas forças — e de suas limitações.

Agora, começa o verdadeiro jogo político.

E, como sempre, quem decide o resultado final é o eleitor.

 

(✍???? Rodrigo Simões; Jornalista • Administrador de Empresas; Pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP; 2× Vereador por Ribeirão Preto • Presidente da Câmara (2017); Ex-Presidente da FUNTEC; Colunista – Brasil Agro; Apresentador do Podcast Clube do Povo; 6/4/26)