Preços de insumos preocupam mas risco de falta de fertilizantes é baixo
Cerca de 16% dos fosfatados importados pelo Brasil são do Oriente Médio e apenas 0,4% do Irã — Foto: Getty Images
Logística para exportações ao Oriente Médio já melhorou, afirma Luis Rua.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, avaliou que a continuidade da guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Hormuz podem interferir nos preços de fertilizantes fosfatados, dos quais o Brasil é altamente dependente de importações. Ele disse, no entanto, que houve diversificação de fornecedores do insumo nos últimos anos, o que diminuiria o risco de disponibilidade do produto aos agricultores na próxima safra.
Segundo ele, cerca de 16% dos fosfatados importados pelo Brasil são do Oriente Médio e apenas 0,4% do Irã. Apesar do impacto logístico sobre parcela relevante da demanda, Rua acredita que os produtores brasileiros terão acesso ao insumo de outras fontes. “Houve preocupação no Plano Nacional de Fertilizantes, de pensar em alternativas, houve diversificação de fornecedores. Há cinco anos, a China respondia por 20% a 25% das importações, hoje é 40%. A Nigéria era 2% e passou para 10%. Hoje temos três ou quatro fontes de fosfatados”, afirmou à reportagem.
“Esses 16% não são pouca coisa, mas, diretamente, não vejo muito problema em termos de disponibilidade de produto. A depender da escalada do conflito e do tempo de duração, é o preço do petróleo e gás natural que pode sim interferir nos preços dos fertilizantes”, resumiu. “Sobre um eventual desabastecimento é um risco menor, teve diversificação de fontes, mas depende da reconfiguração global”, avaliou.
Segundo Rua, os exportadores brasileiros, principalmente de carne de frango, têm encontrado meios de manter o comércio com o Oriente Médio, destino de 30% das exportações brasileiras. Ele disse que há relatos sobre a reabertura do Canal de Suez, no Egito, o que facilita a logística das cargas.
As companhias marítimas também têm conseguido descarregar em ao menos três portos da região: em Omã, nos Emirados Árabes Unidos e em Djibouti. “A situação hoje já está melhor do que na semana passada, mesmo assim acompanhamos com atenção”, relatou. “O comércio encontra seus caminhos e às vezes os caminhos são um pouco mais caros, tortuosos”, disse.
Rua disse ainda que, com a guerra, o Brasil deve reforçar seu papel de provedor de segurança alimentar. “Os países do Oriente Médio têm o costume de fazer estoque de segurança e o Brasil tem condição de ofertar produtos na quantidade necessária. A depender do nível dos conflitos e dos estragos estruturais feitos, também há desorganização das cadeias logísticas e produtivas nesses países, o que reforça a necessidade de importação”, disse (Globo Rural, 10/3/26)

