18/09/2026

Onde está o agro? Veja as 10 cidades que lideram a produção no Brasil

Onde está o agro? Veja as 10 cidades que lideram a produção no Brasil

Área de cultivo deve permanecer estável em 2026/27. Foto Jim Vondruska Reuters

 

O mapa da agricultura brasileira mudou de posição em 2025. Sapezal, em Mato Grosso, assumiu a liderança entre os municípios com maior valor de produção agrícola do país, deixando Sorriso, também mato-grossense, na terceira colocação. São Desidério, na Bahia, ficou em segundo lugar.

Os dados fazem parte da PAM Pesquisa da Produção Agrícola Municipal 2025, divulgada nesta quinta-feira (17) pelo IBGE. No ano passado, o valor da produção agrícola brasileira atingiu o recorde de R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4% em relação a 2024.

 

A mudança no topo chama atenção porque Sorriso ocupava a primeira posição havia seis anos. Em 2025, porém, Sapezal alcançou R$ 8,59 bilhões em valor da produção agrícola. São Desidério registrou R$ 8,22 bilhões, enquanto Sorriso chegou a R$ 8,16 bilhões.


Juntos, os dez municípios somaram cerca de R$ 65,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente 7,1% de todo o valor gerado pelas lavouras brasileiras em 2025.

 

O ranking revela uma forte concentração territorial da agricultura de maior valor. Cinco dos dez municípios estão em Mato Grosso, três ficam em Goiás e dois estão na Bahia.

 

Não é por acaso. Mato Grosso foi também o estado com maior valor de produção agrícola do país, com R$ 165,6 bilhões em 2025. O Centro-Oeste, por sua vez, alcançou R$ 288 bilhões, ultrapassando o Sudeste.

 

Sapezal assume o topo

 

A liderança de Sapezal está diretamente ligada ao peso do algodão na agricultura do município. Em 2025, o algodão respondeu por R$ 5,13 bilhões do valor da produção agrícola local. A soja também teve participação relevante, com R$ 2,8 bilhões, enquanto o milho respondeu por cerca de R$ 657 milhões.

 

O resultado ajudou Sapezal a registrar crescimento de 46,6% no valor da produção agrícola em relação a 2024.

 

A cidade fica no oeste de Mato Grosso, uma das principais regiões brasileiras de produção de grãos e fibras. A combinação de soja, milho e algodão faz com que o município tenha uma produção agrícola de valor elevado mesmo sem depender exclusivamente de uma única cultura.

 

A soja domina o ranking

 

Apesar da liderança de Sapezal estar associada ao algodão, a fotografia dos dez maiores municípios mostra o peso da soja na agricultura brasileira. O grão é o principal produto agrícola em grande parte das cidades que aparecem no topo da lista. A soja também foi, de longe, a cultura de maior valor no país em 2025, com R$ 315,2 bilhões, cerca de um terço de todo o valor da produção agrícola brasileira.

 

A concentração ajuda a explicar por que municípios de Mato Grosso, Goiás e do oeste da Bahia aparecem com tanta força entre os maiores produtores. São regiões que, nas últimas décadas, ampliaram a área e a produtividade das lavouras e passaram a ocupar uma posição central na produção brasileira de commodities agrícolas.

 

Sorriso cai, mas continua entre os gigantes

 

A terceira colocação de Sorriso não significa que a cidade tenha deixado de crescer. O município registrou R$ 8,16 bilhões em valor da produção agrícola em 2025, mas foi ultrapassado por Sapezal e São Desidério.

 

Há ainda um componente territorial nessa mudança. A produção que antes era contabilizada dentro dos limites de Sorriso passou a ser distribuída também pelo novo município de Boa Esperança do Norte, instalado em 2025.

 

Com isso, parte da produção agrícola que aparecia anteriormente nas estatísticas de Sorriso passou a ser registrada separadamente.

A mudança é relevante para a leitura do ranking porque mostra que uma alteração administrativa pode mudar a posição de um município na estatística agrícola — sem necessariamente representar uma perda equivalente de atividade econômica na região.

 

Bahia ganha espaço entre os grandes produtores

 

A Bahia colocou dois municípios entre os cinco maiores produtores agrícolas do país: São Desidério e Formosa do Rio Preto. Os dois estão no oeste baiano, região que integra a fronteira agrícola conhecida como Matopiba — confluência entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

São Desidério ficou em segundo lugar, com R$ 8,22 bilhões, enquanto Formosa do Rio Preto alcançou R$ 5,89 bilhões.

 

O que o ranking revela sobre o agro brasileiro

 

O ranking mostra onde está concentrada uma parcela importante da riqueza gerada pelas lavouras brasileiras. Os dez municípios do topo respondem por cerca de R$ 66 bilhões, mas o fenômeno se repete em escala estadual: Mato Grosso, sozinho, concentra quase R$ 166 bilhões em valor de produção agrícola.

 

Ao mesmo tempo, o recorde nacional de R$ 927,2 bilhões mostra que 2025 foi um ano excepcional para a agricultura brasileira. A safra de cereais, leguminosas e oleaginosas também bateu recorde, chegando a 345,4 milhões de toneladas. A recuperação da produtividade de culturas como soja e milho, depois de problemas climáticos que afetaram a produção em 2024, contribuiu para o resultado (CNN, 17/9/26)

 

MT: Sapezal supera Sorriso e tem maior valor de produção agrícola do País

 

Município de Sapezal (MT) gerou R$ 8,6 bilhões em 2025 em produção agrícola, 46,6% mais que no ano anterior — Foto Sedtur-MT

 

Por unidades da federação, Mato Grosso segue como destaque no ranking.

 

Após seis anos liderando o valor de produção agrícola entre municípios do país, Sorriso, em Mato Grosso, perdeu a primeira posição. O município de Sapezal, também em Mato Grosso, agora detém maior valor de produção agrícola do Brasil. A cidade gerou R$ 8,6 bilhões em 2025, 46,6% mais que no ano anterior. O dado consta da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sorriso deteve maior valor agrícola municipal entre 2019 e 2024. No ano passado, ocupou terceiro lugar.

 

Sorriso perdeu a liderança no ranking por dois motivos, segundo Henrique Noronha, pesquisador do IBGE. O primeiro foram aumentos expressivos, em Sapezal, na colheita e no valor da produção de algodão, soja e milho, em 2025 na comparação com o ano anterior.

 

Em algodão herbáceo, o valor gerado foi de aproximadamente R$ 5,1 bilhões, no ano passado. Soja e milho tiveram altas de produção de 51,4% e 58,1%, no ano passado em relação a 2024, em Sapezal. Em 2025, a soja gerou R$ 2,8 bilhões e o milho, R$ 656,9 milhões, no município. O IBGE destacou ainda a cultura do feijão, em Sapezal, que teve alta de 43,5% na área colhida, com valor gerado de R$ 13,8 milhões, em 2025.

 

“E Sorriso teve perda de área”, acrescentou Noronha. Ele se refere à perda de território do município mato-grossense, em 2025, para formar outra cidade, Boa Esperança do Norte. Esse novo município foi constituído com 20% de terras de Sorriso e por 80% de área de outra cidade mato-grossense, Nova Ubiratã.

 

Assim, parte da produção, que antes era somente de Sorriso, foi dividida com o novo município. Como resultado, Sorriso teve queda de 9,3% em área plantada em 2025 sobre o ano anterior, com destaques para as retrações nas áreas de soja ( -8,3%); milho (-10,0%); algodão (-19,7%) e feijão (-16%).

 

A segunda posição no ranking de valor de produção agrícola, entre os municípios brasileiros foi ocupada por São Desidério, na Bahia, em 2025, com R$ 8,2 bilhões, aumento de 23,8% em relação ao valor gerado no ano precedente.

 

Sorriso, agora um município menor, ficou na terceira posição em valor da produção agrícola, com R$ 8,1 bilhões, alta de 13,8% sobre 2024.

 

Por grandes regiões, o Centro-Oeste liderou o valor de produção agrícola no Brasil em 2025, com R$ 288 bilhões, seguido por Sudeste (R$ 271 bilhões), Sul (R$ 181,1 bilhões), Nordeste (R$ 113,7 bilhões) e Norte (R$ 73,4 bilhões).

 

Por unidades da federação, o Mato Grosso seguiu como destaque no valor da produção agrícola do país e representou 17,9% do total. O Estado gerou R$ 165,97 bilhões no ano passado, aumento de 37,1% sobre 2024. Um contexto mais favorável à demanda de culturas produzidas em Mato Grosso contribuiu para o resultado.

 

Os pesquisadores do IBGE lembraram que em 2025 a “guerra tarifária” entre Estados Unidos e China fez com que o país asiático aumentasse a procura pela soja do Brasil – a oleaginosa é a principal cultura em Mato Grosso. Também houve crescimento da demanda brasileira por milho, no ano passado, outro item importante produzido no Mato Grosso. Houve aumento na procura pelo grão devido à expansão da fabricação de ração animal e à crescente utilização do cereal para a produção de etanol, detalharam os pesquisadores (Globo Rural, 17/9/26)