09/09/2026

Quais países da América Latina têm educação melhor do que o Brasil

Quais países da América Latina têm educação melhor do que o Brasil

Logo Pisa ( Programa Internacional de Avaliação de Estudantes)

Brasil segue entre os países com pior desempenho no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A avaliação é feita a partir de uma prova aplicada em 91 países e economias a estudantes de 15 anos. Na última edição, de 2025, que teve seus resultados divulgados nesta terça-feira (8/9), o Brasil ficou em 52º lugar em leitura, 57º em matemática e 67º em ciências. Houve ainda, pela primeira vez, a avaliação de resolução de problemas computacionais, em que o Brasil ficou na 69ª posição.

 

Na América Latina, considerando as quatro competências analisadas, ChileUruguai e Costa Rica tiveram pontuações superiores às do Brasil nas quatro áreas.

 

O Brasil obteve 409 pontos em ciências, 408 em leitura, 377 em matemática e 406 em resolução de problemas computacionais.

 

Já o Chile teve 442 pontos em ciências, 436 em leitura, 403 em matemática e 466 em problemas computacionais; o Uruguai, 445, 423, 405 e 462, respectivamente; e a Costa Rica, 424, 416, 387 e 452.

 

Entre os 13 países latino-americanos analisados, o Brasil ficou atrás de 5 países em ciências (Chile, Uruguai, Costa Rica, México e Colômbia); de 6 em leitura (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia e Peru); de 6 em matemática (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia e Peru); e de 7 em resolução de problemas computacionais (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia, Peru e Equador).

 

O grupo de países da América Latina não foi selecionado pela OCDE como uma amostra regional, já que a participação no Pisa é voluntária e varia de uma edição para outra — o Panamá, por exemplo, participou do Pisa 2022, mas não do de 2025, enquanto o Equador participou pela primeira vez em 2025.

 

Essa mudança torna comparações regionais entre as duas edições mais difíceis. No caso do Brasil, porém, é possível comparar os resultados diretamente: o país passou de 403 para 409 pontos em ciências, enquanto caiu de 410 para 408 em leitura e de 379 para 377 em matemática.

 

A resolução de problemas computacionais, por sua vez, não foi avaliada no Pisa 2022, portanto não é possível comparar o desempenho brasileiro nessa área entre as duas edições.

 

Já entre todos os países analisados, a pior posição do Brasil entre as quatro competências aparece em resolução de problemas computacionais, na 69ª colocação entre os 91 participantes. Já sua melhor posição é em leitura, área em que aparece em 52º lugar.

 

Os melhores resultados do Pisa seguem concentrados no Leste Asiático. China e Cingapura tiveram os melhores desempenhos simultaneamente em ciências, leitura e matemática. Quando se considera também a resolução de problemas computacionais, Macau, Cingapura, China e Japão aparecem entre os destaques.

 

Como é feita a avaliação

 

A avaliação é feita a cada três anos por meio de uma prova padronizada aplicada a estudantes de 15 anos.

 

Em 2025, cerca de 760 mil estudantes, representando 33 milhões de jovens, participaram da avaliação em 91 países e economias.

 

Na última edição, foram avaliadas quatro competências: ciências, leitura, matemática e resolução de problemas computacionais.

 

Os resultados são apresentados em pontuações médias separadas para cada uma das áreas, e os estudantes também são classificados em diferentes níveis de proficiência.

 

inteligência artificial também entrou no radar do Pisa. A avaliação perguntou aos estudantes com que frequência eles utilizavam chatbots de IA, como o ChatGPT, para atividades escolares.

 

Até 2025, 86% disseram ter feito uso da ferramenta ao menos alguma vez para pelo menos uma das atividades escolares investigadas pelo Pisa.

 

Entre as utilizações pesquisadas estavam pedir à IA que ajudasse o aluno a aprender, fazer uma pesquisa preliminar sobre um tema, elaborar textos para trabalhos escolares e resumir textos que precisavam ser lidos.

 

Na média, "ajudar a aprender" foi o uso mais comum, seguido por pesquisa preliminar, produção de textos e resumo de leituras. O uso quase diário, por outro lado, ainda era relativamente incomum.

 

No caso do Brasil, 48% dos estudantes dizem usar chatbots semanalmente para aprender, ante 46% na média dos países e economias participantes da pesquisa da OCDE. Já 40% fazem uso da ferramenta para pesquisas preliminares sobre um novo tema, contra 31% nessa média. Para resumir textos que precisam ler, são 31%, ante 30%; e 27% usam a IA para fazer rascunhos de textos, três pontos percentuais a menos que a média, de 29%.

 

A relação entre IA e desempenho, segundo o relatório, não é simples.

 

Em geral, estudantes que não usavam chatbots para trabalhos escolares apresentavam notas mais altas do que os que usavam. Ao mesmo tempo, entre os alunos que recorriam à IA com o objetivo de "ajudar a aprender", aqueles que relataram uso moderado tiveram desempenho ligeiramente superior ao dos que usavam a ferramenta raramente ou de maneira intensiva.

 

Para tarefas específicas, como resumir textos ou fazer pesquisas preliminares, usuários moderados também apresentaram resultados melhores do que usuários muito pouco frequentes ou intensivos.

 

O próprio Pisa ressalta, porém, que esses resultados não permitem concluir que a IA cause melhora ou piora no desempenho.

 

O relatório também chama atenção para as diferenças de acesso. Estudantes que não usavam IA para trabalhos escolares tendiam a vir de contextos socioeconômicos mais desfavorecidos, enquanto os usuários mais frequentes tendiam a ser mais favorecidos.

 

Outra frente investigada foi o papel da própria escola. Na média dos países, cerca de seis em cada dez estudantes disseram ter recebido, durante as aulas, alguma tarefa para avaliar a qualidade de informações produzidas por IA (BBC News Brasil, 8/9/26)

 

Só metade dos adolescentes sabe interpretar texto no Brasil 

IA ChatGPT

Alunos no país têm desempenho abaixo de média da OCDE, sobretudo em matemática, segundo Pisa 2025. Desigualdade socioeconômica pressiona resultados, e IA vira ferramenta do dia a dia. Estudantes de 15 anos no Brasil têm mais dificuldade em aplicar conhecimentos no dia a dia do que nos países da OCDE, diz estudo.

 

Cerca de metade dos estudantes de 15 anos do Brasil (49%) reúnem as habilidades necessárias para a interpretação de texto, mostraram os resultados do mais recente Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2025), uma pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicada nesta terça-feira (08/09). 

 

Segundo o estudo, estes são os alunos capazes de, no mínimo, "identificar a ideia principal em um texto de extensão moderada, localizar informações com base em critérios explícitos, embora às vezes complexos, e refletir sobre o propósito e a forma dos textos quando explicitamente solicitados a fazê-lo." 

 

Já a média para os 38 países-membros da OCDE foi de 69%. Entretanto, a leitura foi, dentre as áreas de estudo examinadas pelo Pisa 2025, aquela que teve a maior queda global de desempenho entre os alunos desta idade nos últimos dez anos. 

 

"Essa tendência é particularmente preocupante, pois as habilidades de leitura são a base da aprendizagem em todo o currículo e são essenciais para localizar, avaliar, interpretar e refletir sobre informações em um mundo cada vez mais digital," afirma o relatório.

 

Ao redor dos países da OCDE, 6% dos estudantes têm alta performance na leitura, isto é, conseguem "compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos ou contraintuitivos e distinguir entre fatos e opiniões, com base em pistas implícitas relacionadas ao conteúdo ou à fonte da informação". No Brasil, o índice é de apenas 1%.

 

Considerado o indicador de desempenho educacional mais influente do mundo, o Pisa 2025 entrevistou mais de 760 mil alunos de 15 anos em 91 países, incluindo cerca de 30 mil adolescentes em 1 mil escolas no Brasil. Pela aplicação de um teste e de um questionário pessoal, o estudo avalia a capacidade dos estudantes de aplicar seus conhecimentos e habilidades em leitura, matemática e ciências a situações da vida real. 

 

Brasil patina na matemática

 

Houve também queda dramática no desempenho dos estudantes em matemática ao redor do mundo. No caso brasileiro, os resultados se mantiveram estáveis na última década, mas o país ainda patina em comparação às economias da OCDE.

 

É na matemática que está a maior lacuna de desempenho dos estudantes brasileiros. Só 28% dos alunos que participaram do estudo demonstraram proficiência, contra a média de 65% nos países da OCDE.

 

Na prática, isso significa que estes adolescentes "são capazes de interpretar e reconhecer, sem instruções diretas, como uma situação simples pode ser representada matematicamente (por exemplo, comparando as distâncias de duas rotas alternativas ou convertendo preços para uma moeda diferente)," explica a pesquisa.

 

Para a China, em contrapartida, o percentual de proficiência matemática foi de 96%, em linha com o desempenho do país nas outras áreas analisadas.

 

O peso da desigualdade nas ciências

 

Ao redor do mundo, a situação socioeconômica dos alunos impacta os seus resultados nos estudos em todas as disciplinas. E, no Brasil, o efeito da desigualdade é ainda maior do que a média da OCDE.

 

Entre os 25% dos alunos no topo da pirâmide social, a nota média nas ciências naturais supera em 96 pontos a dos 25% dos estudantes na base da pirâmide, por exemplo. A média dessa diferença entre os países da OCDE ficou em 85 pontos.

 

Em geral, o PISA considera que 20 pontos na nota equivalem a um ano de aprendizado em qualquer uma das disciplinas examinadas. 

 

O peso da desigualdade se aprofundou entre 2015 e 2025 no Brasil, enquanto diminuiu nos países ricos da OCDE. "Nesse período, o desempenho melhorou entre os alunos de classe alta, mas permaneceu estável entre os alunos de classe baixa," detalha a pesquisa sobre o caso brasileiro.

 

A estimativa do PISA 2025 é que, no ano passado, 21% dos alunos frequentassem escolas onde a educação era restringida pela falta de professores; 26% em instituições impactadas pela falta de materiais; e 28% em instalações precárias. 

 

IA vira realidade cotidiana

 

Pela primeira vez, o Pisa avaliou o uso de inteligência artificial (IA) entre os alunos pesquisados. Ao redor do mundo, os chatbots já se consolidam como ferramentas para os estudantes, "criando desafios e oportunidades para o seu aprendizado", segundo o relatório.

 

No Brasil, 48% dos adolescentes reportaram usar chatbots de IA para a aprendizagem pelo menos uma vez na semana, em comparação à média de 46% na OCDE. As principais tarefas executadas são pesquisas preliminares sobre um tema novo, resumos de leituras ou a elaboração de rascunhos para trabalhos escritos.

 

Apenas 11% dos alunos afirmaram nunca ou quase nunca usar chatbots de IA para qualquer uma das tarefas escolares analisadas no Pisa (a média da OCDE foi de 14%).

 

Dentro das escolas, porém, a restrição do uso de celulares mudou a rotina dos alunos significativamente nos últimos três anos. No ano passado, 81% dos pesquisados do Pisa 2025 estudavam em escolas onde os aparelhos eram proibidos, em comparação a 37% em 2022. 

 

Segundo o estudo, a proibição dos celulares tende a reduzir a distração dos alunos com recursos digitais.

 

Desafios de adaptação

Os números não explicam diretamente por que há um declínio global na performance dos estudantes. Os autores do estudo indicam que o fato de as escolas terem fechado durante a pandemia de covid-19 pode ter sido um fator para a piora das habilidades de leitura, por exemplo.

 

Mas não há uma relação direta entre o tempo de suspensão das aulas presenciais e a performance dos estudantes na leitura. Além disso, esta tendência de queda em vários países já vinha antes da pandemia, acrescenta o relatório. 

 

Para os especialistas, o cenário "sugere problemas estruturais mais profundos nos sistemas educacionais, com desafios tanto no âmbito escolar quanto no nível do sistema". Esses desafios incluem o impacto das distrações digitais sobre os alunos e o crescente desinteresse pela leitura de livros.

 

"De modo geral, os dados sugerem deficiências na forma como os sistemas educacionais estão se adaptando às mudanças sociais, tecnológicas e econômicas", afirma o resumo do estudo. "Olhando para o futuro, o desafio para os formuladores de políticas não é simplesmente recuperar o terreno perdido, mas garantir que as escolas atendam às demandas do mundo, que mudam rapidamente."

 

Enquanto isso, os pais podem contribuir para o potencial das crianças, demonstrando apoio e curiosidade em relação aos estudos delas e ajudando-as a desenvolver atitudes positivas em relação à escola, afirma o relatório (DW, 8/9/26)