18/02/2026

Otoni de Paula: Desfile foi "strike de ridicularização" a diversos grupos

Otoni de Paula: Desfile foi

 

O deputado federal Otoni de Paula. Foto Reprodução/CNN

       

Na avaliação do deputado, PT mostrou "arrogância" em relação a desfile que homenageou Lula e comportamento pode favorecer direita nas eleições.

 

Em entrevista à CNN nesta terça-feira (17), o deputado federal e pastor Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou que o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um "strike de ridicularização" a diversos grupos, incluindo evangélicos e conservadores.

 

O deputado citou "arrogância" do PT (Partido dos Trabalhadores) nas decisões envolvendo o evento. Na avaliação de Otoni, tal comportamento pode beneficiar a direita nas eleições.

 

"Eu já acho que a única coisa que pode nos beneficiar de ganhar essa eleição, de voltar ao poder, é a arrogância do PT. Arrogância mostrada na análise rasa dos dirigentes do PT de acharem que não vai haver consequência nenhum no diálogo com a comunidade evangélica o fato de o presidente Lula estar participando de uma escola de samba que resolveu ridicularizar a comunidade evangélica", começou.

 

"Na verdade, foram vários grupos sendo ridicularizados: os conservadores, que nem sempre são evangélicos, nem sempre são católicos, podem ser espíritas, podem não ter religião nenhuma e são conservadores. A Igreja foi ridicularizada e a família, de uma maneira geral, foi ridiculariza. Foi um strike de ridicularização que de uma vez só cai no colo do presidente Lula", acrescentou.

 

Na noite do último domingo (15), a Acadêmicos de Niterói apresentou uma ala batizada de “neoconservadores em conserva". A fantasia trazia uma lata, representando uma família tradicional, composta por um homem, uma mulher e os filhos.

Na cabeça, os componentes traziam adereços variados com referência ao agronegócio, a uma mulher de classe alta, aos defensores da ditadura militar e aos evangélicos.

 

A encenação motivou diversas críticas da oposição, que chegou a acionar a PGR (Procuradoria-Geral da República).

desfile também virou alvo de mais de dez ações na Justiça que citam possíveis casos de propaganda antecipada, abuso de poder político e econômico e uso indevido de recursos públicos (CNN Brasil, 17/2/26)

 



Otoni de Paula à CNN: Lula não dialogará com igreja se falar com bolha

Lula desce de camarote na Sapucaí e beija bandeira da Acadêmicos de Niterói. Foto Reprodução Blog Cerensada da Gema

 

Deputado afirma ao Bastidores CNN que críticas ao desfile da Acadêmicos do Niterói transcendem o bolsonarismo e atingem conservadores e defensores da família que se sentiram ofendidos

 

O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou em entrevista ao Bastidores CNN que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguirá dialogar com a igreja evangélica enquanto continuar aderindo à sua bolha política. Segundo o parlamentar, a presença de Lula no desfile da escola de samba Acadêmicos do Niterói foi um erro estratégico que distanciou ainda mais o governo do eleitorado conservador.

 

"Tenho pago um preço político muito caro porque levantei uma bandeira dizendo que a igreja não é de direita e não é de esquerda, e comecei uma campanha para igreja dessa polarização política, ou seja, a igreja está acima dessa discussão", iniciou o deputado: "E isso facilitou o próprio governo porque jogamos luz a um processo de destruição interna, onde irmãos nossos que votavam, em Lula estavam sendo excomungados".

 

Otoni avaliou que o governo comete equívocos na comunicação com os evangélicos ao se associar a movimentos progressistas. "Mas, o governo erra quando ele se permite confundir com o progressismo identitário, quando ele permite ser confundido com esses movimentos progressistas de ataque ao conservadorismo, de ataque à família. São esses movimentos que encontram guarida na esquerda fazem com que a esquerda não consiga falar com os conservadores da igreja", declarou."

 

Em menos de 24h, oposição anuncia ao menos 12 ações sobre desfile pró-Lula

 

"Então, por mais que o presidente Lula não seja um progressista, e eu acredito que ele não é, que ele seja conservador - até porque a esquerda de onde Lula vem, é a esquerda sindical e lá não há progressismo identitário - ele não vai conseguir dialogar com a igreja enquanto continuar aderindo a sua bolha", opinou Otoni.

 

O parlamentar argumentou que as críticas ao desfile da Acadêmicos do Niterói não são exclusivamente bolsonaristas, mas representam uma insatisfação mais ampla. "Este movimento de revolta e de sinalização de que nós não concordamos com o que nós vimos não é um movimento bolsonarista apenas. Ele é um movimento daqueles que são conservadores e não são bolsonaristas, são de direita e não são bolsonaristas, valorizam a família e não são bolsonaristas e que se sentiram ofendidos", explicou.

 

Impacto nas eleições

 

Otoni de Paula avalia que o episódio do desfile pode ter consequências eleitorais para o governo. Segundo ele, Lula não perderia votos se tivesse evitado comparecer ao evento, mas sua presença pode ter alienado potenciais eleitores. "Quantos votos que Lula perderia se ele tivesse sido cuidadoso em não ir, ele, Lula, no desfile da Acadêmicos de Niterói? Nenhum. Até porque a extrema-esquerda não tem outro candidato", afirmou.

 

O deputado também criticou a postura do PT diante das reações ao desfile. "Aí vem os diretores do PT dizendo que não, não vai ter barulho nenhum. Ora, não quer que haja barulho? Esse país é um país conservador, esse país é um país cristão e esse país é um país que valoriza a família", disse.

 

"Eu que não sou bolsonarista, sou de direita, conservador, me revoltei. Lula conseguiu, com essa falta de cuidado, começar um movimento que transcende o bolsonarismo", apontou o deputado: "O PT calculou mal, e se preparem que isso terá impactos na eleição".

 

Para o parlamentar, o episódio representa uma "pá de cal" na tentativa de aproximação entre Lula e os evangélicos, o que considera prejudicial para a democracia. "É muito ruim porque acaba que o campo evangélico se firma em um lado da polarização como se esse lado fosse o enviado de Deus e não é", concluiu (CNN Brasil, 17/2/26)