11/03/2026

Produtor de Mato Grosso já paga 29% a mais pelo litro de diesel

Produtor de Mato Grosso já paga 29% a mais pelo litro de diesel

BOMBA DIESEL Foto Blog TNH1

  • Acompanhamento do Imea indica média de R$ 7,47 por litro no valor do combustível
  • Compras de adubos estão atrasadas, e, se preço continuar elevado, custo será alto

 

A Petrobras ainda não mexeu nos preços do diesel, mas o produtor agrícola de Mato Grosso já paga 29% a mais por esse combustível, em pleno período de colheita de soja e início de plantio do milho. O estado não relata dificuldades no fornecimento do diesel no campo, como casos já registrados no Rio Grande do Sul e no Paraná, mas sofre com o preço do combustível, que foi a R$ 7,47 por litro, valor distante dos R$ 5,80 da segunda quinzena de fevereiro.

 

Os produtores do estado estavam fazendo as contas como poderiam ser afetados, no médio prazo, pela alta dos fertilizantes, mas não contavam com a expressiva elevação do diesel em tão pouco tempo. "As preocupações gerais que temos são com os fertilizantes, uma vez que iríamos começar a negociar volumes maiores a partir de agora", diz Cleiton Gauer, superintendente do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

 

Segundo ele, a maior parte das importações ocorre no segundo semestre, mas a entrada desse fertilizante depende das compras de agora. O produtor provavelmente vai postergar as aquisições para fugir dessa aceleração inicial dos preços, mas, se os preços não caírem, pagará mais pelo fertilizante lá na frente.

 

Além da preocupação com o fertilizante, o setor foi surpreendido por esse aumento imediato de 29% do diesel. "Vamos começar uma movimentação para avaliar com o Procon e com a Secretaria da Fazenda esse aumento tão acelerado e não justificado", diz Gauer. O Imea constatou o aumento de preços do diesel nos TRRs (transportador, revendedor e retalhista). São empresas que têm autorização da ANP para comprar combustível a granel e revender para produtores.

 

O instituto fez um estudo apontando que "eventuais instabilidades que afetem a produção ou a logística, especialmente em corredores como o estreito de Hormuz, por onde transita parcela significativa das exportações globais de petróleo e de gás natural liquefeito, podem gerar restrições de oferta, aumento dos custos de frete e maior volatilidade nos preços internacionais".

 

O relatório aponta risco de encarecimento dos insumos no mercado interno, formação de gargalos logísticos, atrasos nas entregas e impactos diretos sobre o custo de produção e a rentabilidade do produtor.

 

Rússia, Omã e Arábia Saudita lideraram a exportação mundial de ureia, seguidos por Egito e Argélia, o que evidencia a concentração de boa parte da produção desses insumos nessa área de conflito. Já os maiores importadores são Brasil, Índia e Estados Unidos, refletindo a dependência dessas economias agrícolas por fertilizantes nitrogenados.

 

Entre os principais fornecedores de fertilizantes nitrogenados para o Brasil estão China, Rússia, Nigéria, Omã, Qatar e Arábia Saudita, e os três últimos estão na área do conflito, respondendo por 14% das importações totais brasileiras desse tipo de insumo. Entre os fosfatados, Egito e Israel forneceram 40% no ano passado. Mato Grosso busca 7,1% dos nitrogenados em Qatar, Emirados Árabes e Omã, e compra 58,9% dos fosfatados no Egito e em Israel.

 

A compra de fertilizantes para a safra 2026/27 de milho em Mato Grosso está em 6%, abaixo do patamar da anterior, o que deixa o produtor mais exposto nas compras futuras, se houver uma manutenção dos preços elevados. Os produtores de soja, com comercialização de apenas 33% da safra, também postergam as aquisições, e poderão sofrer os mesmos efeitos.

 

A conta virá salgada. Apenas após o conflito, a ureia já subiu 30,65% no Brasil, para US$ 618 por tonelada. "A cada 10% de aumento no preço por ponto do nitrogênio gera um aumento de 1,8 saca por hectare no custeio, e de de 1,97 saca por hectare no COE (custo operacional efetivo) do milho. Alta de 30% pode ampliar o COE em aproximadamente 5,9 sacas por hectare", afirma o estudo do Imea (Folha, 11/3/26)