O tabuleiro foi montado – Por Rodrigo Simões
A janela partidária se fechou — e, com ela, encerra-se uma das fases mais estratégicas da política brasileira.
Mais do que simples trocas de legenda, o movimento redesenhou forças, revelou fragilidades e antecipou o clima de disputa que marcará as próximas eleições.
O jogo, agora, começa de verdade. O tabuleiro está posto — e cada peça já ocupa sua posição.
♟️ O jogo começou
Com o fim da janela partidária, os bastidores deram lugar à realidade.
Agora não há mais espaço para especulação: os partidos estão definidos, as bancadas redesenhadas e os interesses expostos.
É a política em sua essência — movimento, estratégia e sobrevivência.
???? PL: crescimento com direção
O Partido Liberal, do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o grande destaque da janela.
Saltou de 86 para 101 deputados federais — um crescimento expressivo de +15 cadeiras.
Mais do que números, o movimento demonstra força política, organização e um campo ideológico consolidado.
???? União Brasil: uma queda que chama atenção
O União Brasil viveu o movimento inverso.
Perdeu 15 deputados, passando de 59 para 44 — um esvaziamento significativo.
A legenda, que buscava protagonismo, vê sua musculatura política diminuir em um momento decisivo.
⚖️ PSD e os limites do “meio do caminho”
O Partido Social Democrático (PSD) apresentou uma retração inesperada em pontos estratégicos.
A tentativa de se posicionar como uma ponte entre polos opostos da política brasileira parece ter encontrado limites claros diante da polarização crescente.
Em tempos de definição, o eleitor e os próprios políticos tendem a escolher lados — e não o meio.
???? PT: estabilidade que revela desgaste
O Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, praticamente não se movimentou.
Manteve-se na casa dos 66 a 67 deputados — um número estável, mas que revela um cenário morno.
Em política, não crescer também é um sinal. E, neste caso, pode indicar desgaste, desconfiança e falta de atratividade para novas lideranças.
???? Os números da janela
???? Dados consolidados até o fechamento desta coluna (03/04):
Top 5 – os que mais cresceram:
- PL: 86 → 101 (+15)
- Podemos: 16 → 24 (+8)
- PSDB: 14 → 19 (+5)
- PP: 50 → 54 (+4)
- PSB: 16 → 20 (+4)
Os que mais perderam:
- União Brasil: 59 → 44 (-15)
- PDT: 16 → 6 (-10)
- MDB: 42 → 37 (-5)
- Avante: 8 → 4 (-4)
- PT: 67 → 66 (-1)
???? Podemos em ascensão
O Podemos foi um dos destaques positivos da janela.
A legenda ampliou significativamente sua bancada, saltando de 16 para 24 deputados.
Entre os novos nomes, destaque para o deputado Delegado Palumbo, que deixou o MDB e reforça o partido em um momento de crescimento.
???? Felício Ramuth: fortalecimento político
A mudança partidária do vice-governador Felício Ramuth também merece destaque.
Ao deixar o PSD e ingressar no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Felício não apenas reposiciona sua trajetória, como fortalece a legenda no cenário estadual.
Político leal, alinhado ao governador Tarcísio de Freitas, Felício demonstra consistência, trabalho e credibilidade.
Sai da janela maior do que entrou.
???? Muito além das trocas
A janela partidária não é apenas uma troca de siglas.
Ela revela tendências, expõe fragilidades e antecipa movimentos eleitorais.
Quem cresceu, chega mais forte. Quem perdeu espaço, precisará correr contra o tempo.
???? Conclusão
O cenário está desenhado.
Os partidos já sabem o tamanho de suas forças — e de suas limitações.
Agora, começa o verdadeiro jogo político.
E, como sempre, quem decide o resultado final é o eleitor.
(✍???? Rodrigo Simões; Jornalista • Administrador de Empresas; Pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP; 2× Vereador por Ribeirão Preto • Presidente da Câmara (2017); Ex-Presidente da FUNTEC; Colunista – Brasil Agro; Apresentador do Podcast Clube do Povo; 6/4/26)

