12/03/2026

Projeções indicam aumento da moagem de cana em 2026/27 no Centro-Sul

Projeções indicam aumento da moagem de cana em 2026/27 no Centro-Sul

Safra de cana-de-açúcar 2026/27 começa oficialmente em abril — Foto: Wenderson Araújo/CNA

 

Produção de açúcar deve cair, com direcionamento maior das usinas para fabricação de etanol.

 

Consultorias agrícolas divulgaram nesta quarta-feira (11/3) novas estimativas para a safra de cana-de-açúcar 2026/27, que começa oficialmente em abril, aumentando a projeção de moagem no Centro-Sul do Brasil. As perspectivas também apontam para uma menor produção de açúcar, em virtude de um maior direcionamento das indústrias para o etanol.

 

Nas projeções da StoneX, as usinas dos Estados produtores de cana no Centro-Sul vão processar 620,5 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 1,7% ante a safra atual. Já para a produção de açúcar, a estimativa foi reduzida em 700 mil toneladas, para 40 milhões de toneladas.

 

Do total da cana a ser processada, 48,7% deve ir para a produção de açúcar — a projeção anterior era de que essa fatia ficaria em 49,3%.

 

A StoneX alertou, ainda, que as chuvas que estão ocorrendo neste verão, entressafra da moagem, podem dificultar uma recuperação da produtividade da cana — a estimativa é de um rendimento em 75,9 toneladas de cana por hectare. Para a área, a consultoria estimou que haverá um aumento de 0,3% na área colhida, devido à entrada de lavouras reformadas em 2024.

 

Para a produção de etanol, a estimativa da StoneX é de uma produção total de 37,2 bilhões de litros, um recorde histórico e um avanço anual de 10,2%. Do total, 25,9 bilhões de litros devem ser de etanol de cana, uma alta de 5,9%, e 11,3 bilhões de litros de etanol de milho, um crescimento de 10,2%.

 

Já a consultoria Pecege estimou que a moagem de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2026/27 ficará em 629,9 milhões de toneladas, praticamente 20 milhões de toneladas a mais do que na safra 2025/26.

 

Essa expansão deve ser determinada pelo crescimento de 2,76% na produtividade agrícola e na expansão da área a ser colhida. A oferta deverá crescer ainda mais considerando a expectativa de aumento do teor de sacarose na cana, que o Pecege estima em 139,22 quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana em média nesta safra.

 

Esse crescimento de oferta de matéria-prima deverá garantir um aumento de produção de etanol, mas não de açúcar, já que as usinas devem reduzir o direcionamento para a produção da commodity. A estimativa do Pecege é de queda de 0,19% na produção de açúcar, para 40,41 milhões de toneladas.

 

A expectativa da consultoria é de que 51,63% da cana a ser processada seja direcionada para a produção de etanol, em relação às 49,43% da safra atual. Com isso, a produção de etanol apenas da cana deve crescer 8,94%, para 26,57 bilhões de litros.

 

Condições dos canaviais

 

Durante a 10ª Conferência Datagro de Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol, nesta quarta-feira, em Ribeirão Preto (SP), a consultoria indicou crescimento de 4% na moagem na safra 2026/27.

 

Além disso, o teor de sacarose na cana também deve crescer, com um aumento previsto de 0,4%, para 138,70 quilos de ATR por tonelada de cana processada. Com isso, o ATR total da safra deve aumentar 4,5%.

 

Segundo Plinio Nastari, presidente da Datagro, as condições dos canaviais estão melhores agora do que estavam há um ano. O destaque deve ficar com as lavouras que serão colhidas no primeiro terço da safra, entre abril e junho, já que na safra 2025/26 essa parcela foi a mais afetada.

 

Dadas as chuvas de verão, Nastari ressaltou que houve boa recuperação dos canaviais em São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Presidente Prudente nos últimos meses. Ele também disse que há menor infestação de plantas daninhas, embora exista maior atenção com pressão da cigarrinha-das-raízes.

 

Já em Goiás, as condições foram um pouco mais adversas, com um perfil mais heterogêneo dos canaviais, após condições climáticas desfavoráveis no fim de 2025. Em Minas Gerais, as condições são em geral similares ou ligeiramente melhores do que um ano atrás.

 

Esta maior oferta de matéria-prima de forma geral esperada para o Centro-Sul deve ser direcionada toda para a produção de etanol, o que deve resultar em uma oferta recorde do biocombustível, enquanto a estimativa para a produção de açúcar é de estabilidade, em 40,7 milhões de toneladas, ligeira baixa de 0,2%.

 

De acordo com Nastari, a produção do Centro-Sul do Brasil deverá ficar estável pela terceira safra consecutiva. Esse volume deverá ser reflexo de um mix de 48,5% da cana para a produção de açúcar, bem abaixo dos 50,7% da safra atual.

 

Para o etanol, isso deve se refletir em uma produção total (somando com a produção derivada do milho) de 38,42 bilhões de litros, alta de 11,4%. A fabricação de etanol hidratado deve aumentar 15,3%, para 23,85 bilhões de litros, enquanto a de anidro deve subir 10,3%, para 14,57 bilhões de litros.

 

Cenário global

 

Em relação ao cenário global, a StoneX reduziu sua estimativa para o superávit mundial de açúcar na safra internacional 2025/26 (iniciada em outubro) para 870 mil toneladas, em relação às 2,9 milhões de toneladas projetadas anteriormente.

 

A revisão se deu principalmente pela perspectiva de uma produção menor na Índia, e de uma estimativa de menor mix açucareiro das usinas do Centro-Sul do Brasil.

 

A projeção para a safra da Índia foi reduzida em mais de 2 milhões de toneladas, para 29,7 milhões de toneladas. Ainda assim, trata-se de um crescimento de 14% na comparação com a temporada anterior. Importantes Estados produtores do país tiveram uma produção menor que o esperado.

 

Para o Centro-Sul do Brasil, a StoneX considera que a região contribuirá com uma produção de 39,3 milhões de toneladas durante a safra internacional atual.

 

Por outro lado, a consultoria estima agora uma produção maior no México e na Europa — a estimativa para a produção europeia foi elevada em 2 milhões de toneladas.

 

No saldo global, a produção de açúcar em 2025/26 deve ficar em 194,6 milhões de toneladas, um crescimento de 2,6% em relação à safra anterior, enquanto o consumo global deve ficar em 193,7 milhões de toneladas, o que deve representar um crescimento de 0,5%.

 

Segundo a StoneX, o fluxo comercial de açúcar ainda deve ficar pressionado durante o terceiro trimestre com superávit elevado. A consultoria ressaltou que as importações globais de açúcar estão fracas, o que ajuda a manter pressão sobre as cotações (Globo Rural, 11/3/26)