Produção é recorde, mas queda de preço reduz receita no agro
Valor Bruto da Produção (VPB)- Imagem IA Copilot
- Valor bruto de produção nacional recua para R$ 1,4 trilhão no ano, 5% a menos
- Soja, com receita de R$ 366 bilhões, e o setor de bovinos, com R$ 250 bi, lideram
A safra de grãos e a produção de carnes deste ano são recordes, mas as receitas caem. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção nacional de grãos sobe para 360 milhões de toneladas, mas o VBP (Valor Bruto da Produção) do setor recua para R$ 893 bilhões, com queda real de 5%.
O VBP é resultado do volume produzido, multiplicado pelos preços médios recebidos pelos produtores dentro da porteira. Os dados são compilados pelo Ministério da Agricultura e se referem ao levantamento de junho. Culturas agrícolas e pecuária vão render R$ 1,4 trilhão neste ano, abaixo do recorde de R$ 1,48 trilhão de 2025.
No caso das lavouras, são incluídos 17 produtos, e apenas cinco deles estão com previsão de aumento no valor bruto de produção neste ano.
Esses cinco produtos representam 7% do total das receitas com as lavouras. A pecuária inclui o desempenho de bovinos, frango, suínos, leite e ovos. Neste setor, que atinge receitas de R$ 511 bilhões, apenas a bovinocultura deverá apresentar evolução nas receitas.
Os produtos que tiveram forte aceleração de preço no ano passado são os que mais recuam neste ano. O cacau lidera as quedas. Após um VBP de R$ 12 bilhões em 2025, o montante cai para R$ 5 bilhões neste ano, 58% a menos. A laranja tem queda de 40%, e o café, que chegou a um valor bruto de produção de R$ 118 bilhões no ano passado, cai para R$ 104 bilhões neste.
O arroz, com uma prolongada temporada de queda de preços, também tem forte retração nas receitas. Após ter atingido um VBP de R$ 26 bilhões em 2024, o cereal renderá apenas 15 bilhões neste ano. A retração, em relação a 2025, será de 30%.
O trigo, por conta de uma área menor de plantio e safra reduzida, terá R$ 8,2 bilhões de receitas, após ter atingido R$ 19,4 bilhões em 2022.
Os produtores de soja e de milho, devido ao grande volume de produção, são os que lideram os valores de produção. A soja, com a safra recorde de 181 milhões de toneladas, gerará receitas de R$ 336 bilhões, e o milho, de R$ 155 bilhões. Esses valores, em relação aos do ano passado, registram queda de 1% e 9%, respectivamente.
No setor de carnes, que deverá ultrapassar produção de 32 milhões de toneladas no ano, o VBP recua para R$ 511 bilhões, mas tem aumento na bovinocultura, setor que chegará ao recorde de R$ 250 bilhões, 10% a mais do que em 2025, segundo o Ministério da Agricultura.
Os demais itens da pecuária terão queda, com as maiores sendo em suínos (22%) e frango (9%). O setor de ovos, após o aumento acelerado nos preços no mercado mundial no ano passado, apresenta retração de 8%, e o de leite, de 3% nas receitas.
Hortifrútis
A competitividade no setor mudou e hoje depende de fatores que ultrapassam os limites da porteira, segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Os mercados são exigentes, os consumidores estão mais bem informados, o setor tem novas regras sanitárias e os desafios logísticos e as oscilações comerciais exigem muito mais.
Nesse cenário, os desafios aumentam e cresce a importância das instituições que são capazes de conectar produtores, empresas, pesquisa e poder público, afirmam os pesquisadores do setor de hortifrútis do Cepea (Folha, 16/7/26)

