25/07/2025

Plantio do trigo se encerra no Sul do Brasil com redução de área semeada

Plantio do trigo se encerra no Sul do Brasil com redução de área semeada

Foto Marcelo Curia

Condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento do trigo no Rio Grande do Sul; no Paraná, geadas afetaram algumas lavouras — Foto: Marcelo Curia

 

Mesmo com lavoura menor, primeiras estimativas são de aumento da produtividade da cultura.

 

O plantio do trigo nos dois principais produtores do Brasil, Rio Grande do Sul e Paraná, está praticamente concluído. Nos dois Estados, estima-se uma redução da área plantada. De acordo com a Emater-RS, a diminuição é reflexo do risco climático para a cultura, dos preços e baixa demanda por crédito para custeio, além do endividamento e à restrição ao seguro rural via Proagro pelos produtores.

 

Segundo boletim da Emater-RS, aproximadamente 97% da área gaúcha estimada para o trigo já foi plantada, um avanço em relação aos 92% registrados na semana anterior, aos 93% no mesmo período da safra passada e aos 95% da média histórica.

 

As lavouras restantes se concentram em regiões de clima mais frio, onde a janela de plantio é mais longa conforme o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), o que visa reduzir riscos como geadas tardias em fases sensíveis da cultura.

 

A área cultivada no Rio Grande do Sul é estimada em 1.198.276 hectares, uma redução de 10% em relação à safra passada. Já a expectativa inicial de produtividade é de 2.997 quilos por hectare, um aumento de 7,77% ante a temporada anterior, segundo projeções da Emater.

 

Paraná

 

Já o Paraná concluiu nesta semana o plantio de trigo, registrando uma área 27% menor em comparação ao ano passado.

 

Segundo boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, foram plantados 833,4 mil hectares. Em 2024 a área chegava a 1,134 milhão de hectares.

 

“As condições estavam excelentes até 25 de junho, porém as geadas impactaram as lavouras em estágios reprodutivos, que se concentravam à época na região Norte”, explicou Carlos Hugo Godinho, analista de trigo do Deral.

 

No próximo dia 31 de julho, o Deral divulgará a primeira estimativa de produção após o evento climático. Há expectativa de que o volume fique abaixo dos 2,7 milhões de toneladas previstos na projeção anterior. Na safra 2023/24, o Paraná colheu 2,3 milhões de toneladas, enquanto na temporada 2022/23 a produção foi de 3,6 milhões de toneladas.

 

Godinho destaca que o principal sinal de redução vem da atual condição das lavouras. Atualmente, 82% da área está classificada como em boas condições, 11% como médias e 7% em condições ruins. Antes do frio intenso, 99% das lavouras estavam em boas condições e apenas 1% em condição média.

 

“Também já preocupa o grande número de dias sem chuvas na maior parte dos municípios do Estado, sendo as precipitações previstas para os próximos dias aguardadas com muita ansiedade no campo”, acrescentou o analista.

 

Desenvolvimento das lavouras

 

No Rio Grande do Sul, as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras, segundo o boletim da Emater-RS. As chuvas ocorridas entre os dias 16 e 17 de julho estimularam a germinação, contribuíram para uma população mais uniforme de plantas e favoreceram a retomada do crescimento vegetativo, que havia sido impactado pela baixa umidade do solo.

 

Antes dessas precipitações, muitos produtores anteciparam a aplicação de adubação nitrogenada em cobertura, nos dias 15 e 16 de julho. A operação ocorreu sob condições técnicas consideradas ideais, com bom aproveitamento do nitrogênio e menor risco de compactação do solo, já que o tráfego de máquinas foi realizado com níveis reduzidos de umidade.

 

A reposição hídrica também permitiu o manejo de plantas daninhas por meio da aplicação de herbicidas em pós-emergência. No aspecto fitossanitário, houve intensificação no monitoramento e aplicação preventiva de fungicidas, em razão do aumento da umidade, que pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas.

 

Temperaturas mais amenas antes das chuvas também contribuíram para o aumento da população de pulgões, especialmente na região Noroeste do Estado. Diante desse cenário, produtores seguem com o monitoramento e, quando necessário, realizam o controle com inseticidas para proteger o desenvolvimento das lavouras.

 

Outras culturas de inverno

 

A semeadura da aveia branca e da cevada foi concluída dentro do período recomendado no Rio Grande do Sul. Após cerca de 20 dias de tempo seco, a ocorrência de chuvas com volume moderado beneficiou o desenvolvimento das lavouras.

 

No caso da canola, a semeadura também foi encerrada, e as precipitações bem distribuídas auxiliaram na retomada do crescimento das plantas e na evolução das fases fenológicas da cultura, aponta a Emater.

 

As lavouras de cevada, atualmente em fase de desenvolvimento vegetativo, apresentam bom estabelecimento inicial, segundo o boletim (Globo Rural, 24/7/25)