02/10/2026

Produtores rurais pedem fim do ciclo “Lula Petista” em defesa da democracia

Produtores rurais pedem fim do ciclo “Lula Petista” em defesa da democracia

 

Paulo Junqueira, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto

João Henrique de Souza Freitas, secretário Municipal da Agricultura e Abastecimento e vice-presidente do Sindicato Rural de Araraquara

Tiago Jacinto, presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente

 

O posicionamento político do agronegócio brasileiro reflete uma divisão profunda entre visões de mercado, ideologia e políticas públicas, gerando forte alinhamento com a família Bolsonaro — atualmente representada pelo senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro — e resistência histórica ou rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Por que o agronegócio apoia Flávio Bolsonaro?

 

O apoio a Flávio Bolsonaro baseia-se na continuidade das políticas defendidas no governo de seu pai, Jair Bolsonaro, combinada com uma retórica voltada à proteção e valorização do produtor rural. Os principais fatores citados por representantes do setor são:

 

  • Garantia de segurança jurídica e propriedade: O grupo político de Flávio Bolsonaro mantém um forte discurso contra invasões de terra e apoia pautas caras aos grandes produtores, como a tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas e a facilitação da produção agrícola em áreas reservadas.
  • Flexibilização de Regras Ambientais e Armamento: O setor aprova a defesa de uma fiscalização ambiental menos punitiva e mais voltada ao incentivo econômico, além de propostas para facilitar o porte de armas para a segurança de propriedades rurais.
  • Alinhamento Ideológico e Cultural: Há forte sinergia com o discurso conservador, a defesa do livre mercado, a redução da burocracia estatal e a oposição à intervenção governamental nos negócios rurais. Em seus discursos em feiras agrícolas, Flávio frequentemente afirma que os produtores "carregam o Brasil nas costas".

Por que o agronegócio rejeita ou resiste ao governo Lula?

 

A insatisfação de parcela expressiva do agronegócio em relação a Lula envolve atritos históricos e retóricos, além de discordâncias estruturais de gestão:

  • Aliança Histórica com o MST: O maior ponto de atrito é a proximidade histórica do Partido dos Trabalhadores (PT) com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O apoio a feiras e a inclusão de líderes do MST em comitivas oficiais geram receio de desrespeito à propriedade privada.
  • Discursos Críticos e Embates Retóricos: Declarações de Lula geraram forte desgaste no setor. O presidente já chegou a classificar setores do agro como “fascistas” ou “direitistas”, e recentemente cobrou gratidão do setor pelo volume de recursos liberados pelo governo, o que foi interpretado por produtores como uma postura ofensiva ou arrogante.
  • Foco na Agricultura Familiar e Meio Ambiente: O agro empresarial ressente-se da divisão de ministérios promovida pelo governo, que descentralizou órgãos como a Conab e o Incra para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, e endureceu a fiscalização trabalhista e as regras de preservação ambiental através do Ministério do Meio Ambiente.

A opinião de três grandes líderes dos produtores rurais paulistas:

“A eleição do próximo domingo (4) remete ao pleito de 2024 quando derrotamos fragorosamente Lula, a esquerda e o PT, que nos 645 municípios que compõem o Estado de São Paulo conseguiu eleger apenas 4 prefeitos. Tivemos a honra de receber a visita do presidente Jair Bolsonaro em quatro oportunidades naquele ano.

 

Em cada município visitado, em cada reunião promovida, ele era recebido por milhares de pessoas com muito respeito, carinho e admiração. Devemos a ele a imposição de uma derrota histórica ao PT que pode ser repetida neste domingo.

 

O que aconteceu aqui em São Paulo têm se repetido em outras regiões do Brasil onde o agronegócio tem forte peso econômico, especialmente no Centro-Oeste, no Sul e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

 

Entre os produtores rurais e nas cadeias produtivas do agronegócio, há a compreensão que o voto no PT acaba prejudicando o País. Lula demonstra forte descontrole emocional, destemperança e um palavreado que está assustando as pessoas. Sua agressividade, também com a imprensa, denota sinais de senilidade que se junta a sinais de incapacidade física.

 

A cada dia investe na insegurança jurídica e sua política monetária e fiscal, totalmente irresponsável e descabida, coloca o Brasil com os piores índices sociais e econômicos do mundo. Com o desgoverno petista que aí está, o agro quebrou, nós produtores rurais estamos falidos.

 

Na verdade só temos uma saída: elegermos Flávio Bolsonaro (22) e aqui em São Paulo reelegermos o governador Tarcísio de Freitas (10) e elegermos Guilherme Derrite (111) e André do Prado (222) para o Senado.

 

Também temos que eleger nossos candidatos para a Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Sem a maioria legislativa as dificuldades criadas pelo ciclo do desgoverno do PT que já duram 17 anos serão enormes e há risco de explosão do tecido social brasileiro.

 

Temos que reconhecer que a exclusão econômica e o racismo estrutural promovidos pelo desgoverno criaram barreiras profundas que impedem o acesso igualitário à dignidade e a direitos básicos.

 

O uso desmedido de plataformas de apostas online (as chamadas bets sancionadas e regulamentadas em fim de dezembro de 2023 quando ele sancionou a Lei nº 14.790/2023, conhecida como a Lei das Bets), e o consumo acrítico de tecnologias têm gerado impactos no orçamento familiar e fragilizado laços de confiança e convivência.

 

A polarização política e a desconfiança nas instituições, tão estimuladas pelo desgoverno, corroem o referencial comum de humanidade e diálogo nacional. As mudanças só ocorrerão se votarmos conscientemente neste domingo nos candidatos que nos representam e que têm demonstrado competência e compromissos com valores como Deus, Pátria, Família e Liberdade”.

“É uma pena que presidente Jair Bolsonaro tenha sido excluído desta campanha eleitoral. Mas seus princípios, sua conduta e, principalmente, sua sensibilidade política foram herdados pelo seu filho Flávio que é o nosso candidato à Presidência da República. Lula tem se mostrado inepto e inapto e desde que assumiu só se preocupou em narrativas mentirosas e tentativas de transferir ao seu antecessor todas as mazelas do País.

 

Os ataques desferidos contra os católicos mais uma vez denotam que Lula não tem religião, ou, melhor, que ele tenta usar a religião para se manter no poder custe o que custar. O País precisa de mudanças estruturais em todos os setores.

 

Há sérios riscos de governabilidade e mesmo de crises piores dos que estas que estamos atravessando. Lula indicou 4 ministros para o STF e o próximo presidente deve indicar mais 4. Diariamente ficamos chocados com as notícias veiculadas pela imprensa que aponta para situações gravíssimas de insegurança jurídica.

 

Nós, produtores rurais, temos lado e apoiamos quem nos respeita criando condições para que possamos trabalhar e reinvestir em nossas propriedades rurais. Com esta taxa de juros reais estratosférica de 12% a 13%, somos forçados a deixar de produzir.

 

Este governo está sem rumo e estamos sentindo que a chave está virando. Setores esquerdistas da imprensa, incluindo a Rede Globo, começam a reconhecer os erros que vem sendo cometidos e que nos aproximam do caos. Como líderes, temos conversado com nossos familiares, nos supermercados, na igreja e mesmo nas ruas, procurando esclarecer que estamos num beco com apenas uma saída.

 

E esta saída é elegermos Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, reelegermos Tarcísio de Freitas para o Governo do Estado de São Paulo, elegermos Guilherme Derrite e André do Prado para o Senado e formarmos maioria com nossos candidatos à Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Temos que ter a consciência que a eleição do próximo domingo é uma das mais importantes da nossa história.

 

Isto porque dependerá do nosso voto consciente apostarmos no futuro ou no passado; no bem ou no mal; no progresso e no desenvolvimento ou no retrocesso; na verdade ou na mentira; na competência e respeito ou na incompetência desenfreada”.

“Para nós o cenário está muito claro e os acontecimentos nos últimos dias, bem divulgados pela imprensa livre e descomprometida, colocam o Brasil no mesmo patamar de alguns dos países de pior economia e de total e absoluta insegurança jurídica do mundo. O caso das bets constitui a pior imagem que poderíamos transmitir para os investidores estrangeiros.

 

Lula sancionou a lei que permitia o funcionamento das bets e, com a sua queda nas pesquisas de opinião pública, decidiu numa canetada proibir o seu funcionamento. Qual o seu senso de credibilidade que ele pensa ainda ter? Ele é um pseudo-líder analógico num mundo digital e que se transformou num  autêntico anão diplomático.

 

Já sugeriu reunir Vladimir Putin (Presidente da Rússia) e Volodymyr Zelenkyy (Presidente da Ucrânia) numa mesa de boteco para resolver a guerra entre ambos os países. Suas declarações sobre os conflitos no Oriente Médio são desastrosas e temerárias.

 

Os seus alinhamentos ideológicos ferem a imagem histórica do Itamaraty como um mediador neutro e pragmático, diminuindo o peso e a credibilidade do Brasil diante de grandes potências ocidentais. Trata Trump com desprezo e falta de civilidade como fosse ele um dos seus “companheiros” e é incapaz de sentar com ele para uma negociação, como o fazem todos os outros presidentes de países afetados pelos tarifaços.

 

A União Europeia acaba de anunciar que seu mercado para a importação de carne bovina brasileira ficará fechado pelo menos por um período de dois anos. Isto porque nosso Ministério da Agricultura e os tecnocratas e burocratas do governo Lula deixaram de apresentar documentos para a Comissão Europeia que decidiu excluir o Brasil como fornecedor de carne bovina para o grupo.

 

Já atingimos a cota de exportação de carne bovina  imposta para 2026 pela China e, neste momento, o rebanho do País é formado por apenas 234,3  milhões de cabeças, o menor nos últimos 3 anos. Os pecuaristas foram obrigados a abater suas fêmeas o que diminuiu a quantidade de bezerros. Esta crise foi provocada pelos juros extorsivos, os maiores do planeta e pelo aumento de custos o que inclui os impostos e taxas criadas por este governo.

 

Conclamo a todos os produtores rurais, aos empresários do agronegócio e ao nosso povo para que neste domingo votem em Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, reelejam já no 1º turno o governador Tarcísio de Freitas, conduzam Guilherme Derrite e André do Prado para o Senado e escolham candidatos qualificados e alinhados com os nossos princípios éticos e morais para a Câmara Federal e Assembleias Legislativas (Da Redação, 2/10/26)

 



Agronegócio representa 13% do eleitorado; 71% se dizem conservadores

Maioria dos eleitores vinculados ao agronegócio apoiaram Jair Bolsonaro e devem repetir movimento a favor de Flávio, mas de forma menos vocal, analisa especialista. Foto Wilton Junior/Estadão

 

Especialista avalia que o setor pode reconhecer políticas públicas favoráveis durante o governo Lula, mas que isso não se converte necessariamente em apoio político; segmento esteve com Jair Bolsonaro em 2022 e expectativa é de que repita movimento a favor de Flávio.

 

Setor responsável pela articulação da maior e mais influente bancada do Congresso Nacional, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o agronegócio tem peso significativo também no número de eleitores. O setor representa 13% do eleitorado nacional, atrás apenas dos conservadores cristãos (27%) e das classes D e E (23%), revela o Brasil no Espelho, estudo realizado pelo Instituto Quaest a partir de mais de 10 mil entrevistados e publicado no livro de mesmo título. O porcentual supera o dobro do segmento formado por empresários, de 6%.

 

Além do poderio econômico envolvido (27% do PIB), os números eleitorais ajudam a explicar a influência política que o setor alcançou ao longo dos últimos anos para avançar projetos, barrar políticas públicas e até mesmo fortalecer candidaturas. Somado à organização em entidades de classe, o agronegócio é um grupo, apesar de menor que outros segmentos, capaz de estimular — para além do lobby próprio —mudanças de política pública, apontam cientistas políticos.

 

CEO da Quaest, autor do Brasil no Espelho e cientista político, Felipe Nunes afirma que o estudo identifica um grupo que compartilha valores e uma identidade ligada ao agro. Esse grupo inclui produtores rurais, trabalhadores e pessoas que se reconhecem nessa cultura, mesmo sem trabalhar diretamente na atividade agropecuária.

Setor do agrenegócio tende a se alinhar politicamente ao conservadorismo. Foto Jenne Roriz/Estadão

 

“Essa identidade amplia a capacidade de influência do setor para além das questões agrícolas. Quando a defesa da produção se associa a ideias sobre propriedade, família, religião e papel do Estado, ela passa a dialogar com outros segmentos da sociedade”, disse Nunes ao Estadão/Broadcast. “Os 13% não constituem uma maioria, mas podem ser uma base relevante para formar maiorias em torno de determinadas agendas”, pontua Nunes.

 

Nunes lembra que o setor ganhou impulso no País e se tornou uma das principais atividades econômicas a partir do boom das commodities. O grupo se concentra no Centro-Oeste, no Sul e no interior do Sudeste e tende a defender posições divergentes dos moradores de áreas urbanas, aponta. Uma das divergências, segundo a pesquisa, é quanto à política armamentista: 72% dos brasileiros ouvidos pela pesquisa rejeitam a facilitação da compra e da posse de armas, enquanto no agro o porcentual é menor, de 60%.

 

Conservadorismo e alinhamento ideológico

 

Entre os eleitores identificados com o agronegócio ouvidos pelo Brasil no Espelho, 71% se dizem conservadores e apenas 2% se classificam como modernos ou progressistas. Outros 27% se classificam como moderados. De acordo com os dados do Brasil no Espelho, em termos de tradição e conservadorismo, os brasileiros do agronegócio só perdem para a extrema direita, segmento no qual 100% se considera tradicional ou conservador.

 

Há semelhanças de posicionamento entre o agro e os conservadores cristãos. Dos entrevistados, 36% dos identificados como do agronegócio afirmam que frequentam atividade religiosa toda semana e para 97% Deus é muito importante na sua vida.

 

Entre as posições compartilhadas com os conservadores cristãos estão a contrariedade à legalização da maconha (74%), a concordância com as afirmações de que o homem deve ser o provedor da casa (74%) e de que uma mulher que realiza um aborto deve ser presa (60%), bem como a visão de que o governo deveria aumentar imposto de todos para ajudar os pobres (69%), de que “programas do governo fazem as pessoas quererem trabalhar menos (74%)”, que as empresas do governo devem ser privatizadas (52%). Eles concordam também na satisfação com a democracia (88%).

 

Nunes aponta que essa afinidade de valores entre conservadores cristãos e o agronegócio facilita a aproximação política dos grupos. Apesar de serem distintos, compartilham posições e podem formar alianças eleitorais, diz.

 

“A importância da família, da religião, da autoridade e da preservação das tradições cria pontos de contato entre esses segmentos. Isso favorece candidatos que conseguem apresentar a defesa do agro como parte de uma defesa mais ampla de determinado modo de vida. Essa proximidade ajuda a entender porque o voto de parte do agro permanece alinhado à direita mesmo quando há benefícios econômicos oferecidos por um governo de esquerda, explicou Nunes.

 

Na análise do CEO da Quaest, para o eleitor do agronegócio há interseção entre a pauta de costumes e a de negócios, que não devem ser analisadas isoladamente. “A defesa da propriedade, a liberdade para produzir e a valorização do trabalho podem fazer parte da mesma visão de mundo que orienta suas posições sobre família e religião”, comentou.

 

Essa interseção ajuda a explicar, segundo Nunes, por que os benefícios econômicos sozinhos não explicam o voto do eleitor do agronegócio. “Medidas favoráveis ao setor podem ser reconhecidas sem que esse reconhecimento se converta em apoio eleitoral. É possível considerar uma política de crédito positiva e continuar rejeitando o projeto político do governo. Negociar com um governo e se identificar com ele são coisas diferentes”, pontuou.

 

O agrenegócio nas urnas em 2022 e 2026

 

Em 2022, o agronegócio apoiou majoritariamente a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O apoio foi declarado publicamente por diversas entidades do agronegócio, parlamentares relevantes no setor, empresários e lideranças. O movimento se refletiu nas urnas: 27% declararam voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno do pleito, mostra o Brasil no Espelho. O setor acumulou ao longo dos últimos quatro anos no terceiro mandato de Lula um período de desgaste acentuado com o Executivo e o campo se tornou um dos maiores opositores do governo Lula.

 

Para Nunes, há razões para uma tendência de continuidade de resistência a Lula nesse grupo, que vai além da avaliação da política agrícola. “Existe uma identificação com a direita e uma rejeição ao PT que envolvem valores, pertencimento e visão de mundo. O eleitor também procura alguém em quem reconheça seus valores”, observou.

 

Entretanto, o CEO da Quaest,pondera, que isso não significa que o porcentual vá se repetir exatamente neste ano. “Candidaturas, campanha e condições econômicas podem produzir mudanças, mas Lula enfrenta nesse segmento uma barreira que dificilmente será superada apenas com a apresentação de resultados econômicos. Ele precisa enfrentar também a percepção de que seu campo político está distante da identidade dessas pessoas”, avaliou o CEO da Quaest.

 

Na avaliação de Nunes, Bolsonaro conseguiu reunir esses interesses e valores em uma identidade política mais explícita, oferecendo reconhecimento ao agronegócio que desejava ser valorizado. “A defesa do agro passou a se conectar de forma mais intensa ao conservadorismo e ao antipetismo. O pragmatismo nas relações com o Estado continua possível, mas passou a conviver com vínculos políticos e afetivos que tornam a mudança de voto mais difícil”, analisou.

 

A leitura é compartilhada pelo cientista político e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Daniel Miranda. Miranda avalia que, neste pleito, o movimento deve se repetir com apoio do agro ao senador Flávio Bolsonaro (PL), embora menos vocalizado.

 

“Por um lado, o argumento de apoiadores de Lula é que o agro cresceu mais no governo Lula do que nos outros governos e que deveria haver inclinação do agro ao PT. Mas o agronegócio tem relativa autonomia política do ponto de vista econômico, porque sabe que vive sem dependência do governo e sim é mais dependente da política do governo chinês e do Oriente Médio, seus importadores”, explicou ao Estadão/Broadcast.

 

Miranda cita que a bandeira ambiental é mais presente nos partidos de esquerda, enquanto no bolsonarismo prevalece o discurso anti ambientalista. “É também indissociável à associação histórica do PT com o MST, um adversário paradigmático do agronegócio, enquanto a simbologia do discurso bolsonarista é pautada pela defesa da propriedade privada”, mencionou o cientista político.

 

Ele cita ainda a defesa da meritocracia e do empreendedorismo — a ética do trabalho — e o discurso a favor da lei e da ordem que situam o agronegócio no campo conservador e contribuem para moldar as preferências partidárias dos eleitores do setor.

 

O professor da UFMS, que estuda a dinâmica do agronegócio sobre o comportamento eleitoral e a política regional, observa que a capacidade de mobilização e influência do agronegócio supera os 13% de alcance da sociedade. “É um setor organizado em sindicatos, associações, cooperativas, com maior capacidade de organização que movimentos como os dos trabalhadores sem terra, indígenas e ambientalistas”, ponderou Miranda.

 

Para ele, a partir de 2018, com a ascensão de Jair Bolsonaro, observa-se o “naufrágio do discurso pragmático” do agronegócio, abrindo espaço para o setor vocalizar discursos mais conservadores e para manifestações das lideranças do setor na esfera pública (Estadão, 2/10/26)