09/03/2026

Petróleo dispara rumo a US$ 120 o barril, o maior valor desde 2020

Petróleo dispara rumo a US$ 120 o barril, o maior valor desde 2020

Foto Reprodução Blog CNN Brasil

 

  • Investidores apostam que ampliação do conflito no Oriente Médio levará a interrupção no fornecimento por semanas
  • Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, disse em rede social que a disparada é pequeno preço a pagar por "segurança e paz"

petróleo disparou e ruma à marca de US$ 120 por barril com os maiores produtores do Oriente Médio reduzindo a produção, o estreito de Hormuz praticamente fechado e os EUA ameaçando aprofundar um conflito que virou os mercados de energia de cabeça para baixo.

 

O Brent disparou até 29%, chegando a US$ 119,50 por barril, o maior nível desde abril de 2020, enquanto o West Texas Intermediate saltou 31%. Kuwait e Emirados Árabes Unidos começaram a cortar produção à medida que os estoques se enchem rapidamente com o fechamento de Hormuz. O Iraque começou a suspender a produção na semana passada.

 

guerra no Oriente Médio não dá sinais de recuo após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã há mais de uma semana. A paralisação do tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz — uma estreita via navegável que normalmente movimenta um quinto do petróleo mundial — e os ataques à infraestrutura energética elevaram os preços do petróleo bruto e do gás natural.

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a disparada do petróleo em uma publicação noturna em sua plataforma Truth Social, dizendo que os movimentos de curto prazo são "um preço muito pequeno a pagar" pelos EUA, pelo mundo e pela paz. Ele acrescentou que os preços cairão rapidamente "quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar".

 

Mais de uma dúzia de países foram tragados pelo conflito, que alimentou temores de uma crise inflacionária. Os preços da gasolina no varejo nos EUA saltaram para o maior nível desde agosto de 2024, representando um desafio significativo para Trump e seu partido nas eleições de meio de mandato ainda este ano.

 

Ainda assim, Trump segue em frente com a guerra e, em uma publicação nas redes sociais no início de sábado, disse que os EUA considerarão atacar áreas e grupos no Irã que antes não eram considerados alvos. Os comentários vieram após o presidente iraniano Masoud Pezeshkian jurar não recuar.

 

O Irã nomeou o filho do falecido aiatolá Ali Khamenei como seu novo líder supremo, informou a agência de notícias Fars no domingo, com a Guarda Revolucionária Islâmica prometendo obediência ao novo líder. Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA ordenou a saída de funcionários americanos da Arábia Saudita, segundo o New York Times, que cita fontes anônimas.

 

"O nível de US$ 100 pode ser apenas uma meta de preço de curto prazo a caminho de patamares mais altos, à medida que o conflito se arrasta", disse Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates. "A produção está sendo represada porque os estoques estão se enchendo e os navios-tanque não conseguem carregar."

 

As interrupções na produção de petróleo do Oriente Médio podem se expandir para mais de 4 milhões de barris por dia até o final da próxima semana, à medida que os estoques se enchem e os gargalos persistem, escreveram analistas do JPMorgan Chase, incluindo Natasha Kaneva, em nota datada de 8 de março. A região responde por aproximadamente um terço da produção global.

 

Mais infraestrutura energética importante foi ameaçada no fim de semana, com a Arábia Saudita interceptando e destruindo drones com destino ao campo petrolífero de Shaybah, de 1 milhão de barris por dia. Na semana passada, o reino foi forçado a suspender as operações na refinaria de Ras Tanura, a maior do país, e busca desviar embarques para seus portos no Mar Vermelho após o fechamento de Hormuz.

 

A alta dos preços de energia, incluindo produtos como o óleo diesel, está se espalhando pelo mercado. O governo chinês ordenou que as principais refinarias do país suspendam as exportações de diesel e gasolina, e a Coreia do Sul avalia se introduz um teto de preços para o petróleo pela primeira vez em 30 anos.

 

Em sinal de aperto no curto prazo, o spread prompt do Brent — a diferença entre seus dois contratos mais próximos — ampliou-se para mais de US$ 8,10 por barril em backwardation, padrão de alta. A diferença era de apenas 62 centavos há um mês.

 

"No momento, o maior temor ainda é a interrupção dos fluxos pelo estreito de Hormuz", disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, em Chicago. "As suspensões de produção importam, mas o que realmente preocupa o mercado são os barris que não conseguem se mover" (Folha, 9/3/26)