28/01/2026

População em estado de pobreza aumenta em países desenvolvidos

População em estado de pobreza aumenta em países desenvolvidos

Moradores de rua em San Diego, na Califórnia - Mike Blake-Reuters

 

 

  • Estados Unidos, Reino Unido e França estão na lista; números caem em Itália e Espanha
  • Brasil, com programas de transferência de renda, diminuiu taxa de pobreza extrema para 3,5%

 

Por Mauro Zafalon

 

A taxa de pobreza está aumentando nos países desenvolvidos, mesmo após a desaceleração mundial dos preços dos alimentos. Acompanhamento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) indicou que a alimentação tem peso muito menor atualmente do que nos anos 2022 e 2023, quando a pandemia e a invasão da Ucrânia pela Rússia, dois países com forte importância no mercado mundial de alimentos, forçaram uma alta nos preços internacionais.

 

Pelo menos 6 milhões de pessoas da regiões não metropolitanas estavam na linha de pobreza nos Estados Unidos em 2024, último dado levantado pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), uma taxa de 13,7% de toda a população que vive fora das regiões metropolitanas. Em 2023, o percentual era de 13,5%. A taxa da população metropolitana que vivia em estado de pobreza, em 2024, era de 10,2%.

 

 

Este fenômeno atinge também países da Europa. No Reino Unido, 6,8 milhões vivem em estado de pobreza extrema, o maior nível em 30 anos, segundo pesquisa da Fundação Joseph Rowntree. O total de pessoas em estado de pobreza era de 14,2 milhões no Reino Unido em 2022-2024. Está na pobreza extrema quem, descontado o pagamento do aluguel, ganha menos de 40% da renda média das famílias do Reino Unido.

 

A pobreza aumenta também em outros países da Europa. Entre eles, a França. Dados do Eurostat indicam que o número de pessoas que enfrentam dificuldades ou grandes dificuldades para chegar ao final do mês com o seu rendimento aumentou 2% em relação ao de 2014.

 

São 21,8% da população francesa nessa linha de pobreza, segundo a Euronews, citando dados do Eurostat. O fenômeno atinge também os países do norte do continente, com aumento em Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega, de acordo com o departamento de estatística europeu.

 

Para o Eurostat, a taxa média dos que têm sérias dificuldades para sobreviver na União Europeia é de 17,4% da população, percentual puxado por Grécia (66,8%) e Bulgária (37,4%). Na outra ponta, alguns países europeus conseguiram diminuir essa linha de pobreza. Entre eles estão Itália, Polônia, Espanha e Holanda.

 

O Brasil está entre os que reduziram a pobreza. Em 2024, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de pessoas que estavam em estado de pobreza extrema caiu para 3,5% da população, somando 7,4 milhões. Os que estavam na linha de pobreza eram 48,9 milhões, 23,1%.

 

Entre 2023 e 2024, pelo menos 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza, e 1,9 milhão da linha de extrema pobreza, segundo o IBGE. Essa queda se deve a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e o aumento de renda média.

 

Soja 

 

A colheita da oleaginosa atingiu 14% até a terceira semana do mês em Mato Grosso, segundo dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). O avanço da safra já mexe com os preços dos fretes.

Transporte Segundo o Imea, o custo do frete de Sorriso (MT) a Miritituba (PA) subiu para R$ 301 por tonelada, 9,5% a mais do que na primeira semana do mês.

 

O instituto aponta também que a venda de soja mato-grossense da safra 2024/25 atingiu 99,4%; a de 2025/26, 44,1%, e a de 2026/27, que ainda vai ser semeada, 0,8%.

 

Sem tratores 

 

A União Europeia anunciou acordo comercial com a Índia. Desta vez, os tratores dos produtores europeus não foram colocados na rua, uma vez que os produtos agrícolas mais sensíveis, como carne bovina, frango, açúcar, laticínios e grãos ficaram de fora do acordo.

 

Agora, foram os indianos que colocaram uma linha vermelha para os produtores agropecuários europeus. Estes vão deixar de participar de um mercado de 1,46 bilhão de pessoas (Folha, 28/1/26)