Oposição flerta com o abismo – Por Dora Kramer
Governador Tarcísio de Freitas do Estado de São Paulo. Foto Reprodução Facebook
- Se não abrir o olho e ficar esperta, direita pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo
- Lula canta vitória na retórica, mas trabalha consciente de que há dificuldades a superar na batalha eleitoral
Se a direita não ficar esperta, se insistir em confrontar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo. Esse flerte com o abismo geralmente assola quem sobe no salto antes do tempo.
É dessa altura traiçoeira que o PL e Jair & filhos parecem enxergar a cena eleitoral em alguns territórios que consideram dominados. Em Santa Catarina, o partido rifa a candidatura ao Senado da deputada Caroline de Toni —ultradireitista, bolsonarista de todos os costados disponíveis— para apostar num Carlos Bolsonaro importado do Rio de Janeiro e, com isso, produzir um racha na direita local.
Em São Paulo, há ameaças de lançamentos de nomes ao governo do estado para competir com Tarcísio no mesmo campo. A briga entra pela indicação de candidatos a vice e ao Senado mais identificados com o bolsonarismo, contrariando a lógica da aliança de políticos da centro-direita para ampliar o escopo de atração do eleitorado.
Enquanto a oposição desorganiza o próprio terreiro, o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) mostra que não está para brincadeiras. Entra em campo pintado para a guerra. E com a vantagem de reconhecer as desvantagens.
No palanque, Lula canta vitória na retórica, mas na prática atua com consciência das dificuldades. Soou claríssima a convocatória pública para Geraldo Alckmin (PSB) e Fernando Haddad (PT) cumprirem "papel importante" em São Paulo.
Está ainda obscura, mas evidentemente em curso, qual a jogada que o presidente fará para compor a chapa à reeleição. O impacto da aliança com Alckmin em 2022 passou. Precisará de outro lance igualmente impactante para afastar os oponentes da direita dos calcanhares.
Na boca de cena desenha-se a cooptação do MDB. No bastidor, no entanto, é que se rabisca o roteiro dos próximos capítulos. Neles, não é prudente descartar o papel de protagonista engajado que venha a desempenhar Gilberto Kassab com um capital de três pretendentes à Presidência no PSD (Folha, 10/2/26)

