29/06/2026

Por que o agro não apoiaria fertilizantes nacionais? – Por Paulo Junqueira

Por que o agro não apoiaria fertilizantes nacionais? – Por Paulo Junqueira

Presidente Lula - Evaristo Sa - 12.jun.26-AFP

“Os números do Fundo Monetário Internacional (FMI) dimensionam o fosso que separa o Brasil daquelas nações mais prósperas. Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global cresceu 675%; o do Brasil, no mesmo período, avançou 428%, ou seja, menos de dois terços da média mundial. Enquanto Coreia do Sul, Taiwan e Singapura se desvencilharam da chamada armadilha da renda média, o Brasil parece ter se acomodado nela. Como já sublinhamos nesta página, nada disso é fortuito.

A opção pelo desperdício é tanto mais lamentável quanto maiores são as oportunidades desperdiçadas pela Nação. O País dispõe de capital humano, extensão territorial e diversidade de recursos que poucos no mundo podem contrastar. Se não está inscrito em pedra que o Brasil está condenado à mediocridade, há, no entanto, escolhas que há anos nos mantêm aprisionados a esse fado. E enquanto essas escolhas não mudarem, os rankings continuarão a retratar este País que decidiu ser medíocre” - Estadão, 26/6/26

Por Paulo Junqueira  

Na última 5ª feira (25), em visita (ou seria tour eleitoral?) no Estado do Mato Grosso do Sul, o chefe do desgoverno brasileiro conseguiu mais uma vez demonstrar seu rancor e hostilidade ao agronegócio – setor que representa 26% do PIB nacional, emprega 28,4 milhões de trabalhadores que representam 26,3% do total de ocupações no País e é pilar da balança comercial – ao declarar que “parte do agro nunca apoiou fábricas de fertilizantes no País”.

O impacto das gafes, falas polêmicas de Lula e sua aversão ao agro, têm aumentado na mesma proporção que sua credibilidade vem caindo. Ele ignora as limitações geológicas do Brasil e finge desconhecer que o setor agrícola focou na importação de fertilizantes por ser mais barata e economicamente viável.

Vale lembrar que, historicamente, sempre foi muito mais barato importar fertilizantes da Rússia, China e Oriente Médio do que produzir internamente. E que, nestes 17 anos e meio em que o PT de Lula está no comando do governo federal, pouco ou quase nada foi feito em favor do agronegócio.

O agro é reconhecido globalmente como um dos setores mais avançados e sustentáveis do mundo, alinhando recordes de produção — com a safra de grãos projetada na máxima histórica — a práticas rigorosas de ESG. A adoção dessa agenda garante alta competitividade nos mercados internacionais mais exigentes.

Lula desconhece ou finge desconhecer, que o Brasil é altamente dependente do exterior porque simplesmente não possui grandes reservas geológicas de matérias-primas como potássio e o gás natural necessário para o nitrogênio. Além disso, a responsabilidade pela falta de infraestrutura e de fábricas de fertilizantes é resultado da falta de políticas públicas e de investimentos estatais de longo prazo, além da elevada carga tributária, uma das mais altas do mundo.

Se, ao invés de financiarem obras no exterior via BNDES com recursos públicos brasileiros – Angola, Argentina, Venezuela, República Dominicana, Equador e Cuba – e não estivessem envolvidos em dezenas de casos comprovados de corrupção – Correios (2004), Mensalão (2005), Lava Jato (2014), Fraudes em Fundos de Pensão, Petrolão, INSS e Banco Master, dentre outros – não faltariam recursos para investimentos em infraestrutura para transformar o Brasil num país rico e mais justo.

A bem da verdade, ao apostarem nestes desvios de condutas e pouco ou nada fizeram para corrigir ou devolver os valores amealhados através de crimes de peculato e corrupção, os gestores que se apresentam como “ideologicamente alinhados à esquerda” – há poucos dias, no G7 na França, Lula declarou que “nunca foi esquerdista...” - não estariam identificados formalmente como responsáveis por ataques à “soberania” e praticantes de atos que se configuram próprios dos “traidores da pátria”?

Há de se lamentar também que as patacoadas e decisões governamentais e legislativas têm focado em vantagens eleitorais de curto prazo, o que impede reformas estruturais necessárias para o avanço da economia brasileira. O ambiente de negócios hostil criado pelo desgoverno e a defasagem na educação derrubam a competitividade do país, agravando propostas questionáveis como o fim da escala 6x1.

Já o setor público é criticado por ser perdulário, inchado e por servir a interesses corporativos em vez de focar no desenvolvimento sustentável. Como resultado dessa agenda incompleta, o Brasil tem avançado menos do que nações concorrentes e emergentes. E, somos obrigados a consumir desinformação. A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não um escudo para a criação e disseminação de mentiras irresponsáveis.

Plano Safra 2026/27: Confusão no anúncio denota desprezo do desgoverno ao agro

Desesperado? Lula discurso em tom raivoso e ataca mais uma vez o agronegócio. Foto Reprodução Blog Revista Oeste

O lançamento tardio do Plano Safra 2026/27, que deve ocorrer nas próximas horas, marca a total falta de comprometimento do desgoverno com o agro. Esta falta não é novidade para ninguém. Mas, impressiona o desrespeito a quem produz alimentos para os 213,4 milhões de brasileiros e mais os 700 milhões que vivem e dependem do agro verde e amarelo exportado para mais de 180 países.

A simples leitura das matérias produzidas pelo Globo Rural e pela CNN Brasil (publicadas nesta edição do BrasilAgro) mostram a desconsideração, descortesia e irreverência praticadas pelos integrantes do desgoverno, cujas principais marcas são o caos, a bagunça, a anarquia, o descontrole e as sucessivas denúncias corrupção e do mau uso dos recursos fiscais.

Senão, vejamos:

Recortes da matéria do Globo Rural publicada nesta última sexta-feira (26) com o título “Plano Safra 2026/27 será lançado na terça-feira (30) sem Lula”:

“A cerimônia não terá a presença de Lula. A ausência presidencial é algo inédito nos últimos anos nesse tipo de cerimônia”;

“A dificuldade de conciliar agendas deve gerar uma situação inédita. A principal política agrícola do país pode ser anunciada com o chefe do Poder Executivo ausente”;

“A leitura nos bastidores em Brasília é que a ausência de Lula tira peso político do ato para médios e grandes produtores e pode gerar críticas da oposição e do setor agropecuário empresarial, com quem a relação do governo não é boa”;

 

Recortes da matéria do Blog da CNN Brasil publicada também na sexta-feira (26) com o título “Plano Safra da Agricultura Familiar deve ser anunciado na terça-feira (30):

“O Governo confirmou que o anúncio do Plano Safra da Agricultura Familiar deve ser na próxima terça-feira (30), no período da tarde. Fontes confirmaram à CNN que a cerimônia deve começar às 17h”;

“Por outro lado, o anúncio do Plano Safra Empresarial ainda não foi oficializado. Segundo apurou a CNN, a expectativa dentro do governo é que ele também aconteça na terça-feira (30), mas pela manhã, mantendo o formato adotado nos últimos anos, com eventos separados para a agricultura empresarial e para a agricultura familiar”;

“Essa seria a primeira ausência de Lula no anúncio da principal linha de crédito com recursos públicos voltada ao agronegócio desde de 2002, no primeiro mandato do petista”;

“A expectativa é que o presidente retorne a tempo de participar da cerimônia de anúncio voltada à agricultura familiar, segmento considerado estratégico para o governo e tradicional base de apoio do presidente”.

Fatos & Perspectivas

Desesperado? Lula discurso em tom raivoso e ataca mais uma vez o agronegócio. Foto Reprodução 

Banco Master: “Pela lente de aumento do Master a gente vê a ruína do STF, o poder renovado do centrão direitão, a compra empresarial do Congresso, a infraestrutura financeira do crime, aluguel de poderosos por contrato, corrupção cordial e o padrão de acordões e perseguições políticas vigente desde 2015” – Vinicius Torres Freire, Folha de S.Paulo 28/6/26

Alerta – 1: Conceitos do jornalista Elio Gaspari na Folha de S.Paulo deste domingo (28): “A fraude das Americanas mobilizou várias equipes de investigadores e produziu a maior pizzaria dos últimos tempos. Chegaram ao ponto de criar uma CPI que não ouviu ninguém relevante e não apontou para vivalma.”

Alerta... – 2: “Exageraram na exibição do próprio poderio. Soberba. Só não haviam domesticado a Polícia Federal. Má ideia. Quando o caso do Banco Master começou, urdiu-se uma vacina judicial. Levaram a farinha, o queijo e os tomates. Iam ligar o forno e, sem estridência, alguém pôs na pizza contratos de advocacia e um resort de granfinos no Paraná. O tempero azedou a pizza.”

Alerta...- 3: Por fim, Elio Gaspari deixa no ar um alerta: “Mendonça não é Moro. Não custa repetir: André Mendonça não é Sergio Moro. Seu único projeto é sair inteiro do Supremo Tribunal.”

Produção de alimentos – 1: A esquerda frequentemente destaca a importância da agricultura familiar na garantia da segurança alimentar, criticando o foco do agro em commodities voltadas para a exportação. O que os “çábios” canhoteiros, mesmo os que são mas negam sua ideologia, fingem desconhecer é que o agro e a agricultura familiar se complementam.

Produção... – 2: Os defensores da teoria marxista, mesmo daqueles que a negam mas a seguem, analisam a sociedade dividida entre duas classes fundamentais: burguesia, que reúne os donos dos meios de produção (fábricas, terras, bancos) e o proletariado que reúne os trabalhadores que dependem da sua força de trabalho para sobreviver.

Produção... - 3: Os mesmos “çábios” não reconhecem que os produtores rurais trabalham duramente para conseguirem cumprir com as suas obrigações sociais de geradores de empregos, produção de riquezas e o pagamento dos impostos que permitam que o governo – e mesmo o nosso desgoverno! – possam investir em ações que beneficiem o povo.

Produção... - 4: Cada centavo desviado dos cofres públicos nas três esferas (municipal, estadual e federal), além de ser um ato criminoso, impede que as classes menos favorecidas possam se engajar em processos de ascensão social, o que também não deixa de ser um ato criminoso.

Foto Divulgação

Eleições em outubro – 1: Por isto é que as eleições de 4 de outubro – faltam hoje 97 dias... – têm toda esta relevância, pois estamos próximos da última oportunidade de nos resta de transformarmos o caos imposto pelos governos do PT & Cia. e trazer aos brasileiros a oportunidade de vivermos uma nova era que colocará fim ao desperdício dos recursos públicos que têm sido desviados para favorecerem apenas uma minoria tutelada pelo ativismo judicial.

Eleições... - 2: A escolha consciente e responsável pelo nosso voto a deputados estaduais e federais, aos senadores, aos governadores, ao presidente e vice-presidente da República é a grande oportunidade de nos posicionarmos contra toda a sorte de denúncias que têm sido feitas pela imprensa responsável.

Tirso Meirelles, presidente sub judice da Faesp/Senar-SP e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República- Foto Divulgação

Lambança – 1: Como repercutirá a lambança do desgoverno no lançamento do Plano Safra 2026/27, dada a proximidade do vice-presidente da República Geraldo Alckmin com o atual presidente sub judice Tirso Meirelles, da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP, o mesmo que exclui vergonhosamente os produtores rurais das regiões de Ribeirão Preto (cana-de-açúcar) e Araraquara (citricultura) do rateio da Taxa Senar.

Lambança – 2: Vai passar pano ou dará, pela vez primeira, voz aos legítimos e autênticos produtores rurais do Estado de São Paulo que não se sentem representados por ele (Tirso Meirelles) no comando da maior e mais relevante entidade dos agricultores paulistas. Até porque, sua “eleição” em dezembro de 2023 bem como sua auto posse em 14 de abril de 2024 no Theatro Municipal de São Paulo, foram anuladas por decisões unânimes do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região – TRT-2.

Lambança – 3: O processo encontra-se em tramitação no Tribunal Regional do Trabalho aguardando julgamento.

 

(Paulo Junqueira é advogado e produtor rural. É também presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto; 29/6/26)