09/03/2026

Produtores do RS paralisam trabalhos de colheita após falta de combustível

Produtores do RS paralisam trabalhos de colheita após falta de combustível

Lopes, da Farsul: 'A colheita de arroz já chegou a 20% da área, e há produtores esperando o recebimento de diesel para dar continuidade aos trabalhos' — Foto: Wenderson Araújo / CNA

 

Segundo entidade, caso situação não se normalize nos próximos dois dias, principais áreas de produção de arroz do Estado serão afetadas.

 

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) recebeu reclamações de produtores rurais relatando a falta de entrega de diesel pelos Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs) nas propriedades rurais. Como resultado desse cenário, alguns produtores de arroz paralisaram as atividades de colheita do cereal, um cenário que afeta também lavouras de soja, cuja colheita ainda é incipiente.

 

À reportagem, Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul, disse que o problema com a falta do insumo começou na última terça-feira (2/3), e se agravou na última sexta (6), quando dezenas de mensagens de produtores enviados a ele relatavam a falta do combustível.

 

“A colheita de arroz já chegou a 20% da área, e há produtores esperando o recebimento de diesel para dar continuidade aos trabalhos. Esse problema não é generalizado, mas se o reabastecimento não acontecer entre amanhã [9] e terça [10], podemos sim ter um impacto para as principais áreas arrozeiras”, disse Lopes, acrescentando que a situação é pior para aqueles produtores com estoque para quatro dias.

A entidade, citando as empresas responsáveis pela distribuição de diesel nas propriedades rurais, ressalta que o problema iniciou-se nas refinarias que, sem aviso prévio ou justificativa, suspenderam a distribuição desses combustíveis às TRRs.

Esse cenário pode estar atrelado à disparada do petróleo na última semana, impactado pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Isso porque, o conflito já gerou aumento do preço do óleo diesel nas bombas em até R$ 1 por litro em algumas regiões do Brasil, segundo relatos enviados por produtores rurais enviados à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

 

Segundo o presidente da Farsul, em algumas regiões do Rio Grande do Sul, a elevação nos valores do diesel chega a R$ 1,50 por litro.

 

“Algumas TRRs estão dizendo que o valor pode subir ainda mais. Para nós, a grande questão não é nem o preço e sim a disponibilidade do diesel. Tem produtor indo ao posto com galão para tentar amenizar a situação. Ainda assim, ele não consegue abastecer mais de uma máquina desse jeito. Acionamos o governo estadual que por sua vez entrará em contato com os órgãos federais responsáveis para tentar resolver a situação”, afirmou Lopes.

 

Abastecimento garantido

 

Diante do relato de produtores do Rio Grande do Sul sobre a falta de diesel em algumas propriedades rurais, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), disse entrou em contato com os principais fornecedores da região e apurou que o Estado conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel.

 

Em nota, a agência informou que a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região (Refinaria Alberto Pasqualini - Refap).

 

“As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre a volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos. Caso seja necessário, a Agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país”, disse a ANP.

 

A agência também lembrou que o Rio Grande do Sul é um Estado que produz mais diesel do que consome, e conta com nível de estoque regular. Desse modo, a ANP esclareceu que não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto.

 

Sobre o reajuste repentino nos valores do diesel em alguns postos, a ANP disse que os "aumentos de preços injustificados no Estado também serão objeto de investigação da ANP em conjunto com órgãos de defesa do consumidor" (Globo Rural, 8/3/26)